Fraude na Biblioteca Nacional

 

Existe ainda algo honesto e confiável no Brasil? Existe algum político, empresário, alguma fundação, instituição ou ONG pelos quais possamos por a mão no fogo? Digamos que, como não se deve generalizar, seja um tanto provável que ainda haja algo não contaminado e digno de respeito no País. O complexo de trapaça (ou fraude) não está no DNA do brasileiro, como se costuma dizer. Está numa instituição corrupta e falida (em todos os sentidos) como a Justiça. Ou seja, é a impunidade que gera e amplia a trapaça, quer dizer a fraude, a corrupção.

A trapaça que vou expor não tem, a bem da verdade, uma dimensão político-social de amplitude considerável. Mas, obviamente, não deixa de ser significativa. Trata-se da fraude do concurso Prêmios Literários da Fundação Biblioteca Nacional do Rio. Fraude que depõe contra a dignidade de tal fundação. E que leva qualquer cidadão honesto a constatar que a Fundação Biblioteca Nacional é mais um lixo dos inúmeros que proliferam no País. E ninguém protesta. Ninguém faz nada. Ou seja, novamente a inércia, a frouxidão, a alienação típicas nossas. Com a agravante que nem sequer os prejudicados pela fraude se manifestam.

O concurso, do qual podiam participar livros publicados de 01/09/10 a 31/08/11, escolheu uma comissão julgadora composta de três membros para cada categoria (romance, contos, poesia, infanto-juvenil, ensaio literário, ensaio social, tradução e projeto gráfico). Esses jurados, selecionados entre críticos literários, professores de literatura e (pasmem, não é piada, não!) profissionais do mercado editorial – eufemismo empregado no edital para designar os editores. Pergunta pertinente: o que tem a fazer um editor num concurso literário senão puxar a brasa para a sua sardinha? Esses carinhas da Fundação Biblioteca Nacional, esses picaretas, corruptos, que com certeza devem ter levado propina, pesam o quê? Que m… eles pensam que são?… Calma, meu caro fucking angry man, calma. Vamos por etapas.

Expliquemos. E provemos por números. Que os números não mentem. A Fundação deu o prazo de avaliação e seleção de um mês: de 04/11/11 a 05/12/11. Um mês para julgar 547 livros participantes do concurso! É mole? Peguemos, como demonstração, a categoria romance. Havia 80 romances inscritos no certame. Se dividirmos 80 livros por 30 dias, chegaremos a 2,66 livros por dia, que é o que cada membro do júri teria de ler. O que é praticamente impossível. Conclusão: marmelada. Pura marmelada. Ou seja, cartas marcadas. Ou seja, os resultados eram conhecidos de antemão. Em suma, trapaça. Ou, em outra palavra, fraude. Imoralidade. E a Fundação Biblioteca Nacional teve o topete, o cinismo de editar em seu site a relação completa dos participantes.

É extremamente sintomático que, além dos editores fazerem parte do jurado, as obras vencedoras, em sua grande maioria, foram publicadas por grandes ou importantes editoras que detêm o monopólio – por assim dizer – do mercado editorial. E é extremamente lamentável que, numa falta total de respeito e consideração, centenas, repito centenas, de escritores participantes tenham incauta e ingenuamente se inscrito no certame na esperança de, pelo menos, serem lidos, o que não ocorreu. Todo escritor, a menos que fosse conhecido ou recomendado, foi sistematicamente excluído. Uma palhaçada. Sim, esses salafrários fizeram de palhaços centenas de escritores. Salafrários ainda é assaz lenitivo para esses corruptos.  E ladrões, pois, dependendo de onde provem o dinheiro pago aos “vencedores”, pode ser também um ato ilegal. Não teria sido mais honesto, mais transparente, menos sórdido, menos atrasado e fascista (toda fraude é fascista), “escolher” (mesmo considerando que a escolha fosse tendenciosa no sentido de favorecer determinados interesses) os “livros do ano” em vez de montar essa farsa, esse engodo de “concurso” para enganar centenas de participantes? Mas, claro que não, a honradez não rende. A honestidade não faz parte do sistema. E menos ainda no inefável paraíso moral em que vivemos.

Bravo Fundação Biblioteca Nacional pela sua proeza! Parabéns pela sua prova de honestidade e probidade. E pelo belo caminho da corrupção escolhido por tão insigne instituição.

15-12-2011

R.Roldan-Roldan é escritor

www.davidhaize.wordpress.com

Publicado pelo jornal Correio Popular de Campinas no dia 3 de janeiro de 2012

ESCRITOR? O QUE É ISSO?

dezembro 15, 2011

Escritor? O Que É Isso?

 

         A maioria dos jovens que aspira à carreira literária não lê – pelo menos o que deveria. Aconselho-os a lerem um livro por cada página escrita. E, claro, cito Rilke em Carta a um Jovem Poeta, dizendo-lhes que podem ir em frente se são capazes de morrer pela poesia, ou pela literatura de modo geral. Obviamente, nestes tempos pragmáticos, as pessoas têm dificuldade de assimilar a extensão do sentido de morrer por algo. Ou, em outras palavras, o significado da entrega absoluta. Para aqueles que estiverem interessados, esse conceito de entrega total está explícito em Os Dez Mandamentos do Escritor que é completada por Os Sete Pecados Capitais do Escritor, manifestos que podem ser lidos no site http://roldan.vila.bol.com.br. Esses manifestos, longe de serem deterministas, exaltam uma atitude de preservação da identidade do escritor acompanhada de ação permanente.

No entanto, se sempre ressalto a importância da disciplina, da persistência e do rigor, não posso deixar de admitir – sem querer ser fatalista nem místico – que um escritor já nasce escritor. Exatamente como um tenor já nasce tenor. Mas, evidentemente, o dom natural não basta. Ou seja, é necessário muito trabalho, garra e fé em si próprio para chegar aonde se pretende. Como de nada serve esforço, dedicação e perseverança se não se tem talento inato. Isso me leva a abordar a formação do escritor.

Uma faculdade de Letras não forma escritores. Uma faculdade de Letras com mestrado e doutorado, forma um técnico (por assim dizer) em literatura. Ou seja, um professor ou crítico literário. E não um escritor na acepção mais profunda da palavra. Um professor de literatura expõe o que aprendeu. Exatamente como um crítico literário. Um escritor (e por extensão qualquer artista) expõe o que cria. Quanto a esses cursos tipo “torne-se escritor”, isso é pura picaretagem. Uma coisa é técnica e outra talento. Claro, nada contra esses cursos de fim de semana. Afinal de contas acrescentam cultura.

Outro aspecto que o candidato à carreira de escritor deve levar em conta é o inefável mercado editorial. A prioridade das editoras, claro, é lucro. E elas não hesitam em publicar lixo desde que esse lixo dê lucro. Lixo que vem de fora, já promovido, rende. E lixo doméstico proveniente, por exemplo, de celebridades, também rende. Se um jogador de futebol ignorante, uma apresentadora de televisão burra, uma parceira de cama de um esportista célebre, uma vendedora de sexo famosa, ou qualquer cretino ou cretina em voga, bajulado(a) pela mídia rasteira, publicar sua biografia, é lucro garantido para a editora. E é bom frisar que isso não ocorre só no Brasil. Mas então? Como fazer para publicar um livro? Insistir – quando se tem consciência de que o livro é bom. Embora as chances sejam poucas. Ter peito para receber um não após o outro. Estar ciente de que a primeira triagem numa editora é feita por (pasmem!) estagiários. Estar ciente de que a grande maioria das editoras não só não acusa recebimento dos originais como não dá nenhuma resposta sobre a não aceitação do original. E aceitar que a maior parte das vezes a resposta – quando vem – é negativa. Desestimulante? Sim. Desesperador? Não. Resta ao escritor, como último recurso, publicar seu livro por uma das chamadas editoras alternativas, bancando a impressão. A desvantagem de publicar por essas editoras é que a divulgação é nula. Sem contar que, no caso de um bom escritor, o fato de publicar por esse tipo de editora depõe contra ele. Como assim? Bem, o leitor tende a raciocinar deste modo: se esse autor publicou por uma alternativa, é porque nenhuma editora conceituada o aceitou; logo, é porque é ruim. E não é bem assim, não. Nem tudo o que é marginal é ruim. Inúmeros grandes escritores “marginais” tiveram que bancar seus livros para depois alcançarem a consagração. Rimbaud, Lautréamont, Proust, Gide e o nosso Samuel Rawet (que teve de vender seu apartamento para financiar a edição de seus livros) são alguns exemplos entre muitos outros. Mas então, para onde se virar? Para as grandes universidades tipo USP e Unicamp? É uma alternativa. Essas universidades se relacionam com as grandes editoras. Mas é preciso fazer parte dessas instituições e, como tudo neste mundo mercenário, ter QI (quem indique com se diz popularmente). Essas instituições se fecham para aqueles que não fazem parte do meio acadêmico.

Quanto aos grandes concursos literários nacionais, funcionam como qualquer negócio. Repito: negócio. São cartas marcadas por assim dizer. Em outras palavras, salvo raras exceções, só ganha quem publica por uma grande editora ou, se não for grande, conceituada. E quem publica por uma grande editora é aquele que tem o citado QI. E quem indica é porque, de um modo ou de outro, está relacionado com o meio editorial. E mesmo assim os abutres editoriais têm que farejar lucro no original submetido para avaliação. Não existem editores no sentido genuíno da palavra. O que há são meros empresários, com cultura que deixa muito a desejar, que se dedicam a ganhar dinheiro com a publicação de livros. Em suma, homens de negócios que mexem com literatura. Ou pseudoliteratura.

Quem ainda não desistiu…

29-11-2011

R.Roldan-Roldan é escritor

www.davidhaize.wordpress.com

Publicado pelo jornal Correio Popular de Campinas no dia 6 de dezembro de 2011.

Violência? Não, Defesa

novembro 5, 2011

Violência? Não, Defesa

 

         A nossa inércia, a nossa apatia, a nossa passividade, a nossa indolência, a nossa alienação ovina chegam a ser revoltantes. Tudo é frouxo no Brasil. Menos a corrupção, hereditária, vitalícia, que continua robusta, dinâmica, saudável, corada, enfim em plena forma e digna do melhor pedigree das famílias mais nobres do País. Massa de palhaços, sabemos imitar como macacos a imbecilidade do politicamente correto (como a neurose contra o cigarro) diretamente importado de um país tão atrasado política e socialmente quanto os EUA, agora em decadência, como, aliás, o famigerado neoliberalismo e a globalização. Mas certamente não importamos salutares protestos – a nível nacional – como os de Wall Street, os da Grécia, os da Espanha ou de outros países. Importamos, sim, diariamente, de modo jacu, brega, cafona, grotesco e vulgar vocábulos norte-americanos que desfiguram a nossa língua.  Sabemos embarcar no fanatismo das torcidas de futebol. Ou na alienação carnavalesca. Sabemos organizar marchas de demonstração de força, absolutamente inúteis, para enaltecer a fé evangélica ou católica, marchas dignas de países atrasados que em nada contribuem para o progresso político-social do Brasil. Mesmo porque o Brasil certamente não precisa dessas manadas bovinas que contribuem para facilitar o jogo sujo dos salafrários, dos corruptos, dos sem-vergonhas que estão no poder. Esses respeitáveis ladrões que detêm o poder com certeza ficam mais do que satisfeitos ao ver o gado bípede manifestando pacificamente sua fé e devem pensar: deixem o rebanho ocupar-se com a religião, pois enquanto fazem isso não reclamam da podridão oficial e não exigem seus direitos. E assim os f.d.p. da classe política deitam e rolam e enchem os bolsos com o dinheiro da Nação, ou seja, com o dinheiro extorquido do cidadão honesto. Marx tinha razão: a religião é o ópio do povo. Os povos mais atrasados da Terra são aqueles onde a religião tem mais poder. País culto e avançado é totalmente laico. Marchas como as dos evangélicos, católicos ou do Orgulho Gay só se justificam se reivindicaram reformas político-sociais. O resto é carnaval.

Mas abordemos outro aspecto coberto pela nossa indiferença (ou alienação, para repetir o termo). Perante o despotismo do sistema financeiro, perante o absolutismo do mundo corporativo e a crescente falta de empregos no mundo, perante o aumento constante das pessoas que morrem de fome no Planeta, perante a corrupção da classe política, seria de se esperar, num país como o Brasil onde os parlamentares são os mais bem pagos do mundo, onde ainda existe a ignomínia medieval da imunidade (algo absolutamente perverso, inconcebível: onde já se viu um cidadão ter privilégios que o outro não tem?), onde a impunidade é lei, e onde a corrupção é uma das maiores do mundo, seria de se esperar, pelo menos, que as propriedades dos políticos corruptos fossem depredadas, incendiadas, destruídas e que esses políticos fossem cassados pelo resto da vida – mesmo tendo renunciado ao cargo; seria de se esperar atos de violência contra bancos e grandes corporações que detêm um poder antidemocrático, totalitário que torna as nações meros títeres do sistema financeiro e corporativo; seria de se esperar que os especuladores, esses sanguessugas, esses improdutivos, esses vagabundos, esses cancros da sociedade que só servem para tirar proveito e semear o caos financeiro fossem condenados a pesadas penas de prisão; e seria de se esperar a paralisação do País para exigir reformas políticas e sociais. Essa é a demonstração de força que o povo brasileiro necessita. Questão de dignidade. Calar é ser conivente. Calar é ser cúmplice. Mesmo porque a violência é a única linguagem que esses abutres do sistema financeiro e corporativo, e da classe política, esses escorpiões da ganância desenfreada, do abuso do poder e do imediatismo são capazes de entender. Portanto, se não cedem, é guerra declarada. Talvez assim entendam. E não se trata de pregar a violência, não. E uma questão de defesa. De legítima defesa. Tolerância zero. É para ser radical em relação a esse estado de coisas vergonhoso, ofensivo, ultrajante. Se a sociedade não fizer pressão, o círculo vicioso continuará o mesmo e nunca haverá mudanças.

