25 Preceitos e Deveres do Cidadão Honesto
Guia Prático para os Jovens

1 – Não obedecer a nenhuma lei que se oponha à consciência – o Estado, a Justiça e a Religião manipulam o cidadão.

2 – Incentivar e promover a desobediência civil sempre que necessário – omitir-se, por exemplo, em relação à violência da globalização e ao totalitarismo do neoliberalismo, é um crime contra a cidadania.

3 – Incentivar e aderir à paralisação do País para combater a injustiça social, o abuso salarial dos parlamentares, o nepotismo, o coronelismo e a corrupção.

4 – Contestar, solapar, combater, destruir e aniquilar toda e qualquer tentativa de massificação do indivíduo – o indivíduo não é gado, a massificação é uma das características do fascismo. O sistema, para melhor dominar a massa, promove a sua imbecilização – aliás, o que faz todo sistema totalitário.

5 – Afirmar e provar por ações concretas a liberdade individual – mesmo que seja pelo ato gratuito. Subverter a ordem estabelecida para fazer prevalecer a liberdade individual.

6 – Por em prática toda e qualquer ideia de libertação do indivíduo – desafiando ou burlando a autoridade estabelecida se for necessário.

7 – Defender a liberdade acima de tudo para salvaguardar a dignidade – a censura, por exemplo, de um livro e sua proibição por ação judicial é algo inadmissível, inconcebível, um ato fascista, retrograda, medieval, perpetrado por um juiz tendencioso, reacionário e incompetente que deveria ser condenado por atentado à liberdade de expressão. Proibir um livro é ranço de nazismo. Quanto à censura ao jornal Estado, é simplesmente uma aberração, uma afronta à democracia, um ato imbecil e perverso ao mesmo tempo.

8 – Combater com todas as armas e por todos os meios tudo aquilo que possa vir a comprometer o equilíbrio ecológico – o meio ambiente tem prioridade absoluta e deve ser preservado a todo custo e acima de tudo. Portanto, declarar a guerra àquele que não respeitar a preservação do Planeta. É uma questão de sobrevivência.

9 – Não se afiliar ao poder – todo poder é corrupto, portanto deve ser contestado.

10 – Não seguir nenhum líder – via de regra todo líder visa o poder. Che Guevara é uma exceção. O líder Buda outra. O líder Cristo outra.

11 – Não confiar em nenhum político – todo político é, potencialmente, desonesto, salvo raras exceções, e tem como objetivo encher o bolso e não contribuir para o bem da Nação. Mesmo porque o próprio sistema é corrupto e o impele – mesmo o político sendo basicamente honesto – a entrar no jogo do poder.

12 – Não dar o voto a nenhum político – votar seria contribuir para o enriquecimento ilícito de malandros. Abolir o sigilo fiscal e bancário de todo político antes de ele assumir o cargo e depois de deixá-lo. Abolir toda e qualquer imunidade parlamentar. A imunidade é uma afronta. Estipular por lei que o salário de nenhum parlamentar ultrapasse 20 salários mínimos incluindo todos os benefícios.

13 – Isolar, “congelar”, todo indivíduo que tente tirar proveito em qualquer circunstância.

14 – Relegar ao ostracismo vitalício os corruptos. No caso de políticos, cassação para o resto da vida, ou seja, banimento da vida política.

15 – Defender, por princípio, todas as minorias. Sempre que não se trate de fanáticos religiosos.

16 – Desconfiar da maioria – mesmo porque maioria é sinônimo de massa manipulada.

17 – Por em cheque, pela lógica e o bom senso, as convenções sociais.

18 – Boicotar as grandes marcas de produtos comerciais – pois elas manipulam o consumidor eliminando as concorrentes.

19 – Recusar-se a adquirir novos aparelhos enquanto aqueles em uso estiverem ainda funcionando – o consumismo é fascista.

20 – Não contribuir financeiramente com nenhuma instituição religiosa – toda instituição religiosa tem como meta a riqueza e o poder. O dízimo, por exemplo, é uma desfaçatez, um cinismo digno do ladrão profissional. Exigir que o governo taxe as instituições religiosas.