20-10-2011

R.Roldan-Roldan é escritor

www.davidhaize.wordpress.com

Publicado dia 2 de novembro de 2011 no jornal Correio Popular de Campinas/SP

ABL, Lixo Comercial?

outubro 12, 2011

ABL, Lixo Comercial?

 

         A Academia Brasileira de Letras virou lixinho comercial? Ou é melhor dizer televisivo? Ou talvez escória intelectualóide? A coroação de uma série de “proezas”, nada literárias, áulicas, culminou com a entrega da medalha Machado de Assis a Ronaldinho Gaúcho. Ridículo. Nada, evidentemente, contra o jogador. Mas é necessário acrescentar algo? Como se não bastasse ter entre seus membros gente como Paulo Coelho, Sarney e Pitanguy (com todo o respeito devido por este último). A ABL deveria – peço desculpas pela minha arrogância – ler meus manifestos Os Dez Mandamentos do Escritor e Os Sete Pecados Capitais do Escritor que se encontram em meu site. Mas tudo isso fica ofuscado pelo brilho de uma das maiores “façanhas” da ABL. Refiro-me a uma mancha moral indelével: durante os anos de chumbo da ditadura, a Academia Brasileira de Letras, que deveria ser um baluarte da consciência do País, se omitiu – e omissão é conivência – e não foi nem sequer capaz de emitir um manifesto contra a violação dos direitos humanos pelos militares no poder. Pois é, a ABL, vergonhosamente, silenciou. Omitiu-se. Isso é uma mácula. Aí já não se trata mais de lixinho. Mas de lixão. Sim, claro, isso ocorreu há mais de quatro décadas. Mas a coisa não mudou muito. Para que servem essas múmias alienadas, reacionárias, retrógradas, cercadas pelo bolor nauseabundo do conservadorismo? Para que serve essa instituição? Para esclarecer se determinada palavra perdeu ou não o hífen que determinados acadêmicos mercenários resolveram estupidamente suprimir? Melhor fechá-la. Ou terceirizá-la. Como se faz com tudo hoje em dia no paraíso neoliberal.

Mas já que tocamos na ABL, falemos um pouco dos escritores, esses estranhos animais, quando são de fato escritores — e eu sou um deles. No maravilhoso mundo pós-pensante ou pós-ideias – hoje em dia as supostas ideias disseminadas pela mediocridade da mídia são engolidas sem um mínimo de processamento crítico –, no admirável mundo novo da imbecilidade oficializada, da burrice endeusada, há escritores consagrados que escrevem tão bem quanto os ditadores Kim Jong-il, da Coreia, Kadafi, da Líbia ou Saddam Hussein, do Iraque que, como todos sabem, são, ou eram, “escritores” (entre aspas mesmo). Sim, ideias. Faltam ideias. E passo a transcrever parte de um texto meu sobre o assunto.

“Porque hoje em dia o anti-intelectualismo está em voga. O anti-intelectualismo que mal dissimula a mediocridade, a ignorância e a burrice. Enfim uma distorção da inaptidão que se coaduna com a famigerada cultura de massa. Essa praga pegajosa que nos impinge a merda cultural oficial. Bem, além de alienados do doer, esses escritores de pacotilha que não têm ideias, tampouco possuem cultura. E um bom escritor se caracteriza pelas suas ideias e pela sua visão de mundo que o distingue dos outros escritores. E pela sua cultura, claro. Porém, não vemos nada disso. Esses escritorezinhos, quando retocados de um verniz acadêmico, escrevem umas bostinhas de contos, romances e poemas, mais frios do que lagartos no inverno, que não passam de meros exercícios literários absolutamente áridos, vazios, inócuos, chochos. E tomando-se por Joyce, Guimarães Rosa ou Clarice Lispector, mal disfarçam a falta total de imaginação – e um escritor que se preze tem que ter imaginação – com maçantes malabarismos estilísticos que lembram a leveza da dança de um paquiderme. É sempre a mesmice. E o pior é que, se às vezes há certas mediocridades divertidas, nesse caso, nem isso. É puro tédio. Enfim, descartável.”

O exposto inclui a ficção acadêmica (de universidade, não de academia). Embora aí não se veja o anti-intelectualismo, o panorama não muda muito. E encontramos ficcionistas ostensivamente estilosos, modernosos que fazem girar o mundo em torno do umbigo e que amiúde se tomam, como acima mencionado, por Joyce, Guimarães Rosa ou Lispector. Com maneirosos exercícios de estética que não levam senão à aridez da falta de talento. Exímios técnicos literários – há alguns elegantemente picaretas – “uspianos” ou “unicampianos”, sem absolutamente nenhuma originalidade. Totalmente ocos. E que nunca são capazes de ir além da linguagem, do aprendido e da moda. E, sobretudo, que certamente carecem de ideias em seus emaranhados malabarismos formais. Sim, ideias. Pois um escritor tem de ter ideias. Já que um escritor também é um pensador. Um escritor tem de ter também imaginação e, sem fazer concessões, o poder de enfeitiçar o leitor. E, para finalizar, repito o que disse e escrevi muitas vezes: um escritor não é apenas um homem (ou uma mulher) que escreve, um escritor é um posicionamento. Uma atitude perante a vida. Uma ação constante. Uma transgressão. Um desafio. Enfim, um escritor é um modo de viver.

 

20-09-2011

R.Roldan-Roldan é escritor

www.davidhaize.wordpress.com

Publicado dia 5 de outubro de 2011 no jornal “Correio Popular” de Campinas.

 

 

 

A Angústia Segundo Lars von Trier

 

         As declarações bombásticas do diretor dinamarquês Lars von Trier no último festival de cinema de Cannes – onde apresentou Melancolia em competição – afirmando sentir admiração pela estética nazista – até aí tudo bem, qualquer cinéfilo pode condenar o nazismo e, no entanto, pode admirar, por exemplo, a estética de Leni Riefenstahl, cineasta nazista. O pior foi von Trier acrescentar que entendia Hitler e que o ditador não deixava de ter um lado positivo. Resultado: von Trier foi banido do festival, embora ele pedisse desculpas. Uma pena, pois ele não precisava dessa promoção de escândalo. Ele é grande demais para apelar para esse tipo de publicidade de gosto duvidoso. Mesmo porque o efeito do escândalo foi o inverso do que costuma ocorrer nesses casos. Um escândalo geralmente promove e projeta para o grande público uma obra cinematográfica, teatral, literária ou plástica. Mas no caso de von Trier, o resultado foi o oposto. Ou seja, a polêmica das declarações ofuscou o brilho de Melancolia e desviou a atenção do valor intrínseco do filme. Que é ótimo e que merecia um prêmio mais importante do que o de melhor atriz – para Kirsten Dunst.

Demolidor. Provocador. Corrosivo. Apocalíptico. Lars von Trier se insere na tradição do pessimismo, ou melhor, niilismo nórdico. Como seu compatriota Carl Dreyer. Como seu colega escandinavo Bergman. E como o filósofo Kierkegaard. O silêncio de Deus de Bergman é substituído pela ausência de Deus de von Trier. Pior: a eternidade deixa de existir para dar lugar ao nada. Não há redenção no diretor de Ondas do Destino. Não há esperança. O seu niilismo apocalíptico provoca uma angústia sem par na sétima arte. Em Dogville, obra-prima, talvez o maior filme da década de 2000, além de uma estética absolutamente revolucionária em seu despojamento, ele anula o conceito cristão de bondade e nos diz implacavelmente: seja bom e os outros te devoram. Não há generosidade em von Trier. Seus personagens (os protagonistas são sempre mulheres, como em Bergman) certamente não conhecem a magnanimidade. Ainda em Dogville, ele denuncia o sistema neoliberal e nos exemplifica: peça emprestado e você será escravo, do seu credor, para o resto da vida. Que é nem mais nem menos o fundamento da exploração do capitalismo neoliberal. O que nos leva à famosa sentença de Sartre, na peça O Diabo e o Bom Deus: Mas àquele que dá sem que você possa devolver, ofereça todo o ódio do seu coração. Não há desprendimento. Nada se faz por generosidade. O mal inerente ao Homem se acentua com o fascismo neoliberal. Deus está morto. Assim como o sagrado. Assim como a ética. Assim como a eternidade. Só resta a cobiça. O imediatismo. O lucro. A morte.

Se com Anticristo o cineasta fez seu filme de terror, com Melancolia ele fez seu filme de ficção científica, que tem alguns pontos em comum com O Sacrifício, de Tarkovki. Claro que, em ambos os casos, estamos longe dos padrões estereotipados e digestivos de Hollywood. Von Trier  tem muito talento e originalidade para seguir estereótipos ou cânones comerciais. Com imagens suntuosas, deslumbrantes – algumas parecem recriar quadros do surrealista Delvaux – ele nos mostra o fim próximo do planeta Terra em meio à cegueira de uma instituição falida como o casamento e, por extensão, a família. O mundo vai acabar, mas a família, alienada, hipocritamente (ou estupidamente como o avestruz) ignora a iminência da catástrofe. Só que, mesmo que essa instituição deixasse sua alienação, já seria muito tarde. Lars von Trier usa muitas metáforas e alusões (a pintura Caçadores na Neve, de Brueghel, embora criada no começo da Renascença, parece fazer uma alusão ao terror medieval do fim do mundo, tão bem exposto pelo também flamengo Bosch) que têm a força e a pujança de um registro realista. Ele não faz concessões. Ele não perdoa. E ninguém fica imune ao impacto de sua devastação. E essa visão desesperançada, sem a menor brecha que deixe penetrar um pouco de luz, por menor que seja, sempre é apresentada por uma estética que veste a morte de luxo cerimonial.

Lars von Trier está, junto com o grego Angelopoulos, o português Manoel de Oliveira e o norte-americano Terrence Malick – cujo A Árvore da Vida é um espanto de plasticidade e de indagação metafísica  –  entre os maiores cineastas vivos do mundo. E, por sinal, todos eles são humanistas.

20-08-2011

R.Roldan-Roldan é escritor

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Publicado dia 7 de setembro de 2011 no “Correio Popular” de Campinas

 

 

                   

O Paraíso Neoliberal

setembro 17, 2011

O Paraíso Neoliberal

         É surpreendente como o ser humano é conservador. Em todas as latitudes e épocas. Basta folhar a História para constatá-lo. O ser humano, como qualquer animal, tem medo. Medo irracional do novo. Do desconhecido. Daquilo que pode vir a alterar a rotina que lhe dá segurança. Mas, ao mesmo tempo, o Homem tem coragem. Tem a ânsia do conhecimento e da experimentação necessárias a toda renovação. O Homem sonha. Porque quer mais. E não me refiro a acumular riquezas. Não. Ele quer ampliar seus horizontes. Ir além do conhecido. E o sonho está intimamente ligado ao prazer. E, obviamente, é o prazer que nos impulsiona. Seja qual for. E que movimenta o mundo. Mas, voltando ao nosso espantoso Homem, ao nosso belo Animal, ou ao ser humano (como preferem os cretinos do politicamente correto), poderíamos afirmar que, se a grande maioria é acomodada, há os grandes inquietos que vêm a este mundo para transformá-lo.

Sim. Desafiar. Transformar. Tudo pode ser transformado. Basta querer. O pessimismo da inteligência e o otimismo da força de vontade, dizia Gramsci. Posto isto, não posso deixar de rebater aqueles deterministas que afirmam que a globalização, e o neoliberalismo especificamente, vieram para ficar e são irreversíveis. Os nazistas também diziam que o Terceiro Reich duraria um milênio. Durou apenas 12 anos. Não existe nada irreversível. Salvo a História. Ou a morte. Mesmo porque o capitalismo neoliberal está doente. E os sinais dessa doença são visíveis. A crise econômica da União Europeia e dos Estados Unidos são sintomas muito evidentes de um sistema decadente. Econômica, política e eticamente. Corroído internamente.

É uma incongruência que um sistema que tanto alardeia os direitos humanos e a liberdade – dos quais tanto se vangloria – os elimine ou os restrinja – como é o caso da invasão da privacidade. O sistema capitalista neoliberal tende cada vez mais ao fascismo, burlando de modo camuflado esses direitos humanos e essa liberdade que seriam a essência da democracia.  Como não considerar fascismo o poder quase absoluto que detêm as grandes corporações, incluindo os bancos? Como não considerar totalitarismo a fusão dessas grandes empresas que provoca desemprego e obriga o consumidor a ter de engolir o que a empresa compradora produz, eliminando qualquer opção? Exemplo: numa cidade há cinco supermercados. Esses supermercados vão abocanhando um ao outro até restar um só. E o consumidor é obrigado a comprar o que esse supermercado “vencedor” vende e aos preços que ele quer. Onde está a opção? A tão decantada opção de consumo capitalista? A fabulosa opção do que se costumava chamar de mundo livre? O capitalismo sempre criticou a falta de opção do comunismo, onde o consumidor era obrigado a comprar nas empresas estatais. Muito bem. Agora o neoliberalismo incorre, por vias diferentes, na mesma arbitrariedade, na mesma falta de opção. Ou, em outras palavras, na falta de liberdade. Ou, melhor ainda, liberdade para os grandes agirem. Em detrimento dos pequenos. E quando o Estado tenta controlar (ou regular) esses abusos, a primeira coisa que os grandes grupos invocam é a liberdade do sistema democrático. É preciso ser muito burro, ou cínico, para achar que esse faço-o-que-quero-porque-sou-dono-do dinheiro é democrático. Ou seja, um peso e duas medidas. Qualquer limite aos ganhos astronômicos e às especulações desses bancos (ou de qualquer corporação) para, em parte, evitar as crises econômicas e o aumento consequente de miséria no mundo é tachado de atentado à liberdade democrática. Mas que engodo! Que distorção! Parece piada, mas não é. E há gente que acha que está tudo muito bem. Claro, para os que mamam dos resultados dessas injustiças, o sistema é ideal. Ou para os pobres alienados que têm teto e que comem todos os dias. E esses alienados, via de regra, são fatalistas e dizem: não tem jeito, é assim mesmo e não vai mudar. Pode mudar, sim. O Homem tem garra. O Homem é criativo. O Homem ainda é capaz de sonhar.  A revolta dos países árabes é um belo exemplo. E os protestos na Espanha não eram dirigidos exatamente contra governo de Zapatero, mas contra um sistema que provoca desemprego e pobreza e que não oferece nenhuma garantia ao cidadão. Um sistema que, para apertar o cinto, a primeira coisa que faz é cortar ou restringir os benefícios sociais do cidadão, como a idade para aposentadoria (o que ocorreu na França) entre outros. E certamente ninguém está preconizando um sistema stalinista. Não. Mas existem opções. Basta ter boa vontade, consciência e peito para derrubar o que é injusto. Portanto, cidadãos, não sejam frouxos. Comecem a dizer chega.