21 – Negar-se terminantemente a competir – além de indecente e imoral, a competição é ditatorial e fere a Ética.

22 – Combater e eliminar tudo o que atente à Ética – a Ética deve reger todos os atos do cidadão e servir como guia de comportamento. E um sistema que incentiva a abolição da Ética deve ser sistematicamente destruído por todos os meios possíveis.
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23 – Combater e eliminar o mercantilismo na educação, na cultura e nas artes – se é que arte mercantilista pode ser considerada arte.

24 – Preservar a identidade de modo a que nenhuma concessão venha a descaracterizá-la, desagregá-la, ou dilui-la – identidade é referência, memória, patrimônio, fatores inerentes ao equilíbrio psíquico do ser humano.

25 – Buscar a elevação espiritual dentro de si, sem o auxílio suspeito das regras, dogmas e superstições da religião que cerceiam a liberdade – Deus não tem religião, ele é natural. E a religião nada tem a ver com a religiosidade.

15 de agosto de 2009

R.Roldan-Roldan

Há uns dias estava almoçando e lendo o jornal. Como costumo fazer. E uma notícia travou os alimentos em minha garganta – não deveria ler enquanto como. E o sangue subiu. Como deve ter subido em milhões de brasileiros. Ou não? Será que a consciência da dignidade ainda faz subir o sangue nos habitantes do Brasil? Ou chegamos a tal ponto de indiferença ou passividade que nos torna desprezíveis? Um inadmissível estado de deixa-pra-lá onde tudo o que ocorre de abjeto neste País termina numa desconcertante frase: não adianta, é assim mesmo. Como se fosse absolutamente natural que o salário de um parlamentar seja de R$ 24.500 e o mínimo ainda seja 350,00 miseráveis reais. O que é uma afronta. Num país onde um terço da população vive, não na pobreza, mas na miséria. Neste caso a expressão da revolta é um ato de dignidade. E esse ato se resume, não em incendiar ônibus e carros e em destruir lojas (o que seria plenamente justificável e compreensível – e digno? – levando em consideração que seria o único “diálogo” que essa corja, eleita pelo povo, entenderia), mas em paralisar o País inteiro, como qualquer país decente, sério, justo, civilizado e digno faria. Sim, porque um povo digno se manifesta. Um povo digno sai às ruas. Um povo digno paralisa uma nação para mudar uma lei, como, por exemplo, fez o povo francês no primeiro semestre para obrigar o governo a revogar a lei do primeiro emprego – e a lei foi revogada como manda a verdadeira democracia. Já que toda lei é feita pelos homens, logo suspeita, ou seja, sujeita a parcialidade. E quando a lei não atua para o bem do país, seja qual for a lei, seja qual for o país, ela deve ser eliminada. Pois como podemos admitir a vergonha, a pilantragem, a rapinagem, a desfaçatez, o cinismo, o coronelismo, o totalitarismo, o roubo, o abuso de poder, a ditadura dos parlamentares melhor remunerados do mundo? Qual é a diferença entre um traficante e um parlamentar (salvo raras exceções)? Nenhuma. Já que o enriquecimento de ambos é ilícito. Minto: o dos parlamentares é acobertado pela lei. E tem mais: o salário dos traficantes não é pago pelo contribuinte, mas o dos parlamentares é. Logo, uma lei que permite essa aberração social deve ser revogada. Aliás, determinadas leis deveriam ser submetidas a um referendo popular como manda a verdadeira democracia. Um governo (ou o termo sistema seria mais adequado?) conivente com esse ultraje é indigno, logo não é aceitável e deve ser combatido. Um povo que silencia, que não se movimenta e promulga o seu Não em altos brados e aceita essa indecência, essa imoralidade, é indigno. E que fique explícito que não estou absolutamente pregando a violência – como os tendenciosos estariam inclinados a pensar – ou o discurso dialético, como os egoístas estariam propensos a concluir. Não. Nada de proselitismo: não faz o meu gênero. Falo de algo natural. Ou que deveria ser natural. Falo de consciência humana (redundância?) e de dignidade. E permitam-me lembrá-los de que a dignidade se obtém com a ação. Certamente não com o determinismo que trava a humanidade. Não existe determinismo histórico. Existe apenas a História. Mas… a Revolução Francesa de 1789 ainda não chegou ao Brasil. E nem sequer toquei na ética, porque aí entraria no capítulo da barbárie. Deixo-a para uma outra ocasião. E, como não sou demagogo, não aproveito a época natalina para invocar o famigerado espírito de Natal. Talvez apenas apele para um remoto sentimento cristão de generosidade.

17-12-2006
R.Roldan-Roldan é escritor
davidhaize@ig.com.br
http://roldan.vila.bol.com.br

Publicado no jornal “Correio Popular” de Campinas a 21 de dezembro de 2006

O capitalismo em sua vertente mais atual, o liberalismo econômico e globalizado, é apresentado pela grande maioria dos meios de comunicação do mundo, como algo inexorável e insubstituível. Você concorda com essa premissa, ou um outro mundo é possível?
Não. O Capitalismo neoliberal não é nem insubstituível nem inexorável. O Terceiro Reich dizia que ia durar mil anos. Durou apenas doze (1933-1945). Quero acreditar que um outro mundo mais humano e mais justo é possível.

Os setores socialmente marginalizados da sociedade devem aceitar passivamente sua situação como uma designação divina, ou têm o direito de se rebelaram inclusive com o emprego de formas violentas de protesto.
Deus não designa nenhum tipo de governo. Isso é charlatanismo, oportunismo para continuar oprimindo os pobres ignorantes. Mugabe, ditador do Zimbábue, por exemplo, diz que foi Deus que lhe outorgou o poder. E os antigos reis da Europa se diziam reis pela graça de Deus. Sim, os setores socialmente marginalizados não só têm o direito de sublevar-se como têm o dever moral e cívico de dizer não e protestar, mesmo de formas violentas.

As religiões foram muitas vezes, ao longo da História, o componente principal da discórdia entre povos e das guerras entre nações. Na atualidade, os dogmas e as pregações religiosas (particularmente das religiões monoteístas, o cristianismo, o islamismo e o judaísmo) contribuem para a paz mundial e a tolerância entre os homens?
As religiões nunca, ao longo da História, contribuíram para a paz. Muito pelo contrário, estimularam quando não provocaram guerras, massacres e todo tipo de atrocidades. Estou falando de fatos, que é o que me interessa. Basta folhar a História mundial. Atualmente 75% dos conflitos do Planeta são causados pelas religiões. Portanto, as religiões são sinônimo de sectarismo, intolerância, fanatismo, violência, beligerância. Como instituições visam unicamente o poder e o dinheiro. Logo, deveriam ser erradicadas com educação e cultura. Cada um que reze em sua casa e siga a sua consciência sem prender-se à ditadura dos dogmas – alguns deles abomináveis. O Estado deve ser absolutamente laico e deveria taxar, em nome da justiça e da igualdade, todas as instituições religiosas que, no fundo, não passam de corporações. É inconcebível que ainda existam Estados teocráticos como acontece em alguns paises islâmicos. A verdadeira espiritualidade não precisa em absoluto da religião. Aliás, não tem nada a ver com religião. Mesmo porque, em determinados casos, a religião se opõe à espiritualidade e à grandeza de espírito. O que deveria ser promovido, estimulado, cultuado e ensinado é a ética, a honra e a dignidade. E isso desde a escola maternal.

Os partidos chamados de esquerda (por exemplo, o Labour Party na Grã-Bretanha, o Parti Socialiste Français, o Partido Socialista Obrero Español, o Partido dos Trabalhadores, no Brasil), quando alcançam o poder político de Estado, aplicam a política social redistributiva que defendem em seus programas políticos ou desenvolvem um programa conservador com uma nova roupagem?
Hoje em dia não existe esquerda no sentido próprio da palavra. Esses partidos que você menciona estão a serviço do capitalismo neoliberal globalizado e em termos de política social redistributiva não fazem praticamente nada. Ou o que fazem é tão ínfimo que não altera o estado de injustiça social reinante. Pelo menos no caso especifico do PT brasileiro. Na prática são partidos tão conservadores quanto a direita moderada com a qual se confundem.