 

21-07-2011

 

R.Roldan-Roldan é escritor

www.davidhaize.wordpress.com

Publicado dia 3 de agosto de 2011 pelo jornal “Correio Popular” de Campinas

 

 

 

 

LA BALLADE DE DAVID HAIZE

agosto 16, 2011

LA BALLADE DE DAVID HAIZE

 

R.Roldan-Roldan

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LA BALLADE DE DAVID HAIZE

Poésie

 

Un couchant des Cosmogonies !

Ah ! que la vie est quotidienne…

 

Jules Laforgue (in Complainte sur certains ennuis)

 

L´être impossible

Tu es devenu tout mon être, ainsi tu es tout moi.

Moi je suis devenu rien en toi, ainsi je suis tout toi.

Djalal ud-Din Rûmî (in Rubâ´iyât)

I

 

Quand le verbe

intransitif comme aimer

décalé comme un étranger

égotiste par nature

se blesse le gland en se conjuguant

et que brisé et perfectif par répression

sombre finalement

dans sa solitude d´être défectif

et que les auxiliaires

impersonnels

putains hors d´usage

lui font défaut

alors

 

Je suis l´éternel voyage

tu es le havre qui me dévisage

à  travers les siècles

ancre-moi donc l´âme

fais-la tienne

en  la ramenant à moi

dissous-la dans son vrai repère

je deviens oubli

pour reparaître en toi

et me livrer comme jamais auparavant

humble au point de bannir le doute

jusqu´à mêler notre sang

comme la voix enlace le mot

je me fais désert

pour renaître en toi

vert

propre

 

sans peur sans reproche

chaste comme la passion

ô inconcevable être à aimer

entends-tu le bruissement des roseaux

caressant la peau brune de la nuit

le souvenir du début vaguant

immense

serein

parmi les ombres écumantes de la nostalgie

 

II

 

Quand les consonnes

borgnes boiteuses et livides

dégoûtées de l´imbécillité triomphaliste

vomissent des préceptes lyriques en plastique

et que les voyelles

le clitoris amputé

gorgées de fast-food

ridées sous la poudre des camélias fanés

toussent

crachent des caillots de songe

et défont leur couleur

sur les pages de l´inaction

alors

 

Semence hasardeuse des mots

qu´en reste-t-il

les pas affranchis du temps révolu

mais il y a

toi

dont la parole devient chair

chair que je pétris malaxe triture

et pénètre

dans la sombre splendeur du silence

pour en extraire l´esprit

dense

limpide

intense

enivrant ô éblouissement

en épuisant mon souffle dans ta bouche

au-delà des lèvres

de la salive

de la langue

des mots

 

au-delà de la stupeur de se savoir seul

à jamais

oh aime-moi

du fond du temps retrouve-moi

pur comme au début

donc inachevé

complète-moi

je veux m´émerveiller encore

de me savoir être

 

III

 

Quand les barbelés de l´exil

déchirure des frontières

écorchent le pénis de l´identité

et que le cri incompris insoumis

vogue parmi les larves officielles

de la misère intellectuelle

et que le sang dépaysé

épars et sans sens le temps d´une vie

coule sous le masque permis de la médiocrité

en murmurant amen

au lieu de hurler non

alors

 

Entrer en toi

me dissoudre en toi

être toi

n´être que toi

t´être sans klaxon ni garniture

sans dédoublement

sans masque

sans déraillement

être le but de la quête

sans tambour ni trompette

être le sax qui répond au violoncelle

être au-delà du corps

au-delà de la réalité

ta pensée

brut comme l´essence

te dire au-delà du tangible

je te suis

être impossible

sans pompe ni répit

mais hélas tu es si loin

 

comment pourrais-tu m´aimer

toi fait d´esprit et de rêve

être de ce pays sans frontières

où nulle eau peut assouvir ta soif

je suis donc l´excédent

qui te restera

sensation

intact

 

IV

 

Quand la sainte verge

dure gaillarde tendue

vénusté de l´ombre

grosse d´attente

et vide de raison

se soûle du breuvage masturbatoire de la finitude

et que les élans en habit du dimanche

mélancoliques has been

roulent leur carcasse

tout le long de la rigole

avant de se précipiter dans l´égout

alors

 

Tu es comme l´Art

solitude

oh mon amour toi qui me sacre

printemps du silence

prince

couronne du non-dit

je te veux voyage comme moi

pas but

pour te deviner toujours insatiable

pour me comprendre inassouvi

voyageur sans bagage

partance sans départ

je suis en toi le rivage

qui fuit

étranger comme moi

nous sommes seuls

aimons-nous sur le sommet

de l´urgence

dans le lit de la rage de vivre

du désespoir

 

sous le dôme de se savoir élu

élu par ce temps qui n´existe plus

dans l´empire de la fusion

sois le mot amour que je t´offre

je me donne au tien

seul comme la mort

pur comme le fou

solide comme le silence

 

V

 

Quand le cœur du poète

explosion surannée

pauvre pot

dans un monde gangrené par la loi termite

hurle sa foi à rebours

et que le souffle fétide des sentiments clos

s´évade par les fentes rouillées de la colère

pour s´engouffrer dans le néant

sans rédemption

et que se pose sur les livres en deçà des lèvres

le vol d´une prière oubliée

oiseau brisé par l´errance

surgi d´un pli de l´inconnu

alors

 

Suis-je la somme des mots vécus

des mots empruntés

des mots hérités

des mots tus

où retrouver la source de mon essence

oh l´amour comme la mort est au bout

d´un tout d´un rien sans but

il ne me reste que toi

où je plonge cœur ouvert

corps nu

comme le glaive de la liberté

finitude

tant pis

nous irons aux confins de nos désirs

volant sur les plumes des mots

oiseaux du hasard

splendides de se sentir être

aime-moi donc au-delà de ma chair

de mon esprit

de mon existence

 

comme je t´aime

toi mystère et extase sans nom

fondre en toi

comme la mort dans l´Absolu

à travers toi je me nomme

me cueille

me recueille

enfin pour la fête de l´existence

 

VI

 

Quand la solitude

comme la vieille Camarde

en habit d´absence

fouille les tripes des sentiments

et expose les viscères meurtries

hurlant l´irréversible temps écoulé

et que la main décharnée

imite la caverne ancestrale

à la recherche d´un plaisir qui grince des dents

et que les éjaculations

successives éjaculades éjaculées

s´avèrent incapables de drainer le désespoir

alors

 

Car toute chair mène à l´esprit

et on nous a menti

je vais donc hurler mon poème

de fureur et d´urgence

sans fausse pudeur

aux quatre coins de ta chair

et racheter ton plaisir oublié

naturel

ton plaisir bâti de muscles et de sang

et comme un dieu affranchi de son mythe

un dieu vorace et impatient

foncer la fureur d´être dans ton corps

pour distiller le clair de lune de ta pensée

allons donc

crie mon nom

de sable qui blesse

mirage de la langue qui caresse

et je deviendrai ton silence

soumis comme Dieu à l´Absolu

 

comme l´arrogance à l´humilité

comme la raison à la foi

et je me tapirai comme un animal docile

et je serai ton maître esclave

j´aurai déjà chassé l´autre

le prude pédant prudent

pour n´être en toi qu´extrême

ou néant

 

VII

 

Quand l´illusion

blême sous le fard

fellinienne quittant alhambras et taj mahals

pour les bistrots mal famés

offre sa fente pissée

en échange d´un petit verre d´espoir

et que le bitard fantasme sa proie

pris soudain de velléité de chevalier errant

et gaillard se lance à sa conquête

avant de cracher son excédent blanchâtre

et plonger dans le gouffre de la solitude

alors

 

Ma liberté commence par Non

tends-moi la main

je suis membre feu et matrice eau

chair en état de grâce

pour t´anéantir

me dissoudre

jouir

et mourir en toi

buvant avec ivresse le Mot

te tien devenu mien

le mien devenu tien

Mot sacré qui deviendra

la parole du Silence

sonnant le gond de l´extase

remplissant de nos excédents

la grandeur qui se vide

amour d´un autre âge

les grands ne sont pas sages

je bondis d´abîme en cime

 

 

pour te reconnaître

et sentir la vie enceinte de mon plaisir

et la penser en évènement

et sombrer en toi

dans la légèreté de la densité

embrasse-moi

la vie ne me suffit plus

elle est bien trop petite

intense je deviens légende

 

 

Décembre 2001/Juin 2005

 

 

 

La grâce d´antan

Ah ! Que le temps vienne

Où les cœurs s´éprennent.

Rimbaud (in Chanson de la plus haute tour)

Entre l´absurde et le néant

prouesse

retrouver l´élan

la foi du début

et la grâce d´antan

vider le sourire de son ironie blasée

accorder la lenteur au regard

se revoir le cœur en liesse

retrouver les mots de l´enfance

parmi la cupidité adulte

ravauder la prière déchirée

et le rêve mal cousu

renoncer au bruit

à la vitesse

et plonger dans l´espérance muette

du vol interne

initial

soif profonde du retour

 

contempler la vastitude intime

les portes du destin ont été longtemps ouvertes

grand temps de se recueillir

oh que me viennent

la foi du début

et la grâce d´antan

et voguer voyageur

sans rage ni excès

sans urgence

quêtant la marée de l´âme

enceinte d´éternité

mot français du printemps

enfin sans hâte

signé par la mémoire de ce thé vert

mémoire qui me nomme homme

embaumant la contemplation du jardin de sable

au bout de la quête

humble tel celui qui sait

et passe le vent

et passe la grêle

 

et gire la Terre

quand l´harmonie se pare de silence

être peut-être ce pas-être

non-être qui conquiert son être

d´immensité blanche

d´absence pleine

oh que me viennent

la foi du début

et la grâce d´antan

il n´y a plus de larves autour de moi

suçant mon énergie

et si Dieu me déserte

mon hurlement retentit dans son vide

sauvage je me lave dans les eaux de la Poésie

qui m´oint d´Absolu

libre dans la mesure où je crée

glissant sur les pentes de la réflexion

avalant ce silence qui ne piétine plus

silence des astres

ne brillant qu´à l´ombre

de la pensée

 

pliée

qui se déploie

vaste comme la faim

d´un univers sans fin

où la loi supérieure est naturelle

comme la vie

et accepter que les autres

ne puissent comprendre et s´ouvrir

à l´infini infime

où s´abreuve l´âme

eau des vastitudes au coin des lèvres

mystérieux sourire de la perception

sourire à l´instant qui se tisse

lentement

en songe pérenne

oh que me viennent

la foi du début

et la grâce d´antan

oui retrouver cette grâce primitive

ancestrale

 

de blé et de sueur

de riz et de reconnaissance

du beau intègre

de la ferveur

du contact permanent

au cœur des Eléments

et cet orgueil fidèle

au souffle de la terre

balayant le superflu

ô grâce de jadis

de noblesse et de pain

d´eau et de rigueur

de hauteur et de passion

je nordis mes élans

loin de ce faux bourdonnement

de vivre

mal

de vivre

de démence en démence

pour en oublier le mensonge

pour se sentir vivant

 

le mal d´aimer

l´impossible

pour se sentir humain

naïvement supérieur

et la cohue des illusions mortes

traînant la patte lourde du passé

bouchant l´entrée

de ses haillons de  désir

oh que de fleurs inconnues

à présent envolées

sur les routes célestes

sans retour

sans la gloire d´être nées

et la lassitude égouttant ses joies surannées

à l´affût d´une nouvelle illusion

espoir d´automne

emporté par des chuchotements

qui n´ont plus de secret

où puis-je rencontrer quelqu´un

qui puisse me battre en amour

 

ah l´absence de sacré

est pire que la mort de Dieu

hélas je n´ai plus de mystère

ô que me viennent

la foi du début

et la grâce d´antan

 

 

Octobre 2001/Novembre 2004

 

 

A l´ombre du Silence

Un pagne, une gourde

                                                        Comblent mon corps.

                                                        Le vent compte mes heures.