O Estado, nos mais diversos setores que o compõem, é uma instituição que paira acima do interesses de classe, ou está a serviço dos interesses de uma classe determinada?
O Estado é uma marionete nas mãos das grandes corporações. E segue, para manter-se, as diretrizes dessas grandes corporações. Portanto não existe Estado, mas grupos corporativos que manipulam o poder que supostamente deveria estar nas mãos do Estado. Não existem mais nações no sentido tradicional do termo. Conseqüentemente o Estado só pode estar a serviço da classe dominante. É mais do que óbvio.

A Justiça, nos mais diferentes níveis, é uma instituição que paira acima dos interesses de classe?
A Justiça, no Brasil, é como o Estado. Está a serviço dos interesses das elites. Basta abrir o jornal para confirmá-lo. Só é preso pé-de- chinelo. Os grandes bandidos respeitáveis – entenda-se os integrados na sociedade, como políticos e empresários ladrões, nunca são condenados. Além disso, a Justiça é uma instituição corrupta, caduca e decadente.

O tráfico internacional de drogas é um setor econômico que movimenta centenas de bilhões de dólares e sua atividade provoca dezenas, ou centenas de milhares de mortos anualmente. É amplamente sabido, o próprio FBI – o mais poderoso e eficiente corpo policial do mundo – reconhece que a luta contra o tráfico de drogas é uma guerra perdida. Há um setor minoritário da sociedade que defende que essa atividade seja legalizada em todas as suas fases, desde o plantio, passando pelo processamento, pela distribuição até a comercialização, o que levaria ao desaparecimento de todo o seu entorno criminoso e se tornaria uma atividade econômica como outra qualquer. Em sua opinião, isso não ocorre pela visão moralista que a sociedade confere a questão do consumo de drogas, ou porque com a legalização das drogas desapareceria toda a cadeia de corrupção policial e institucional que cerca o mundo das drogas?
A sociedade e o poder estabelecido são hipócritas, o que é normal. As drogas não são legalizadas simplesmente porque todas as instituições, incluindo políticos e governo, têm interesse em continuar ganhando bilhões com as drogas na clandestinidade. Estão todos com o rabo preso. Ou seja, em última instância, as instituições, o governo e a sociedade fomentam o crime organizado. Quanto à visão moralista, é mero pretexto, descaradamente cínico, para que a situação não seja alterada.

No filme Tempo da Inocência, de Denys Arcand, uma contundente e sarcástica crítica a sociedade moderna, há uma seqüência onde três personagens se escondem para fumar, pois se forem descobertos pela patrulha antitabagista estarão sujeitos a perder o emprego. Essa onda surgida nos Estados Unidos e que se espalha pelo mundo globalizado de restringir cada vez mais o uso do cigarro, parte de uma genuína campanha de defesa da saúde pública, ou seria uma manifestação moralista e discriminatória de restrição do direito individual do cidadão?
Essa onda de antitabagismo importada do EUA, tão na moda, é, além de ridícula, hipócrita (com perdão pela repetição da palavra) – e quero deixar claro que eu não sou fumante. É tapar o sol com a peneira. O usuário de carro polui infinitamente mais do que o fumante. Por que os EUA não se preocupam um pouco mais com a poluição ambiental diminuindo a emissão de gazes? Por que não assinam o Tratado de Kyoto? Mas isso não interessa ao lucro das grandes corporações, claro.

A influência da cultura norte-americana é cada vez mais presente e notória na cultura brasileira. Isso se reflete nos mais diferentes aspectos, na forma de se vestir, na moda e no comportamento feminino, na música, no cinema, no linguajar, na adoção de termos e expressões lingüísticas e um longo etcétera. Reagir contra essa avassaladora tendência não seria uma posição conservadora, e, portanto, reacionária?
Reagir contra uma imposição fascista não é uma atitude conservadora ou reacionária. Muito pelo contrário: é uma posição de recusa à alienação. Nós não somos macacos para viver imitando o que vem dos EUA. Essa influência norte-americana descaracteriza a cultura brasileira e dilui a sua identidade. Além do mais, essa cultura de massa que nos é imposta é grotesca, vulgar, de um mau gosto insuportável. É coisa de débil mental. Um verdadeiro lixo. Uma merda.

A criação artística em suas mais diferentes formas deve imiscuir-se nas questões políticas e sociais que afligem o ser humano, ou ao contrário, deve manter-se isenta dessas questões?
A arte é, antes de tudo, livre. E, como arte, pode se dar ao luxo de pairar acima de absolutamente tudo, incluindo o Bem e o Mal – quando se trata da grande Arte. Mas eu, pessoalmente, não consigo conceber um artista, principalmente um escritor, alienado política e socialmente falando. O artista engajado pode não refletir a sua consciência político-social em sua obra – embora isso me pareça um tanto improvável –, mas tem de ter na vida um posicionamento definido a favor da integração e da justiça sociais. Esse papo de ser apolítico se não é tendencioso é francamente imbecil. Pois todo ato é político. Logo, o ato de se dizer apolítico já é em si um ato eminentemente político.

Os filmes sociais de Ken Loach, irmãos Dardenne, Robert Guédiguian, Michael Moore, não seriam um cinema démodé, ultrapassado?
Loach, Guédiguian, os irmãos Dardenne e Michael Moore fazem um trabalho consciente, de denúncia e vão ficar na história do Cinema. Denunciar jamais será um ato ultrapassado. O que vai ser logo esquecido é o lixinho consumível que vem de Hollywood. E é evidente que quando digo Hollywood não me refiro ao bom cinema independente norte-americano que admiro muito e que, salvo raras exceções, concorre ao Oscar. É o caso de importantes diretores que começaram – ou que só fizeram – cinema independente como John Cassavetes, Abel Ferrara, John Thomas Anderson, Hal Hartley, Todd Solondz, os irmãos Coen, Tamara Jenkins (com seu ótimo A Família Savage).

Existe uma tendência, particularmente no cinema brasileiro, de realizar filmes que apresentam uma visão extremamente negativa da sociedade. Filmes como Cidade de Deus, Cidade dos Homens, Contra Todos, Tropa de Elite têm em comum apresentarem uma situação social explosiva e insustentável e personagens nada afirmativos. Isso não seria o reverso dos filmes cor-de-rosa, “happy end” hollywoodianos. Ou seja, não seria a outra face de uma visão humana e social maniqueísta?
Sim. De certo modo esses filmes brasileiros se opõem aos filmes hollywoodianos e não só aos happy end, mas a todos aqueles que dão tudo devidamente mastigado ao espectador para que ele não tenha que fazer o mínimo esforço para pensar. Em suma, cheios de clichês e concessões comerciais. Ou seja, caro público consuma e esqueça. Ou, em termos mais prosaicos, coma e cague. No entanto, no caso de Tropa de Elite, obra superestimada e comercial que não justifica em absoluto o Urso de Ouro do Festival de Berlim, trata-se de um filme totalmente hollywoodiano, tanto em sua concepção e condução da narrativa como na apologia da violência gratuita que tanto se critica no cinema de Hollywood. E um bom diretor não tem necessidade de apelar para a violência visual quando quer denunciar a violência, o que é uma forma de concessão ao gosto do público. Aí entra uma questão de talento. Se for para opor uma visão diferente à vertente do cinema main stream norte-americano, eu prefiro filmes como Amarelo Manga, O Cheiro do Ralo, O Céu de Suely, A Casa de Alice e O Ano em Que meus Pais Saíram de Férias ou os últimos trabalhos de Bressane.