                                                        Toukârâm (in Psaumes du pèlerin)

 

 

Chair du Silence

que tu possèdes

quand le clair de lune

bruit dans ton corps

 

*

 

Le Hasard est irrésistible

nul ne le possède

le Poète couche avec lui

sans le dévoiler

 

*

 

Tu couches toujours avec

la Liberté

à coups de pertes

 

*

 

Tu te mires

dans la goutte de pluie

qui voyage

de la feuille au sol

 

*

 

Le Poète est cerclé d´aveugles

Soleil

Aide-les

 

*

 

Quand l`ascète

fait l´amour

la terre tremble

 

*

 

Poète

arrivée et départ

accordez-lui un regard

 

*

 

 

Entre pierre et mousse

l´eau du Silence

engendre l´âme

 

*

 

Si l´Homme

était poète

le Poète n´existerait pas

 

*

 

L´âme jouit

lorsque la chair

se réjouit

 

*

 

La pensée tarit

quand elle ne prend pas

le détour de la source

du cœur

 

*

 

 

L´Art est un reflet

de l´Absolu

qui éblouit

 

*

 

La raison

poussée au bout

rejoint le cœur

 

*

 

L´éternité serait insupportable

sans la conscience

de la mort

 

*

 

Dieu est un songe

la Poésie remplace son

vertige

 

*

 

 

Clair

est le retour

comme le Néant

 

*

 

La volupté d´être soi-même

se nomme

Liberté

 

*

 

La joie féroce de vivre

fait bander ton esprit

 

*

 

L´éternel retour

l´Eau

 

*

 

 

Tu oscilles

entre le désir d´un dieu

et la nausée de l´Homme

 

*

 

Ile d´Ethique

maigre chair de tes baisers

ton sang avide d´amour

distille l´océan

 

*

 

Le Temps hurle

dans le gîte de l´existence

l´âme y cherche

le nid du Silence

 

*

 

L´ange manqué

a toujours rendez-vous

avec ses ailes

 

*

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Le désir rêve

sur la corde raide

entre deux seins

tel un funambule

 

*

 

Les grands cœurs

comme l´Art

ne tiennent pas dans la boîte de la raison

 

*

 

Le mutisme de Dieu

rend la prière

orpheline

 

*

 

Fils du Rêve

l´Univers t´accouche sans te nommer

on t´appelle Poésie

 

*

 

 

Le Temps s´en souvient

tousse sous la brume

frissonne

le Mot revient

 

*

 

Les sentiments contradictoires

font jaillir l´étincelle

qui enflamme ton vers

 

*

 

Le cœur des fous

est trop sage

pour se nourrir de raison

 

*

 

Les grandes âmes se foutent

des canons et des canons

elles sont en soi Révolution

 

*

 

 

Le bâillon

rend puissant

sans permission

 

*

 

Mondialisation

ses menottes emprisonnent

l´universalité

 

*

 

Désir

foi

partir

loi

 

*

 

Un être est né

écoutez le sourire du Silence

il en est comblé

 

*

 

 

Grâce au

NON

tu as conquis ton

NOM

 

*

 

Tu as la peau tannée

par les frontières

et l´âme enceinte

de l´Univers

 

*

 

L´oiseau coud son nid

la cruche cherche l´eau

le sentier ne connaît guère l´ennui

 

*

 

Indolente

la Mémoire se farde d´oubli

pour tromper le Temps

 

*

 

 

L´Incommunicabilité

t´épargne

tu dialogues

avec le Silence

 

*

 

L´exil te file

d´acier et de soie

le cœur sans ville

 

*

 

Laissez-lui le mythe

ce n´est qu´un homme

ça le rassure

 

*

 

L´amour

te joue des tours

mais il revient toujours

 

*

 

 

Ecoute ce regard

il cherche ton âme

dans les sillons du Silence

 

*

 

Ils ont cinquante ans

le sourire le regard des adolescents

ils ont déchaussé l´âge

l´Amour les a surpris

 

*

 

L´onde caresse le gland du Soleil

les vertiges se condensent

le Silence bande

le Verbe éjacule

 

*

 

A rebours

à l´envers

nuit et jour

ne jamais se taire

 

*

 

 

La mondialisation

ouvre les frontières

pour vous mettre en prison

 

*

 

Seul

dans son île éthique

le Poète se pardonne

 

*

 

Brûlez les bornes

la finitude vous rend libres

 

*

 

Ne ressemblant à rien

tu ressembles à l´essence

du Tout

 

*

 

 

Elle cueille tes visions

et assise sur le Silence

en fait des tapisseries

avec des fils de lune

 

*

 

Laver les passions

et attendre le beau temps

du Silence

pour les faire sécher

 

*

 

Dans les jardins de ton père

les lilas lascifs et pieux

sombrent dans ta chair

pour oublier l´amour d´un dieu

 

*

 

Poète

prête-lui ton clair de lune

pour écrire le Silence

sur la dune

 

*

 

 

Sur le pont d´Avignon

vitesse et fragmentation

bordel de la civilisation

dansent en rond

 

*

 

L´omission

ferme les yeux

et encaisse son pognon

 

*

 

Le courage

oser vivre l´extrême

du soi-même

 

*

 

L´ombre du Silence

dorlote les élans

en aiguisant leurs antennes

 

*

 

 

Tel un jeune dieu

libre à en mourir

le Poète recommence

 

*

 

Immense tendresse

éjaculée à tort et à travers

sperme en détresse

l´amour à l´envers

 

*

 

Quand les cils du papillon

chatouillent le clitoris de l´âme

les couleurs frissonnent

et le Silence ondoie

 

*

 

Tu surmontes l´exil

clopin-clopant

avec les béquilles du songe

 

*

 

 

Tu écris comme tu éjacules

sans loi ni raison

tu en fais une foi

avec passion

 

*

 

Tu es l´Univers

cherchant le revers

ontologique du Vers

 

*

 

Bambou

filtre la clarté doucement

elle a deux trous rouges au côté gauche

l´Identité

 

*

 

Le Poète n´existe plus

la Poésie prend la relève

 

*

 

 

Homme

vide provisoire dans l´espace

où en es-tu

 

*

 

La brindille

suspendue au bec

berce le Silence

 

*

 

La vie est une sculpture

de Silence

où tu éjacules du sang

 

*

 

Entre le cynisme du mensonge

et la vanité de la vérité

tu choisis le Silence

 

*

 

 

Jusqu´au bout du Temps

le Verbe se nommera

Croire

L´Homme

Dire

 

*

 

Tu t´égouttes

par les trous du Silence

creusés par le bruit des autres

 

*

 

Les images sales

blessent

le Verbe

 

*

 

Se taire

nu

devant le Silence

 

*

 

Décembre 2000/Novembre 2004

 

Tanjah 79 retour

                                                                  Rien n´est aussi long

                                                                  que la traversée des sources

                                                                 Jean-Louis Bernard

                                                                  (in Grimoire des effacements)

 

I

 

la partance des mots amène la décadence oui revenir goût de semence rue Murillo maintenant c´est un autre nom première femme pauvre putain espagnole bon marché qui disait aimer les bonbons remonter la rue d´Italie et lâcher une larme nostalgique pour le Marshan

 

BBA le silence des lenteurs s´évapore se condense devient rosée qui s´égoutte sur le sentier du retour MA des chevaux rouges sortant des Grottes d´Hercule galopent sur l´écume de la Méditerranée UMM

 

ZAKIL latence qui explose brutale sensation de te savoir cet instant de plaisir ce cylindre bourru baroque indomptable animal qui veut encore et encore et qui tient la mort à distance cette chair tendue dans ta main vers les hauts innommables et qui te grise de fierté virile toi enfant qui se réveille dans les trous épineux de la solitude ESKUZ

 

les lunettes dissimulent l´émotion c´était rue de la Falaise qui menait en cachette aux escarpes de Zola et Maupassant rue de la Marine ouvrait tes narines antique frisson qu´emporte le vent rue du Détroit les enfants jouent toujours dans la rue et mystérieusement sans logique ni explication tout le long du voyage ces étranges mots étrangers venus de loin s´élèvent VIOT FLIN DAST

 

II

 

rendez-vous avec le cœur dans la poche arrière du jeans avoir dix-huit ans l´espoir en bandoulière vieux films de James Dean essayer de comprendre si le goût est toujours le même vingt ans après

 

BBA et glisser dans l´ombre comme une miette de silence cherchant le tout quand le mot n´est que souffle presque prière ARD des rouges apocalyptiques enflamment les remparts et la fureur des vagues roule des corps en extase UMM

 

ZAKIL la pensée revient sans cesse à ta chair cette chair en main comme seule réalité aussi vraie que la mort ce bout de chair dans la paume de ta main que tu caresses parcourant le chemin qui mène de la nonchalance à la violence pour clore la constatation en un souffle de doux mourir ESKUZ

 

quand un vieil homme vous salue cordialement en arabe quartier du Marshan près d´une petite fontaine ou quand tu revois le lycée Henri Regnault dont le phantasme te hanta douloureusement pendant des années et revenir tout bas vers les mots simples et profonds qui ramènent Tagore Tanger Tarkovski et balbutier ces mots mystérieux qui se disent loques d´antique sonorité DASNIET ZABRIK TIASS

 

III

 

ton hôtel roule le monde ouvrir le balcon et avaler mer plage port casbah tout blanc tout bleu tambour du souvenir et s´asseoir sur le lit et sangloter comme un gosse l´angoisse du non-retour

 

BBA le silence embaumé sent les siècles et pénètre les os en leur racontant leur légende REH les remparts fument la grande porte s´ouvre et la pensée s´évade enlevée par son guerrier le souvenir UMM

 

ZAKIL ta chair qui coule gronde hurle sa gloire de devenir chair de mâle adulte et tu lui donnes le plaisir dû à cette chair qui se concentre en ce pays sans frontières de ta main quand l´isolement propice se fait gras de désirs inassouvis et de liberté sauvage ESKUZ

 

au clair de la lune mon ami Pierrot dans les jardins de mon père les lilas sont fleuris sur le pont d´Avignon on y danse on y danse tu étais petit et limpide l´écran de ton front t´offrait l´univers mais aride est le dehors ne te laissant que la mémoire fatiguée de l´Homme les mots s´effacent et la civilisation recule et ton cœur  sans héritier entend ces mots que tu ne comprends pas NIT PLUSHKO NIT DANSKAYA ELDOS VRITAS KSYLIOS

 

IV

 

pourquoi cette obsession pourquoi cette fuite à la recherche du temps perdu pourquoi dénicher avec acharnement ce qui a déjà été violé par l`âge oh la roue tourne sans cesse et les saisons ne se comptent plus et la vitesse s´affiche avec l´inidentité  et une toile d´araignée voile le soupirail de la cave aux souvenirs

 

BBA un chant antique berce le silence pour lui rappeler son identité en rehaussant les cris de l´amour EAFYA et la panoplie traverse la nef et les mains jointes imitent les ogives suspendues par des fils de silence UMM

 

ZAKIL non tu ne sais pas encore et pourtant déjà tu devines qu´il n´y a que sexe et mort et tu te livres à cœur ouvert à corps perdu à cette chair qui brûle du sens sauvage d´être et il y a déjà les mots enivrante abstraction qui sent ce sexe et cette mort à rebours chaque fois que gicle la vie ESKUZ

 

et parfois tu songes à cet enfant à ce fils quelque part en France et que tu ne connaîtras jamais et tu ignores le sens de ces mots qui abandonnent le chemin connu tu es désormais une île de références perdues et tu ne peux communiquer NADOT DONAT PIATROS EVDO TAARS DIVAD

 

V

 

ton regard se perd ni l´Espagne ni la France ni le Brésil tu fixes l´instant de l´opuntia dans son rêve toscan point de repère visuel et tu songes au soupir dérobé par le départ proche quand reverras-tu Tanger  peut-être t´enfouir dans une nouvelle peau

 

BBA les puits de l´enfance ne contiennent désormais que du sable le silence les ayant vidés de leurs douleurs SHTA la pierre impériale contemple l´aumône de celui dont le geste rend l´action à la prière UMM

 

ZAKIL douloureuse solitude effroyable solitude d´être toi-même entier toi à peine sorti de l´enfance et déjà plongé dans cette chair qui ne t´offre que la tienne cette chair charnue grasse grappue qui mugit dans ton corps maigre et que tu fais couler cette chair si proche si lointaine vastes rêves dense terre ESKUZ

 

et te clore à toutes les frontières en un élan gothique qui peut-être te nie oh par la joie sacrée du Soleil tu aimes l´univers même si l´intelligence comblée a pris le doute pour mari et l´insatisfaction pour amant même si aimer au-delà de tout espoir dans la douleur de la négation ne produit que des mots des mots qui salissent le silence  même si tu ne déchiffres pas ces mots DANKEVIK JOHAS PLANTELL NAHUM SATTIOS

 

VI

 

vert est ce bon thé marocain vert comme la menthe et la vieille table ronde de tes cousins autour de laquelle tournent les vieilles histoires de la Guerre Civile l´unicité déchirée s´effilochant par les canaux de l´errance

 

BBA et le silence lui-même découvre des fragments vétustes de sous-silence d´un grand silence antérieur où les cathédrales étaient construites au fond de l´océan silence des mémoires initiales TELJ et les muscles affranchis se mêlent aux nuages sous les couleurs magiques de l´ ascension UMM

 

ZAKIL chair que tu jouis goûtes et égouttes caché sur un arbre ou dans une citerne vide ou dans le W.-C. d´une usine abandonnée où l´isolement respire sexe sans bornes ou derrière les rochers de cette plage déserte où les vagues vont et viennent comme les mouettes comme ta main écartant entre deux coulées l´atroce solitude la chienne solitude de ne pas te sentir aimé de ne pas être comme les autres ESKUZ

 

haine et passion ibériques dans ce petit salon d´avril comme si tu eusses tout vécu comme si la mitraille eût troué tes entrailles mais même si la douleur se souvient de l´inexistant que dire alors de l´héritage du sang oh connaître la Pasionaria ou ne plus pouvoir connaître Rosa Luxemburg ni Olga Benario et demeurer circoncentriquement Mai 68 dans la hautaine magnificence de sa jeunesse  et ces mots défient la raison TRANTIOS NIT LIMS FYLIS

 

VII

 

quelques vieux amis  de ton père quelques soirées et faire inopinément des découvertes une femme qui a certainement aimé ton père chose banale et cependant si étrange pour toi souvenance d´une aile qui n´a pas encore quitté son nid

 

BBA et déferlent sur les plages assoupies des mémoires en loques où des pagodes de silence les ramassent et une houle de solitude se déplace tout le long des remparts de la nuit EUD du désert surgit cette femme rouge flamme bleue nom incolore âme suspendue au gré de l´exil implorant la pierre ou le bois du temple UMM

 

ZAKIL les yeux cernés d´amour non vécu d´amour adolescent d´amour solitaire de forçat rageur d´amour infini coulant sans cesse entre tes mains au creux des rendez-vous buissonniers ou sablonneux où les cinq doigts s´en donnent à cœur joie au rythme des vagues qui vont et qui viennent des goélands qui vont et qui viennent rythme ancestral des siècles endormis ESKUZ

 

oui ce père anarchiste austère et machiniste et si lointain si inaccessible qui a peut-être lui aussi aimé cette femme puis doucement  un sourire candide  effleure tes lèvres en y pensant le tiroir de l´amour se vide celui de la mémoire se remplit et les mots du songe rêvent aux possibilités du si et aux possibilités de ces mots qui déraillent OINLES NAQ VRIMPHOS OINLES NIT

 

VIII

 

il t´a fallu mâcher les orties de la désespérance pour en extraire la lueur des mots les voiles sont tombés et Mitra connaît à présent la saveur des visages frais la beauté éthique en soi demeure les moineaux piaillent rue de Fès vers le crépuscule avant de rentrer dans leur nid et quelques gouttes de consommation sautillent pittoresquement de temps en temps comme des consonnes frites

 

BBA le souvenir creuse la mémoire à la recherche incertaine d´une source peut-être tarie et tu reviens à l´aube cette aube qui se veut silence SHEMSH la pureté arrache son péplum et monte les marches de son apostolat poésie ou Bouddha UMM

 

ZAKIL chair eau chair n´est-elle pas l´opposé de la misère l´égalité naturelle et c´est cette chair que tu veux tellement partager avec une autre chair c´est cette chair qui reflète la profondeur des abysses où loge ton âme orpheline de chair de mystère ESKUZ

 

et l´espace te rend les senteurs épicées qui grisaient ton enfance peux-tu être ce que tu n´es plus Café de Paris place de France un thé à la menthe et une cigarette brésilienne et ces mots qui quittent l´ornière TAK POT YIHOM SLAVERT HAJAT

 

IX

 

tu traînes ton étiquette d´étranger dans tes propres pays car tu ne peux en faire partie intégralement d´un seul et tu suis la trace de pierre et poussière dans l´éternel pèlerinage du chat qui retourne et les Parques laissent leurs décisions au sablier et jouent aux cartes en buvant de la cachaça

 

BBA la douleur des frontières n´existe plus le  silence l´efface et apaise la révolte des mauvais souvenirs de son baume automnal GEMRA et les visages aimés s´allongent modiglianiment se mirent s´oublient dans le miroir mélancolique de la spiritualité dont les yeux fixent un au-delà humain UMM

 

ZAKIL soif de chair ton inconcevable soif de transformer toute pensée en chair de transformer le non vécu en existence pleine de transformer l´univers senti en matière pensée en matière vive métamorphoser l´inanimé en sang et prière chair transmise par l´aube de la Terre ESKUZ

 

ainsi les reflets se cachent comme si tu étais trop beau ou trop laid pour être défini oui on n´oublie pas le premier amour ni une ville qui s´accroche à la peau tique temps tac et qui ne t´appartient plus comme ces mots SOILAM CZINSKIAT LAHAM VRAZ

 

X

 

dattes harira chuparkia figues de Barbarie amandes raisins secs couscous bonjour salive le goût te ramène à l´esprit pur Proust en est témoin et ton corps s´avère la communion ancestrale de la terre

 

BBA les absences dessinent des vols circulaires avant de plonger à pic dans les gouffres du silence que l´onde de la brume humecte et épaissit HOBZ et Zeus soulève le voile pudique et contemple le désir d´antan et sa virilité se hérisse  UMM

 

ZAKIL et puis ô chair c´est l´atroce solitude depuis l´enfance la solitude des bouts impensables des insupportables bas quotidiens des buts inaccessibles ou brisés et le gouffre entre chair et mots rempli d´eau car la pensée est encore trop jeune pour devenir matière ESKUZ

 

des violettes souterraines quittant l´âme du phallus de saint Genet s´évadent de son tombeau tangérois traversent l´arôme de la menthe tourbillonnent et s´envolent vers un soleil inouï oh pourquoi aller si loin pourquoi tellement penser pourquoi une si persistante attente s´il suffit d´accepter la musique de la pluie ou les paroles de la mer quand l´ombre asperge la poussière du jour ou que ces sons au-delà de leur sens se donnent la main sur les sentiers du crépuscule PLISHKE PLISHKYA PLISHKYET CHTOZ LLIR LANSKA

 

XI

 

triste chambre d´hôtel après la poursuite d´un air ou de plusieurs visages dans cette cité bâtie à coups d´inidentité et qui t´ignore toi son fils quelques cartes postales Tanger Tangeri Tangier Tanjah avril 79 consolent les paroles que tu aurais pu dire et que des amis lointains essayeront peut-être de sentir

 

BBA les désirs se confondent avec les rites ou les mythes et perdent leur contour tellurien devant le rythme du silence NHAR sous un ciel orageux du Nord ce Nord que tu portes presque inexplicablement en toi sous un ciel orageux les corbeaux survolent le roux médiéval qui précipite les horreurs de l´Homme dans les fentes béantes du silence UMM

 

ZAKIL chair aussi claire que l´eau aussi dense que la terre aussi mystérieuse qu´une genèse d´étoile aussi déchaînée et sauvage que l´ouragan  et l´étourdissement d´être le maître absolu de ce plaisir solitaire sans égal aussi enivrant que celui d´écrire et pourtant pourquoi pourquoi après le saut c´est toujours l´exil à mi-chemin entre mots et chair ESKUZ

 

et de l´autre côté de l´Atlantique une autre racine te cligne de l´œil te rappelant la couleur du présent ta femme tes enfants et ta nouvelle langue qui pourtant ne peuvent te soustraire à ta non identité ou à l´identité du no-land-man ni à ces mots bizarres TRAMS RETT YAAK

 

XII

 

et tu murmures comme si elle était présente femme si tu savais cette avalanche d´enfance et d´adolescence qui me monte à la gorge qui me plonge dans le temps écoulé qui me submerge je voudrais poser ma tête sur tes seins et pleurer le chagrin d´une ville retrouvée et perdue femme tu n´as jamais connu le cri de l´exil ni le grondement de la faim sois donc indulgente mais cette femme à toi est si loin si loin de l´autre côté de l´Atlantique

 

BBA l´eau emporte le nom de l´âme qui se laisse aller vagabonde et insouciante au cœur de l´univers LIL et les allégories des mers du Sud mêlent yeux bridés et liberté sous un firmament où Gauguin trempe son pinceau UMM

 

ZAKIL chair que de frissons médiévaux retournant les tripes montent au cerveau pour lui donner la chair de poule alors que Dame M ou Chevalier O étale ses fastes renaissants ses fastes interdits de rouge et de bronze de muscles tendus et de glissances sous la clarté printanière de l´initiation ESKUZ

 

tes larmes ne sont certainement pas frivoles oh une liberté absolue et une chaîne en même temps une langue au goût de sang et d´Histoire du commencement à la fin n´être qu´un seul être où tu puisses te lâcher immense et sans divisions oblation et enfin comprendre ces mots énigmatiques LLIOM HILTOS LLIOM

 

XIII

 

en quête d´un tiède arôme de bouffe tu as rencontré ta vieille fontaine oh quand tu étais petit pauvre maison sans robinet tu y allais chercher l´eau pour ta mère souvenance non-stop tristesse oh mère quel fardeau à perpétuité la pauvreté

 

BBA la patience de la quenouille drapée de safran file le coton des instants qui tisseront des pans de temps pour vêtir le silence WOQT et le blé vient de la mer et les remparts ouvrent leur porte et trois enfants sauvés attendent et le naufrage n´aura pas lieu on l´appelait Nicolas si loin maintenant de Bouddha UMM

 

ZAKIL le jus de la terre te pénètre traînant ses siècles de hantise stupeur émerveillement passion et douleur ce flux qui monte en toi du fond des abîmes du temps cette essence des âges perdus de l´Homme pour déferler sur tes lèvres et s´engouffrer dans le vide d´une convulsion liquide avant d´exhaler le soupir du regorgement ESKUZ

 

et tu as étanché ta soif tangéroise de paysan sans pays et les privilèges de la liberté s´avèrent inutiles devant l´angoisse de n´appartenir à rien oh que de vols en friche ont déçu ton lot de rêves que d´amours déglutis avant d´être vécus pourquoi ce retour pourquoi la senteur de l´enfance s´agrippe-t-elle à la mémoire comme une tique à la chair pourquoi reviennent-elles ces articulations ATQUIS MALY VANIS ZLAT AQ EYHIM

 

XIV

 

comprendre la forme mais sentir le contenu jusqu´où ira-t-elle ta jeunesse sans racines si l´horizon dépasse la vieillesse tu as cherché le jasmin à minuit rue Ferdinand de Portugal mais il s´était déjà envolé vers la montagne de l´oubli et une larme nocturne tu as repris

 

BBA certes les visages n´ont plus la couleur d´antan quand cœur et esprit se drapent de la soie du silence et ces oiseaux migrateurs que girent les saisons et qui planent majestueusement dont l´aile frôle l´écume des souvenirs épars sur les champs de l´azur sont peut-être le frisson de la mort que le silence pressent en transformant les élans en marbre JBEL et un ballet en habit gris dépouille le rêve et en fait des cubes UMM

 

ZAKIL firmaments solitaires des dieux sans repère des dieux exilés où débouche cette soif de chair que ta main trompe sous les mirages de la pensée et qui quitte le bas pour rejoindre le vol mythique de ces cygnes en flammes inflammation spontanée qui décollent vers les cieux de la solitude au-dessus des océans oubliés ESKUZ

 

et tu te replies humble cherchant la rédemption de la poésie de ne plus rien vouloir de ne désirer que le silence verre silence du début vert comme le vol lointain des sternes vers des hirondelles du glauque et oublier ces mots au-delà de la compréhension TOT NOUIK TOT PLUÇOSS MLINT

 

XV

 

le sens de l´éternité humecte naïvement la peau lézardée de l´âme mais le fondak Chijra est toujours là ainsi que la rue de la Tannerie ainsi que l´Emsallah de ton enfance et tu les as cherchés avec vénération comme un Bouarakia sondant le silence de la sagesse

 

BBA l´invisible l´indicible l´inaudible deviennent visible dicible audible dans les profondeurs du silence et ainsi tous les voyages toutes les fuites tous les exils toutes les attentes toutes les passions aboutissent à la mer du silence FSUL et la mort chevauche son coursier à travers les champs brûlés et la foi en friche où des pendus balancent une rêverie vétuste de vie où des chiens dévorent des cadavres où les arbres sonnent le glas UMM

 

ZAKIL eau-d´envie cette chair qui retourne une terre vierge sauvage avec l´ardeur de la découverte chair de soleil et de lune qui coule entre les muscles des eaux sacrées du cycle eaux vibrantes qui caressent ton corps assoiffé de tempêtes dans les piscines des rêveries ESKUZ

 

tombes romaines ou phéniciennes l´Histoire ment la légende confirme et le sol raconte une autre vérité voilée qui ressemble au songe de ces mots qui rêvent de communiquer de transmettre de communier LANSKA TAARS LANSKA KSYLIOS EVDO NAHUR TAARS

 

XVI

mais qui t´aimera quand ta chair sera devenue nuage qui donc oui découvrir soudain que tu as vécu une vie qui ignorait le sens Orient Proche et Extrême et tu as tout à coup voulu descendre palper un pays boire une culture et embrasser l´Islam

 

BBA  le fleuve chavire les légendes que le poète parfois pêche en son insomnie pour les réveiller de leur sommeil séculaire au fond du lit du temps KELMA et le jour s´écroule tu ramasses ses vestiges pour recomposer son essence lentement un sens peut-être sur les bancs à l´ombre du silence UMM

 

ZAKIL sous le toucher les viscères se hérissent comme des queues de chats en colère quand elles devinent le recueillement du site solitaire qui ouvrira l´écluse des sens épanchement des eaux turbulentes d´où s´envolent des grues montées sur des castagnettes qu´elles font claquer de leurs pattes  au rythme de l´écoulement tandis qu´elles foncent vers l´azur impeccable l´azur acier de la solitude ESKUZ

 

et dissiper les frontières et t´élever au-delà de la pensée pour te défaire en silence toi pupille de la Poésie rejeton du bruit et de la fureur enfin creusant le secret de la terre nu comme la pierre prière vaste et frêle comme le temps inexistant temps père espace père silence du sablier repère et la vitesse te fige tandis que sonnent ces paroles RVAT LLEURS RVAT VASTOSS LANSKA NIHYLOS

 

XVII

 

place de France James Joyce e Angel Vázquez prennent un café crème tandis que Juanita Narboni traînant sa chienne de vie et Marion Bloom liées par Gibraltar où ta mère se réfugia descendent la rue de la Plage bras dessus bras dessous se racontant leur solitude avant de manger des churros  avenue d´Espagne après s´être gavées de gâteaux chez Porte

 

BBA diaphane avant-midi dans un square rêvant des grasses après-midi farcies d´amours clandestines sur un lit d´osier orné de strelitzias bercées par Billie Holiday KTAB et les sylphides dépaysées brodent des songes borgnes avec des aiguilles sèches de sapin UMM

 

ZAKIL chair longue montée des effluves du nife vers la chair réveillée par le flair d´exister lente montée de la lave vers le cycle séculaire d´être en ce flux reflux d´être le non-être qu´une main nomme et éclaire secouant la houle des sens avant qu´ils ne déferlent sur le sable des plages en blanc de l´amour ESKUZ

 

à rebours de la fureur de vivre les bougainvillées retiennent la célérité par ses jupons et finissent par l´étendre sur le gazon frais du silence où elle s´assoupit et tu souris au sirocco qui éparpille pervenches et potentilles d´un autre pays et puis souffler presque inconsciemment GAUTEK OFLIAM ZILL NAYROS

 

XVIII

 

angoisse ta vieille demeure s´est envolée un immeuble la remplace dans ce terrain vague une fois après l´école tu as fait caca maintenant on y vend de l´essence et dans ce rêve tu revois cette taverne où le vin de ton père s´appelait un demi-litre tu l´as cherchée mais tu n´as trouvé qu´une maison aux fenêtres closes

 

BBA un blanc du Nord blanc de neige s´affaisse sur les toits les arbres grelottent la pensée s´adonne aux corbeaux vision médiévale qui te hante Bruegel l´Ancien Bruegel le Jeune ou les frontières neigeuses d´Angelopoulos MA mais au loin les tours brûlent la terre se dessèche et l´aigle en fuite accroche son vol au sens tragique de l´oubli UMM

 

ZAKIL et c´est l´énergie de cette chair sacrée sagesse ancestrale qui explose en rolliers émeraudes et œillets  propulsion olympique qui te pousse sauvage lyrique vorace vers les mots-pierre les mots-aigle ou tigre vers les mots-fleur sur ces rivages d´extase de sang et lumière où se pose mystérieusement le vol des épis mûrs ESKUZ

 

et le stylet de la nostalgie déchire l´image qui s´évanouit qui es-tu qui es-tu te demandes-tu en ce siècle d´excès et de déchets qui avorte ta passion pauvre siècle paré d´or virtuel et maquillé de médiocrité  tu es peut-être saudade en portugais ou dor en roumain ou metoikos en grec  ou l´identité du silence et ces mots vont clore ton voyage EVDO TAARS NAM

 

 

 

Avril 1979/Juillet 2005

 

La ballade de David Haize

J´ai cru connaître l´être autant que le non-être

J´ai cru percer à jour le haut comme le bas

Mais je ne connais rien si je ne puis connaître

L´au-delà de l´ivresse en l´au-delà de moi.