* Jorge Roldan é curador e produtor de mostras cinematográficas

05-07-08

 

A Solidão da Liberdade

Novembro 21, 2007

E um dia de tão livre
desejarás a morte
para iludir o não-pertencer
e na suprema arrogância do não-querer
ouvirás o silvo distante do trem do adeus
ecoando gestos de ternura omitidos
no quarto de despejo das ausências
e de desejo se gretará a carne
à espera das chuvas de antanho
nos ocos sem fundo do não-dito
e como quem dobra os sinos
dobrarás as asas
de seda e violência
tal mortalha usada
voltando ao baú das ilusões mutiladas
e ainda estremecido pelo rufar do furor ferido de existir
fragor
ardor antes do bolor
colocarás a lápide do mutismo
sobre o estrebuchar da existência
já cacos de aspirações
girando no sideral da incompletude
folhas de outono sob o mistral da finitude
as lâminas do silêncio
ungindo as fissuras da alma
recolhida como feto entre deuses destronados
no deserto do verbo
exílio no tempo
na desolação de seu próprio infinito
alma desterrada
sem destino
sem a luz do sangue
sem redenção
sedenta da prisão do amor
do amor não tido
do amor não sido
do amor não exaurido
do amor não vivido

R.Roldan-Roldan 13-04-06

SOLIDÃO

Novembro 21, 2007

 

Solidão
incisivos cravados na fome de ser amado
sorriso aguado e olhos de peru degolado
shador branco
e unhas negras de terra cavada
para a fossa dos mal-amados
lábios vermelhos de sangue sugado
puta sacana que me engana
nas miragens do deserto do amor
inútil clamor de virtual ternura

 

Solidão
carente de imaginação
ensaiando farsas periódicas
de sonhos erigidos com os tijolos do querer
tolos milagres da paixão em noites de exaustão
no lusco-fusco do quero-não-quero
das relações voltadas para o leito light
do não compromisso
manipulando a fragilidade do animal apaixonado
e transformando o desejo em pequenas transgressões
com gosto ilusório de vida

 

Solidão
tetas e bunda de silicone
boceta portátil ou pinto de borracha
e sentimentos de PVC
fodendo sem deixar foder aqueles que de ti fogem
em busca de uma pobre foda
foda virtual de patético Peter Pan maduro
travestida de amor
estética chula e gestos bastardos
grotesca Soledade de olhos inchados de insônia
bafo de jacaré empachado
e lassidão amanhecida de bêbado mijado

 

Solidão
cocaína crack maconha fumo álcool
e noites encharcadas de nadas cintilando no vazio
o amor entre pele e cueca
num sonho daliano
de punhetas espremidas pelos filmes pornôs
derramadas em virtuais crateras lunares
de ausência e mutismo
nos dédalos do não-ser
corpo tocado por outro corpo
olhos que não refletem o mar
de amar do outro
mal-amado

 

Solidão
asas amputas
vôo suspenso
sonho castrado
vastidão extirpada
Solitude cunhada nos limites
flutuando nos estilhaços da fragmentação
tão indolente que não consegue ser uma
em permanente apenas estar
sem ser da origem ao destino
do equilíbrio ao extremo
um ser
de amém e revolta
entre o silêncio e o estrondo
de viver