Omar Khayyâm (in Rubâ´iyât)

 

Toi David Haize

lycanthrope des versants voraces de la faim de vivre

tu n´es qu´un appel sans réponse

et tu files ton exil dans un train

et d´attendre ton cœur se cimente

faute de ne pas avoir tout bu

de ne pas avoir pu tout boire

toujours à ta recherche dans un train

l´identité en haillons

juif en autocar

chrétien en auto

musulman en avion

bouddhiste en bateau

homme en partance

et tu meurs sans Dieu

encombré de débris

las

tu as ramassé les étoiles à la pelle

espérances déchues

et de soif inassouvie

tu te tapes une solitaire

entre les interstices de la solitude

mais dans ton attente

tu entends encore la feuille frémir

quand le cœur sursaute

lors des randonnées imprévues

où les harmattans de jeunesse

brûlent ton corps insoumis

certes parfois tu te tais

regard blanc suspendu entre deux cheminées

pensée au vent

serein soudain

presque vrai tangible réel vieux

et tu gagnes le large du silence

coquelicots blessés

jouissance du retour

momentanément car

le goût aigre de la nausée

guillotine les asphodèles

et tu vois des cris

percer le limon du mystère

où nul ne se nomme

où nul ne nomme

le fond insondable du repère

car venir et aller se donnent la main

et tournent en rond

sans découvrir le sentier

sans atteindre le but

et tu murmures

il n´y a rien

à part le long chemin

le train express de la mort

drôle de voyage

jonché de mirages

jalonné des bonds du cœur

et des bornes de la solitude

tout le long des allées

bordées d´anges en fer

et de cyprès songeurs

sur la voie de la dernière demeure

livide froid étendu

sous le crachin de l´habitude

jouis donc maintenant mon pot

carpe diem

puisque le vol est court

et que l´aile qui ose

se blesse sous les balles d´autrui

ah sombre lueur des souterrains

où la liberté grince les dents

et égorge le mot dans sa propre cage

ombre lumineuse

de celui qui ne craint plus rien

lorsque la gueule de la mort célèbre le mariage

d´être et d´étant

fulgurante union de ser et estar

fastes des noces où la gloire c´est d´

être ce que l´on est ce qu´on se veut

ivresse de demeurer uniquement l´intégrité

oui David Haize

ce que tu es

un tu incertain bousculant un train

jusqu´aux confins de glace et d´acier

jusqu´à la correspondance du sang et de l´esprit

correspondances manquées

dont les transferts nocturnes s´engouffrent dans les tunnels de l´oubli

un écrivain

un écrivain de l´âme aux couilles

guindaille au cœur

amour qui s´écoule

pratiquant la latrie des Eléments

dans tes viscères

corps en état de suprême unicité

bannie la dichotomie

invoquant les succubes de l´écriture

pour avaler l´existence

fier danse feu

passionné

maître

dieu

par la grâce de ta volonté

supérieur par la conscience

affirmer ce que tu es

volonté qui se fait acte

grâce qui devient verbe

verbe qui épouse l´action de vivre

et tu dégustes les muscles de l´âme

et ainsi copules avec la chair du mot

sur la peau soyeuse du songe

songe de verdeur et de brume

lilial

comme au début

où les épanchements s´habillent de brouillard

et glissent doucement à l´heure incertaine

entre les pans brumeux des paysages assoupis

où les corbeaux dessinent leurs grises langueurs

et que le frisson du sol se faufile

entre mousse et tronc

où la tiédeur terre

où la chaleur mère

insère son soupir ancêtre

père

et tu reviens

redeviens

souffle

verbe

sans rage ni détresse

humble et simple

à l´odeur d´être

à la senteur initiale

au toucher docile du silence

et ébloui

tu renonces à ton nom

et tes mots n´ont plus la couleur de Goya

ni celle de Munch

et Nietzsche

Le plus noble n´est jamais que l´absolument dur.

ne te pose plus de questions

car tu coules

coules

serpentes

lentement

circulairement tel le paysage au gré des saisons

goutte pérenne

toujours entre mousse et bois

plus circonstance mais consistance

état

vers les racines

parmi lesquelles tu te blottis

au creux de la terre

terrier

gîte des siècles

étui de l´âme sylvestre

où tu n´es plus seul

où tu déniches ta langue animale

organique

celle du pur non dire qui précède le verbe

silence citadelle du sacré perdu

où le songe n´est plus songe

mais matière fluence univers

et dissous et entier

tu reprends la cantilène

des cycles siècles cercles

atavique printemps

du roseau de Chine

du chêne de France

et ton épiderme sent l´écureuil

et l´ours

et l´aigle

et le ver

le ver terre

pour éjecter

gicler

éjaculer

le vers

et ces infinis

malheureux limités

qui se heurtent à la douleur des frontières

qui font trembler la verge du poème

qui toussent et se cramponnent

à la queue des épiphanies

comme des lambeaux sans espoir

et pourtant

ô courts instants suprêmes

illuminations

révélations

délires

orgasmes

évanouissements

de se savoir pâtre prêtre pêcheur

des fugues cosmiques du cœur

dans les cathédrales sous-marines de l´esprit

au fond des cratères de l´âme

nife

et prendre le large

pour valser parmi les astres

en quête de l´absolu

sur un trois-mâts rouge

aux voiles bleues gonflées de désirs

glissant sur l´onde sidérale

avec Kubrick et Strauss

fougue azurée des jamais retrouvés

des toujours rencontrés

eh oui David Haize

bleu bleu l´amour est bleu

bleu comme le sang

révolution

la verge

rut jute but

en soi

explosion

le sang bleu d´une seule vie

oh de fureur tension frénésie

se fige le mot

te fait paraître éternel

comme un moineau

en ce frêle moment

sans trêve ni nom

où rugit l´éruption

que roule la lave

qui t´oppose au néant

que s´arrête le temps

et à bout portant tirer sur le désir

par les couloirs humides

fuite éperdue

fugue écarlate vers le vertige abyssal

évasion tout le long des cavités mythiques

qui remplissent

remplacent

déplacent

les vides de l´absence

absence absolue d´être

qui règne hors des spasmes

de ces fous moments

ébranlant les vérités

branlant les appétits

lourds de chair et de sang en état de grâce

sourds éclats de la rage d´aimer

de ces entrailles qui fécondent les perles

du dérèglement de l´espace et du temps

et la violence d´exister transpire

violence de l´aube

comme se tordent deux serpents amoureux

sur la terre brûlante

au-delà de la vie

au-delà de la mort

secondes où grouille l´envie

et la turbulence sue l´éthique de l´instant

brûlure des soleils en rut

morsure des anges turgis de désir

hurlement des dragons jouissant

tue-moi

sauvages

tuons-nous

sauvages

attends un peu attends

doucement maintenant

voilà comme ça

c´est si bon

prolongeons

au ralenti fleur de lys

sarabande

pavane

Rameau

tout doucement maintenant

comme si Vivaldi orchestrait notre corps

stop le temps

stop l´espace

avant le nouveau séisme

une nouvelle agression

soudons l´envie

et la graine se marie

tu me fais mal je t´aime

feule désir

sauvage

je te fais mal tu m´aimes

sauvage

rougit passion rugit

fonce

défonce

détruis

je suis ta salope

je suis ton salaud

tout

jusqu´au bout

bande l´arc

la flèche siffle

vole

la cible l´attend

t´attend

ah rude céleste sensation

d´introduction gothique

célébration

pénétrant le sens d´être

dans son élan

lueur d´août cinglant le front d´exister

la rage de connecter

orage d´été

correspondance des eaux

la marée monte

gronde

roule

tambour annonçant

griffe-moi

ah

gifle-moi

oh

la graine se dépose

rengaine

toboggan

le muscle se repose

oui

moi aussi

merci mon amour

et vous montez sur la licorne

et le coton de la tendresse dégraine un menuet

licorne correspondance Pégase

le firmament vous appartient

splendeur

vous n´êtes plus orphelins

vol majestueux du sang en liesse

au-dessus des abîmes des abysses des volcans

et l´insolente liberté se fait humble

pour retrouver le fil perdu

toison d´or des cieux

saint graal que le phallus remplit

et tu baises les pieds de cette fluctuance

bonheur qui te rend meilleur

fiat voluntas tua

sicut in caelo et in terra

car ta fonction première d´homme

a été accomplie

et déjà essence sur la houle des nuages

tu vogues la mémoire antique

de ceux qui te donnèrent le sang

et les questions s´avèrent inutiles

et vous survolez des aigles givrés

où brillent les derniers rayons du soleil couchant

et vous rencontrez des cygnes en flammes

qui reviennent des incendies d´aimer

et des statues égarées dans les cieux dansant Nijinski

et des anges byzantins jouant aux marionnettes

suspendus par des fils invisibles

et les Grâces au sourire botticellien

girent autour de Pégase que vous chevauchez

monture de démiurges

qui vole toujours en slow motion

tandis  qu´au loin

sur le feston de l´horizon

se pendent les notes de l´Alléluia de Haendel

se balançant à la brise sidérale

très loin

très loin

là-bas où Ungaretti dit

lontano lontano

come un cieco

m´hanno portato per mano

puis les Grâces rompent le cercle

et se sauvent comme une étoile filante

oh oui

advenciat regnum tuum

de la gloire de la jouissance

car nul ne saurait te dire

où commence et finit l´éternité

mot étrange

sans identité

et accepter ce chemin de fer

sans les béquilles de Dieu

et vastes et sûrs comme l´océan

vous dégustez votre penser-vol

sans arrière pensée

sur les ailes de Pégase

où le désir s´étire se tend

s´allonge comme l´envie

et dépouille la dignité des servitudes du bas

non David Haize

tu n´as plus besoin de descendre

car tu n´as plus peur de voler

voler avec ta chair qui est esprit

puisqu´il n´y pas d´esprit sans chair

ni chair sans esprit

puisque l´âme est charnue comme des fesses

et le corps cadeau des dieux

diaphane comme un songe

vole donc à la vitesse de ta passion

ou de ton nom

Haize vent en basque

les Basques dix mille ans de résistance

faut bien les admirer

pas du tout bâtards comme les émules de Bush

et David vainqueur

vole sur la trace lumineuse du désir

car tout est désir

même la foi ou la poésie

vole ton vol

fierté de ceux qui t´ont transmis la joie d´exister

et Pégase vous emmène

aux contrées sans frontières

où l´absolu devient familier

quand on aime

osant se transfigurer

je suis toi

sois moi

et briser le je

évinçant ses superflus

quand Platon s´avère vrai

et que la légende est un fait

viens

empirique

pose ta tête sur ma poitrine

et voguons

voyageurs sans bagage

en quête d´essence

fauves

nus

bruts

séraphiques

interplanétaires

et pétales rouges d´une rose astrale

vous posez sur la neige

blanc et sang

après l´amour c´est le néant

oh non non

tu dégringoles

et les fades branlettes

dans les bouges de la solitude

décharnées comme la caatinga

et spirituelles comme un ordinateur

piteux branle-branle secs de mystère et d´éclat

quand ta main cherche une peau chérubine

une peau qui puisse absorber ton esprit

et l´arracher à la conne solitude du bas

une peau céleste à qui tu donnerais

ton essence déguisée en sperme

mais tu es réduit à ton pauvre cylindre

prosaïque

sans foi ni émoi

verglas

bleu bleu l´amour n´est pas bleu

il n´y a pas d´amour heureux

et les pétales fondent

se coagulent

et deviennent des tâches vermeilles

sur la blancheur de l´oubli

déchirure

l´aile de l´amour plie

ah tu l´aimais tant

ne me quitte pas

quand emportée par la brise du levant

elle s´en allait matinale et proprette

par les sentiers du printemps

pourquoi Beatles

Why she has to go

I don´t know

she wouldn´t say

oui Prévert oui Kosma

et la mer efface sur le sable

les pas des amants désunis

puis un beau jour Aznavour te dit

Et jamais plus

Le temps perdu

Ne nous fait face

Il passe

oui Buddy Guy hurler  

Baby please don´t leave me

mourir d´aimer

au clair de lune

sous les peupliers

et ouïr la vie te dire

balayés les amours

avec tous leurs trémolos

et pourtant

tu ne recommences pas à zéro

puisque ton train ne s´arrête pas

ce train qui laisse tout en arrière

le passé l´illusion d´avoir vécu les pages en blanc

le futur qui devient passé

et Ulysse-Bloom-Joyce te dit

un passé qui avait peut-être cessé d´exister

en tant que présent avant que ses futurs spectateurs

fussent entrés dans la réalité de la présente existence

angoisse du transit

transitoire permanent

certitude de l´éphémère

oui mon petit David

te voilà dans ce train

qui est solitude d´origine

solitude de destination

de Léo

Je suis d´un autre pays que le vôtre,

d´un autre quartier,

d´une autre solitude.