O Amor Partido

Agosto 13, 2007

E partes amor
e parte-se o amar
metade vagando pelo sem-destino infinito
à deriva preenchendo o vazio com palavras
imaginárias não-ditas imaginadas
apenas escritas
e entrincheirado na medina do meu alvor
entre séculos de pedra onde a luz mal alumia
os meandros dos meus sentimentos
indago
que viste em meus extremos
para ousar acariciá-los
e logo deixá-los à beira da falésia
o gláuco tentando atraindo
como bálsamo da solidão
lá embaixo
onde jazem as panóplias enferrujadas da paixão?
que vislumbraste no gladiador da identidade?
no paladino dos mal-amados?
no peregrino sem hadj?
o tropel de existir
entre o furor da carne e o perdão do silêncio?
ah obsolescência da ternura embargada
paludes submergindo o sublime 
ah gândaras implorando o galopar do sangue
anoitecido quando a lua uiva sua solitude lupina
nos ergs hamadas regs da soledade maghrebina
estiam-se meus impulsos
calcinados pelo harmattan
quando rufa o tantã do meu coração
poderosa bateria anunciando tua deserção
para lurar-te nas casernas protetoras das convenções
e vais-te embora amor
claudicante amém
violando a liturgia do desejo
na contenção segura de estar antes de ser
longe dos arames farpados das fronteiras
inseguras distantes  perigosas fronteiras dos extremos
ali onde explode a dinamite do existir
ali onde as vísceras dialogam com as sílfides
ali onde o toque abissal se faz pureza
e o tocar que me justifica
o tocar razão de ser
bálano em estado de graça
se faz urgência urro clemência
de morte redimida
nos interstícios das galas lúbricas da paixão
onde meu corpo
que o silêncio torna impermeável à vaidade
aguarda a mão
a sagrada mão que afasta a desolação da orfandade

R.Roldan-Roldan
27/04/06

CONSCIÊNCIA

Agosto 13, 2007


Porque não sou puta fascista lacaio
omisso bípede orgasmado pelo consumo e amo o Planeta
revolto-me e digo
NÃO à globalização
venha
veja o condor nas alturas desenhar a liberdade
e trançar os raios de
sol faço a minha prece
acaricie o clitóris da Terra que dilata suas rugas
de argila alguém me fez
pois o Silêncio me chama
Porque não sou filho da puta mercenário
imediatista oportunista nem  sórdido
levanto-me e digo
NÃO à globalização
venha
escute o bambu confidenciar seu segredo ao
remanso deixo o arrepio da água me saber ser
e transmigro a fome ancestral pelas sendas do não-querer
estar sem ser
pois do Silêncio de origem sou
Porque cabal múltiplo diverso plural Homem sou livre e democrático
e de irmandade e não putandade teço a minha relação
insurjo-me e digo
NÃO à globalização
venha
sinta os passos descalços rastreando o diálogo das carmelitas
no ocaso chovido da praia nua
onde a vaga na areia branca deposita
a  ondulante alma milenar do pescador
pois do Silêncio venho
Porque brasileiro sou consciente e íntegro e
há cinco séculos espero a independência soberania e dignidade do País
rebelo-me e digo
NÃO à globalização
venha
ouça o atávico fragor dos séculos rolando entre cacos de trovão
o nome que não tenho
e a dama-da-noite cravar a fragrância metálica dos
milênios trago o faro de pertencer
pois ao Silêncio me encaminho

Porque poeta sou da alma aos colhões em perene estado de prenhez
e não cevado frango corporativo ou anho do diabo
sublevo-me e digo
NÃO à globalização
venha
deguste o sabor telúrico das visões colorindo a mente
prados celestes a generosar ser antes de ter
eiras de lua derramando sua sinfonia pastoral
pelas trilhas litúrgicas do perceber
pois Silêncio volto a ser
Porque com altivez e furor escritor sou
e não fantoche padronizado massificado imbecilizado e putificado
radicalizo e digo
NÃO à globalização
venha
de pólvora e pregos é feito meu poema
de Vento e Fogo meu vôo-paixão
crie vergonha leitor
abrace-o
e na falta de poema uma granada é mais eficaz
pois Silêncio já sou

15-12-2005

Carta de um Admirador

Outubro 8, 2006

Clique abaixo para ouvir a leitura de David Haize. 

Carta de um Admirador (do livro Matriochka)