Ferré

tu as toujours été dans un train

et tu le seras jusqu`à ta mort

le train du Barbare affranchi

celui du Bon voyage, Shéhérazade

celui de Litterata

celui des Folles mouettes meurent à la frontière

et c´est là que tu revois tes parents

même après leur mort

car ton père était machiniste

machiniste et anarchiste

et Ferré te fait pleurer

Y´en a pas un sur cent et pourtant ils existent

La plupart Espagnols allez  savoir pourquoi

Faut croire qu´en Espagne on ne les comprends pas

Les anarchistes

et même si les glycines sont mortes

même si l´inappétence sonne le glas

tu tiens à voyager

encore et encore

en train

car il n´y a rien à part ce voyage

en train

convoi des mirages

même si tout est plastique virtuel antiseptique

sentiments étiques

façade apparence imitation

ordures assommantes de la consommation

empire du plat du vide de l´art

phtisie culturelle

où tout s´achète tout se vend

se prostitue

se tue

marché immense où les dieux défèquent de l´or

où les putes mâles et les putes femelles

dansent la gigue du rock de la bourse de la putaison

agitant les bannières de la vulgaire médiocrité

média masse démagogie publicité

le monde réduit à un show grotesque de crétins

l´écœurement

vomir oh sainte nausée

quand tu rentres bredouille

de la chasse au silence

la peau écorchée par le déplacement

quand l´exil de la noblesse

te fait éjaculer du sang

oui Buddy Guy oui blues

It´s a jungle out there

minorité rien à faire ou alors les bombes

et que ta candeur

pour ne pas devenir putain elle aussi

s´achète le masque des maudits

qui finit par devenir épiderme

visage acquis à perpétuité

même si les purs

Dieu délivre-nous de la tyrannie des purs

les purs hypocrites

toujours avares mesquins ignobles fanatiques

les (faux) purs méprisables

qui méconnaissent la générosité

la tolérance

qui tranchent les têtes

ou bombardent les innocents

et qui brûlent ceux qui savent

et qui perpétuent la misère

tout en détruisant la Planète

les purs assassins

ah Dieu vomit les tièdes

et toi tu dégobilles les purs

lorsque les scélérats du pouvoir châtrent l´éthique

et mercenaires pragmatiques mondialisent la faim

et déportent les pâquerettes

et exilent les muguets

et égorgent les pavots

et aveuglent les camélias

et empoisonnent les pétunias

et décapitent les pensées

même si les grands dieux

des chrétiens des juifs des musulmans

vassaux pitoyables du Dieu Suprême Argent

révèrent la puterie officielle

qui se farde d´or et de religion

fondamentalement poule

sonnant ses bijoux comme une catin

bâtarde par vocation

pour le carnaval des tricheurs

dans les bunkers néontiques des affaires

où trinquent entrepreneurs et trafiquants

à l´imbécillité des cons

consommons

soyons sages

consumons

le paradis nous attend

quand l´Indien qu´on brûle comme indigent

impunément

pleure l´Eau profanée

le Soleil en est témoin

quand la misère de ton enfance

ah non pas ça

non vraiment pas ça

ça fait trop mal

parlons olerki

poésie en euskara

Deubel prénom Léon

oui tu le connais

allez viens Léon

fais pas le con

viens prendre une bireuse

et griller une sirlingue

chez les petites sœurs de la solitude

tu veux manger d´abord

t´as faim

oui j´ai de quoi te payer un sand au Mac

t´en fais pas

tiens regarde

au coin de la rue

les chattes nocturnes

guettant les couleuvres inquiètes

en quête de nid

pour noyer le désarroi de la nuit

allez viens ça va s´arranger

à cette heure-ci les bananes électroniques

sonnent les matines

Seigneur ! je suis sans pain, sans rêve et sans demeure

Les hommes n´ont chassé parce que je suis nu.

Et ces frères en vous ne m´ont pas reconnu

Parce que je suis pâle et parce que je pleure.

oh mon cher ami

mon tendre ami

mon ami bien-aimé

ne pleure pas

tu n´es pas seul

tu peux rester chez moi

on va se débrouiller

mais d´abord on va baiser

chez les petites sœurs de la solitude

quoi

mais qu´est-ce que tu racontes

mais quelle idée saugrenue

vouloir faire ça

si jeune

ayant encore un tas de choses à écrire

ne dis pas de bêtises

mon pauvre Léon

mais ne fais pas cette tête-là

cesse de pleurer comme une Madeleine

on dirait le Jef de Brel

écoute Léon

je sais que les poètes ne sont pas sages

mais écoute-moi quand même

à trente-quatre ans

ça bande encore

on a donc la vie devant soi

tu sais qui est rentré de Montevideo

non tu ne le sais pas

ben mon vieux le grand trio uruguayen

Isidore qui vient d´épouser une punk à São Paulo

et les deux Jules

on pourrait aller les voir si tu veux

ou si tu préfères

on peut aller chez Ferré et Pepée

ou chez Brassens

non

pas chez Sá-Carneiro

ce n´est pas le moment

ni chez Espanca

non vraiment

ce n´est pas marrant

il te faut quelque chose de plus amusant

mais non

Hernández est toujours en prison

et Lorca est rentré de New York

mais on ne sait plus où il est

non  surtout pas Takl

mais merde

tu ne cherches que les malheureux

il te faudrait plutôt causer avec un certain

Khayyâm Omar Khayyâm grand maître

hédoniste et métaphysique

tu sais les femmes les roses et le vin

ça fait du bien

mais il est allé à La Mecque

pour la première et dernière fois de sa vie

pour apaiser les mauvais esprits

lui qui n´est pas con

arrête de pleurer

Gospodi pomilyou

arrête Deubel

arrête mon frère

et le train roule

ne s´arrête pas

destination inconnue

sans arrêt ni mi-temps

David pourquoi tournes-tu le dos à ton enfance

les dattes ont un goût amer

mais le cherki du souvenir te ramène

rue Galilée ou rue Isaac Peral

la misère faisait la gueule

derrière le miroir du rêve

et travailler à douze ans

et vendre de vieux journaux ou de la ferraille

ça voulait dire ne pas crever de faim

oui le ragoûtard creux

le trajecteur en branle

le pompeur assoiffé

oui en exil

où se définirent les guenilles de l´identité

et continuer dans ce train

qui sait vers où

qui n´est pas le transsibérien de Cendrars

qui aimait le Brésil

non tu n´as plus le goût du voyage

ni de la vitesse

l´affreuse vitesse de nos jours

la vitesse des cons

qui t´écœure

il n´y a que la lenteur qui fait fleurir la conscience

il est trop tard pour recommencer

ton urgence exige

la lenteur

rythme du renoncement qui se nourrit de silence

et la voix clôt l´écluse

écoutant le bruissement de tes paupières

qui se referment comme un linceul de soie

sur le crépuscule d´une plage

annonçant le songe

qui te berce doucement

nid de coton suspendu à une étoile

sur la nuit béante des sensations

et de ta hauteur

tu entends le crissement soyeux du bourgeon

qui s´ouvre à la goutte de pluie

pluie

pioggia pludja ploaie

pluie

qui dévoile le songe

et tu descends

sereinement

sans hâte ni vertige

comme la feuille d´automne au gré du zéphyr

et tu planes sur les parages du songe

au-delà de toute pensée

avant d´atteindre la rizière du rêve

fertilité

où ton sang engourdi se réveille

se frotte les yeux

et frissonne d´espérance

et au cœur du bois

tu dénudes les vestiges de la raison

pour mieux percevoir le clapotis du silence

quiétude et éloignement

c´est à l´ombre du silence

que se dévoilent

à toi qui conserve ton flair

les secrets de l´essence

le songe est extase

le rêve est passion

le songe désaltère

le rêve brûle

ce rêve à la limite de la violence

de splendeur magnificence fureur

des muscles de la musique

et de la peau des couleurs

et des sons du toucher

et de l´arôme du goût

des spasmes fertilisant les idées

car avec la pierre des sensations

se construit la pensée

et à la lisière du rêve

quittant le songe

tu te mets à galoper

à travers la steppe de la création

et la Poésie bouillonne

intense

drue

grappue

déplace le couvercle de la médiocrité

et s´impatiente

tambourine sur la peau tendue de ton cœur

avant de devenir vapeur

embrun

vol clos

silence

et la fureur de la création

énergie sans pareil bondit

sexe et absolu synergie

tigre

granitant l´instant

ubiquiste et sans paradigme

incisives dans la gorge de l´existence en fleur

tigre amoureux tigre tyran tigre voyant

phallus nuptial

contre-attaquant

quand tu te remets de la torpeur

végétale torpeur de la consommation

de ces bourgeois

vides veules véreux vaches vermoulus vulgaires

qui tuent le silence à coups de pragmatisme

venin à feu lent

qui émascule l´élan

mais à cet instant créateur

tu es flamme

jet

ange

démon

mystère

lueur

ascension

et ton membre

ton Alexandre ton stoupa

ton Spartacus ton obélisque

ton Charlemagne ton mât

ton démarreur

est la torche du poème

libérateur

dur comme la vie qui s´oppose à la mort

saint révolutionnaire poète

vas-y

feu

et tu deviens l´albatros en plein vol

tu n´es plus la petite bête traquée de l´enfance

par la misère

ah pauvre et poète

lot des dieux

d´exil faim solitude et passion bâti

écrivain organique

tu te décomposes en contact avec la médiocrité

tu n´es que doutes

et c´est la puissance de l´incertitude

qui te pousse en avant

qui te rend fort

et tu écris comme tu sexes

avec tes viscères

oui le temps et le vent

emportant les certitudes

frivoles certitudes de la peur

pour te rendre lucide et serein

et d´écrire

et de vivre

tu n´es que compulsion

et tu te replies derrière les remparts du silence

si-len-ce

si-len(t)

ce

si

troublant

pour que l´innocence

les lèvres bleuies et le teint blême

ne soulève pas ses jupons

et tu flânes par les champs calcinés

du cauchemar de la consommation

du totalitarisme du fascisme de la dictature de la consommation

du cauchemar de la convoitise et de la religion

toujours en quête du duvet de ton terrier

où tu puisses cacher un reste de candeur

un ultime fragment de silence

du silence des dieux égarés

et Dieu est toujours absent

ou cruel et indifférent

serait-il petit

serait-il le Néant

Dieu inaccessible

se perdant dans les sables mouvants du temps

dont tu n´es qu´un mirage du présent

cessant d´être

à l´instant de naître

dans ce train

nain

fou convoi

sans lendemain

sans foi

oh Zeus solitude du mythe

solitude de Prométhée

solitude du Quichotte

solitude de la conscience

il sent marcher en lui d´atroces solitudes

solitudes bercées par le roulis du silence

ou fouettées par la tempête d´être

errance

et tu deviendras bleu David

bleu comme la Terre vue du ciel

bleu comme le tombeau glauque de Venturini

dans mes veines ce n´est pas du sang qui

coule, c´est de l´eau, l´eau amère des océans

houleux…

et la diaspora de ton cœur sonne la diane

et les éclats du silence  se recomposent sous l´eau

tout près d´un impossible toujours

tout près du titan Rimbaud qui te souffle

Je crois en toi ! je crois en toi ! Divine mère,

Aphrodite marine !

et tu sombres

vers le début

dans ce train

qui pénètre l´eau du silence

 

 

Décembre 2004

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

La banlieue de la mélancolie

J´aime ceux qui ne savent pas vivre à moins de se perdre,

car ce sont eux qui passent sur l´autre rive.

Nietzsche (in Ainsi parlait Zarathoustra)

Ce fond si bleu

profond Silence

fraîcheur

revers du présent silence

sale de chaleur

de hosties et  de faux

quand exister agresse vivre

inerte entre les plis de la solitude

comme un insecte attendant la mort

au fond de la nuit

sous le clignotement publicitaire du néon

du rien

nuit tendue de riens submergés dans le bas néant

stigmate du vol

saignant

lueur incandescence flamboiement

d´antique magnificence

douleur langueur

comme si les dieux eussent permis

saigner le mutisme d´un dieu rebelle

exilé

jusqu´à combler l´auge d´épluchures de mots

vestiges de la longue journée

le cœur durci

la poussière couvrant la peau

la larme tarie

dans la banlieue de la mélancolie

où s´embouchent les chevauchées de l´esprit

phtisiques

dans la prison du quotidien

et l´amen

résignation ou prostitution

pure hypocrisie

flattant le Temps qui file

file des guirlandes d´espérance battue

entre l´arrivée et le départ

ou gît le rêve

amorphe flasque vieilli

sur le sofa

sans emploi

en face de la télévision

éructant le dégoût mal digéré

rêve obèse de fumée et d´alcool

pour tromper la chute de

l´absolu

et le masque incolore de l´inappétence

transpirant la mort en gouttes domestiques

là-bas où le cœur empile les fruits aigres de

l´indécision

et les épiphanies liquéfiées coulant par les trous de

la prudence

et les élans châtrés par la

raison

nuit sale d´images blafardes

se taire foncer

chaleur

le ventilateur

éparpillant l´odeur de rance de sueur et de mort

balayant la charogne

des cimes des sommets des pinacles

orgasmes

desséchés par l´oubli

ou rouillés par l´embrun du quotidien

glands jamais léchés par l´océan

recueillis dans le prépuce de la fausse humilité

au fond du grenier

où en grande tenue de fureur et désir

les mites épousent les mythes

en célébrant leur grand festin

ah tunique austère du non-vivre

trompée

comme une prière de commande

implorant des mouettes enfoncées dans les prés

ou des coquelicots survolant la mer

d´aimer

en exil

parmi les brumes lasses

d´espoirs fauchés

de paysages soûls

d´être le non-être

mots tus

ou tués

sans mémoire

accrochés aux barbelés des frontières

comme des loques de peau d´évadés

arrachées dans leur fuite

laissant de l´autre côté

la besace de l´âme

avec son fœtus fardeau fétiche ou foi

pourrir

sans devenir le diamant de la colère

sans la lumière d´être

le vers qui contient

ontologique

l´être dans le cloître

entre pierre et vent

dans les salines désolées du dépouillement

quand même la vérité sonne vanité

voyage au bout des sens

de ceux qui osent

voler

maudits

assoiffés de liens perdus

affamés de grâces ancestrales

plongés dans le resplendissement

redevenus essence

riches enfin du haut Néant

 

splendeur de la réintégration

absolu blanc sur blanc

du vaste Silence

si loin

(ou si près) de Jérusalem

 

Novembre 2005

 

 

 

 

TABLE

L´être impossible

 

La grâce d´antan

 

A l´ombre du Silence

 

Tanjah 79 retour

 

La ballade de David Haize

 

La banlieue de la mélancolie

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

Jovens, Limpem o Brasil

julho 14, 2011

Jovens, Limpem o Brasil

Manifesto

de

www.davidhaize.wordpress.com

 

 

Jovens brasileiros, até quando vocês vão ser otários do governo?

Até quando vocês vão ser feitos de palhaços pelo governo?

Até quando vocês vão ser tratados como imbecis pelo governo?

Até quando vocês vão ser manipulados pelo governo?

Jovens, vocês não são marionetes, são pessoas.

Jovens, o Brasil é de vocês, não do governo.

Jovens, o Brasil decente depende de vocês.

O Brasil é do poder jovem, não dos velhos corruptos.

O BRASIL PERTENCE À RENOVAÇÃO

NÃO À PODRIDÃO

O BRASIL PERTENCE À RENOVAÇÃO

NÃO À PODRIDÃO

Jovens, a web é a arma de luta, usem-na para difundir, conscientizar, aglomerar, desfechar ataques virtuais e instigar a desobediência civil.

Jovens, o que vocês estão esperando? Reajam. Digam basta. Se houve uma primavera árabe, haverá uma primavera brasileira.

CIRANDA CIRANDINHA VAMOS CIRANDAR

CIRANDA CIRANDINHA O PAÍS VAMOS INCENDIAR

CIRANDA CIRANDINHA VAMOS CIRANDAR

CIRANDA CIRANDINHA O PAÍS VAMOS INCENDIAR

Portanto, ocupem ruas, avenidas, praças, escolas, universidades, aeroportos, prédios públicos. Bloqueiem estradas.

Jovens, vamos limpar o Brasil?

Então…

Derrubem a corrupção

Derrubem a injustiça

Derrubem o roubo legalizado

Derrubem a falta de transparência

Derrubem a imunidade

Derrubem a impunidade

Derrubem a discriminação social

Derrubem a Lei de Anistia

E vamos lá, que o mutirão da limpeza do Brasil é uma festa. Vamos nos divertir limpando a sujeira acumulada durante cinco séculos.

UMA TRANSADA, UMA TRAGADA

E A GRANDE LARGADA

UMA TRANSADA, UMA TRAGADA

E A GRANDE LARGADA

Derrubem os salários astronômicos dos parlamentares. Isso é roubo legalizado. Lugar de ladrão é na prisão.

Derrubem os salários ofensivos do Judiciário. Isso é roubo legalizado. Lugar de ladrão é na prisão.

Derrubem as aposentadorias exorbitantes acumuladas por um único cidadão. Isso é roubo legalizado. Lugar de ladrão é na prisão.

Derrubem o sigilo eterno de documentos secretos. Isso é puro fascismo para proteger falcatruas de ladrões.

Derrubem todos os privilégios da classe política. Os políticos são o câncer do Brasil. A imunidade dos políticos é uma ofensa aos princípios da democracia. Nenhum cidadão, absolutamente nenhum, está acima da lei. Somos todos iguais perante a lei.

Derrubem os vícios político-sociais que permitem a impunidade desde a época colonial.

Derrubem todas as leis obtusas, obsoletas ou tendenciosas que visam a privilegiar quem as cria.

BRASÍLIA INCENDIADA

A DECÊNCIA RESTAURADA

BRASÍLIA INCENDIADA

A DECÊNCIA RESTAURADA

Jovens, exijam…

Melhor ensino. O Brasil tem um dos piores ensinos do mundo.

Melhor salário mínimo. O Brasil tem um dos piores salários mínimos da América Latina.

Jovens, não deixem barato, protestem, insurjam-se.

Lembrem-se de que protestar é respeitar-se. É negar-se a ser conivente com a podridão. Protesto é sinônimo de dignidade.

Lembrem-se de que a História se faz com ações. Não com palavras.

Lembrem-se de que a prudência pode virar covardia.

Lembrem-se de que a ponderação pode virar frouxidão.

Lembrem-se de que a paciência pode virar letargia.

Lembrem-se de que o destino do País está nas mãos dos jovens. Logo, não façam concessões àqueles que se perpetuam no poder. E neguem-se a votar em criminosos. Boicotem as eleições.

BRASÍLIA É GOMORRA

BOTA FOGO NESSA ZORRA

BRASÍLIA É GOMORRA

BOTA FOGO NESSA ZORRA

Jovens, comuniquem-se, unam-se. A união faz a força. A internet é feita para isso. Paralisem o País para mostrar a força jovem. Exijam o que é justo. Exijam democracia de fato. Exijam um Brasil melhor para as futuras gerações.

Jovens, sejam dignos, não se omitam, não se calem. Ousem dizer chega. Sejam jovens. Rebelem-se. Alegremente e com fé. Os rumos do Brasil dependem de vocês. Usem a energia da sagrada  revolta para manifestar-se.

Jovens brasileiros, amem o Brasil! Limpem-no!

25-06-2011

 

 

Réquiem pela Língua Portuguesa 2

 

         Pobre língua portuguesa do Brasil. Como se não bastasse a adoção pelo MEC da famigerada cartilha Por Uma Vida Melhor, da qual se deduz que o povo brasileiro deve permanecer na ignorância, temos, por parte de um determinado setor da sociedade, a invasão da língua portuguesa pela inglesa. Poderia dizer que à estupidez daqueles que preconizam a ignorância escrita e falada se soma a frescura irritante de outra parcela da sociedade que salpica “graciosamente” seu vocabulário de palavras inglesas (especificamente norte-americanas) para parecer chique, moderna, culta. Quando na realidade essa atitude é brega, atrasada historicamente e, em última instância, ignorante. Sem contar que fede a ranço colonialista com o devido verniz da globalização. E aí entra uma pequena ressalva. Sou, pelo meu histórico de vida, cosmopolita e internacionalista, ou seja, nada nacionalista. Logo, preservar a nossa língua não tem nada de xenofobia. É óbvio que a língua é dinâmica. Logo, é normal que um idioma incorpore vocábulos estrangeiros e neologismos. Senão estaríamos ainda falando latim. Mas chegar ao extremo aonde chegamos, é outra coisa. Em outras palavras, adotar termos estrangeiros que nossa língua não tem, tudo bem, enriquece o idioma. O que é inadmissível é simplesmente substituir palavras que existem em português pelas correspondentes em inglês. E isso para parecer atualizado. Em verdade, atualizado em cafonice.

São inúmeras as palavras que vemos diariamente em jornais, revistas, internet, cartazes ou que ouvimos na televisão. Palavras como mix, em vez de mistura ou mescla. Trip, em vez de viagem. Cool, em vez de frio. Light, em vez de leve. Sales, em vez de promoção. Off, em vez de desconto. Outdoor, em vez de cartaz.  Delivery, em vez de entrega. Fashion, em vez de moda. E assim por diante. É tão cretino esse afã de mostrar conhecimento de inglês que acaba distorcendo a gramática portuguesa. Os pronomes relativos são degolados. Por exemplo: a loja que eu compro, em lugar de a loja onde eu compro. As preposições então são enviadas às câmaras de gás. Exemplos. Voe TAM, em lugar de voe pela TAM – puro anglicismo. Assisti um filme, em lugar de assisti a um filme. O verbo captar aparentemente caiu em desuso. Já não se diz captar o sentido, a imagem, mas capturar o sentido, a imagem – puro anglicismo. Já não se diz ele se suicidou, mas ele cometeu suicídio – puro anglicismo. Isso sem falar do abuso do gerúndio: amanhã estarei enviando – puro anglicismo. Em breve, as subordinadas vão desaparecer porque é mais prático (o inglês, sem dúvida, é uma língua prática), e vamos passar a dizer: a mulher eu amo em vez de a mulher que eu amo. Em suma, tudo isso, além de deplorável, é ridículo. Grotesco. Caricatural. E, em última análise, vulgar. Já que toda imitação é vulgar. Tudo o que não seja autêntico é vulgar. Por mais fino que seja.

Mas existe também um aspecto perverso nessa invasão da língua portuguesa do Brasil pela língua inglesa norte-americana. É o lado social. Ou político – já que tudo é político.  O jornal “O Estado do São Paulo” vive publicando, na primeira página do Caderno 2, um anúncio do Haras Larissa que diz: Authentic, simple, elegant and exclusive. Além de publicado em inglês, repare no adjetivo exclusive, altamente significativo. Outro anúncio no mesmo jornal: Fashion Day no Shopping Center. Note que nesta frase de cinco palavras há quatro em inglês e uma só em português. Muito bem. O Cambuí, o bairro mais elegante de Campinas, parece uma cidade norte-americana. Repleta de day hospital, fitness, Sales, off, english school (com os dizeres suplementares de kids, teens, adults), etc… Pode-se dizer, parodiando o título da peça de Nelson Rodrigues, que o Cambuí é bonitinho, mas ordinário. Gente, onde é que nós estamos? O brasileiro não é obrigado a falar inglês. Nem sequer a conhecer todos esses estrangeirismos. Aliás, um morador da periferia se sente, não só deslocado, mas excluído do Cambuí e dos shoppings. E daí? – pode argumentar algum cínico – o Cambuí não é para morador da periferia. E chegamos aonde quero chegar. Há uma correlação entre a invasão do português pelo inglês norte-americano e a nossa desigualdade social, uma das piores do mundo. Talvez, já que somos dóceis lacaios do neoliberalismo, devêssemos propor que o Brasil adotasse o inglês como língua oficial. O MEC certamente aplaudiria a ideia.

 

R.Roldan-Roldan é escritor

www.davidhaize.wordpress.com

21-06-2011

Publicado pelo jornal “Correio Popular” de Campinas a 6 de julho de 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para que serve o MEC? Para contribuir com a degradação de língua portuguesa ao longo dos anos? Para desembocar na total avacalhação do idioma português? Para levar o Brasil ao vexame de ter um dos piores ensinos do mundo no ranking mundial? Não é uma vergonha que uma potência emergente tenha 50% da população semianalfabeta? Porque os tão decantados 10% (aproximadamente) de analfabetos são estatística para inglês ver. Ou seja, consideram alfabetizados aqueles que conseguem assinar seu nome. Será que o governo (especificamente o MEC), não se dá conta que a língua portuguesa é, não só um patrimônio brasileiro, mas um símbolo nacional? Será que esses inúteis do Planalto que só visam a se enriquecer na carreira política não percebem que, como símbolo nacional, o português está no mesmo nível da bandeira e do hino nacionais? Logo, a cartilha “Por Uma Vida Melhor”, adotada pelo MEC e distribuída em mais de 4000 escolas, equivale a defecar em praça pública e a limpar-se o ânus com a bandeira nacional. Ou será que, já que tudo, absolutamente tudo (menos os genes) é político, devemos atribuir a adoção desse lixo de cartilha (supostamente para “integrar” o povo – não é assim que se elimina a desigualdade social), ao latente objetivo, de maquiavélica (literalmente) perversidade, de manter o povo ignorante para melhor subjugá-lo? Manter um país na ignorância é uma estratégia milenar de controlar, indiretamente, todo tipo de informação, de acesso ao conhecimento e, em última instância, de camuflar uma ditadura sob a aparência de democracia. Os países árabes, com alto índice de analfabetismo, são um exemplo desse procedimento. Só existe um único país árabe que não esteja sob uma ditadura: o Líbano – embora tenha uma democracia meio capenga. E quando digo árabe, não digo islâmico, que são coisas diferentes.

Mas, voltando à famigerada cartilha, o que mais deixa perplexo qualquer cidadão consciente e honesto, não é o fato de um bajulador (ou arrivista de esquerda, ou imbecil) ter escrito a cartilha, o que espanta é um órgão oficial ter adotado semelhante lixo. Como acreditar na idoneidade desses órgãos oficiais? Como crer na honestidade de tudo o que vem daqueles que detêm o poder? O Brasil não é um país sério, dizia De Gaulle 50 anos atrás. E continua não sendo sério. Mas, pensando bem, em última análise, não é só uma questão de seriedade. Mas uma questão de amor. Sim, de amor. De amor e respeito por aquilo que é nosso. E a língua portuguesa – embora trazida pelo colonizador – é genuinamente nossa, já que a Nação não fala tupi-guarani, como deveria. Nossa, como a bandeira e o hino nacionais. No fundo, essa falta de amor talvez esteja relacionada com o processo inconcluso de identidade nacional. E que não me venham argumentar, os aproveitadores ávidos de poder, que o bom português é algo de burguês. Não é por aí, não. Isso é coisa da esquerda oportunista, alpinista (ou festiva como se dizia antes) que nada tem a ver com a esquerda autêntica, honesta, íntegra e, principalmente, coerente.  Um bom socialista não se vende. E o bom socialista não pode se esquecer de que as teorias de esquerda também devem ser renovadas – mesmo porque o mundo e a História são dinâmicos – sem que isso deva ser tachado de revisionismo. A cultura é um patrimônio da humanidade. E tem de ser preservada e levada até o povão. E não destruída sob pretexto de que pertence a uma elite. Em outras palavras: não se deve deixar que o povo permaneça estagnado na ignorância – o que é uma atitude absolutamente demagógica e fascista. Mas de elevar seu nível de cultura.

Em suma instaurar os “nós vai”, “dez real”, “cinco mulher” ou “dá pra eu” é uma absoluta regressão. Que só pode provir de retrógradas. Que cheira a resquício de revolução cultural maoísta barata. Que aprofunda definitivamente a nossa miséria cultural. E isso não quer dizer que eu esteja sugerindo usar verbalmente os “dá-mo”, “ver-te-ei” ou “diga-lho”. Ou a linguagem rançosa do Direito. Apenas creio que se deve falar um português correto. Claro. Limpo. Icástico.

Pobre língua de Sá-Carneiro, Pessoa, Quental, Bandeira, Murilo Mendes. Orides Fontela – para citar só poetas. Pobre língua nossa. Réquiem pela língua portuguesa do Brasil. Professores queimem a cartilha em praça pública e apedrejem o MEC!

R.Roldan-Roldan é escritor

www.davidhaize.wordpress.com

23-05-2011

Publicado pelo jornal “Correio Popular” de Campinas a 1° de junho de 2011

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