Escritor eu não estou disposto a ponderar pois não tenho nada a perder e vomito o que penso que é o que sinto certo p é isso aí comemos merda pela santa graça do capitalismo fast food universal e enfiem no cu a ditadura da cultura de massa ou monocultura da alienação seus reaças isso é coisa de fascistas ou de imbecis aliás uma coisa está sempre atrelada à outra eliminar o pluralismo cultural é um atentado contra as leis da natureza e contra essa padronização cultural tem de se apelar para tudo até para a violência e eu em princípio sou contra a violência a padronização é um crime cultural contra a humanidade e a mídia honrada puta do sistema atrofia a mente da juventude a famigerada Globo que o diga a Globo além de tendenciosa é macarthista e fascista e sonega informações mas as outras emissoras também são iguais portanto bombas  na mídia Escritor bombas na mídia sabe Escritor eu fico muito excitado quando estou bravo há pouco mencionei o Congresso ah não dá para permanecer quieto calmo mas que pouca vergonha este País onde os parlamentares se auto-aumentam os salários a bel-prazer que cinismo que obscenidade que descaro que falta de ética que banditismo que esculhambação que putaria que putice que aberração manada de porcos vigaristas e chamam essa merda de democracia p que porra de democracia filha da puta é essa p a democracia da máfia parlamentar p a democracia da perversão social p a Revolução Francesa de 1789 ainda não chegou ao Brasil perdão a Usabrás isso é algo que deve ser atacado e destruído algo que deve ser sistematicamente eliminado para o bem de todos a Nação não precisa desse tipo de escroques sanguessugas parasitas e esses ladrões ainda por cima se consideram cidadãos acima de qualquer suspeita bombas neles bombas nesse lixo social aliás os parlamentares são tão úteis  que ficam falando do exame de próstata durante as reuniões isso sem tocar na imunidade desses pilantras que deve ser totalmente erradicada pronto já estou com a macaca e agora não escapa nada nada mesmo nenhuma instituição está imune a minha ira como por exemplo as religiões que nojo de religiões que chute no saco esses neguinhos que teimam em socar impertinentemente um sentido entre aspas à vida caralho a vida é o que é vida ou seja existência logo é absurda sim mas merece a pena ser vivida como dizia Camus e eu acho que comer e trepar é uma glória e quando a coisa acaba é uma merda portanto enfiem os deuses e seus milagres e a pós-vida no cu eu acredito mesmo é na existência que mania de querer recompensa em tudo isso é típico de um estágio muito primário é a mesma coisa que o pragmatismo que é pura boçalidade de quem está num nível mental e espiritual muito baixo a vida em si já é uma recompensa um milagre e é por isso que amo tanto meus pais mesmo depois de mortos simplesmente porque eles foderam e me deram a vida quer coisa mais bela do que isso p que caralhice  de recompensa sempre recompensa como na putaria do capitalismo sempre recompensa neste ou no outro mundo que outro mundo p sim parece coisa de neoliberalismo  famigerado pela santa buceta  e quero que conste que não digo boceta pela santa buceta de Afrodite em honra a você  gostou p essa história de recompensa é coisa de gentinha muito baixa Nietzsche que o diga coisa fominha miserável mesquinha de gente que não evoluiu cobiça do capitalismo a verdadeira superioridade consiste em amar a vida sem acreditar em nada e sem esperar nada você não acha Escritor p aliás gostou deste fragmento de discurso do teu imitador admirador p fala que sim Escritor seja generoso comigo pois ser generoso para com os outros é a coisa mais bonita que o ser humano pode dar ao seu semelhante Madre Teresa de Calcutá era  generosa essa sim é que era generosa caralho beijaria o chão que ela pisou neste caso até aceito a religião nada contra a religião em si eu acho que Buda Zoroastro Maomé Cristo e Confúcio foram grandes homens mas esses fundamentalistas filhos da puta lazarentos sejam muçulmanos judeus ou cristãos deus que me perdoe em particular os fundamentalistas islâmicos que regrediram à barbárie e ao obscurantismo medieval e os babacas-bomba pensam que depois de mortos vão direitinho para o paraíso à beira do rio Khantar não longe da fonte Selsebil com uma porrada de virgens para meter sem parar como se o paraíso existisse cambada de ignorantes tá louco eu hein os fundamentalistas são nazistas em potencial e devem ser postos fora da lei odeio religião embora nada tenha contra qualquer religião pois eu leio o Alcorão e a Bíblia e o Torá e o Dhammapada e o Avesta  na verdade abomino as instituições que acho que devem ser destruídas sistematicamente vejam esses salafrários dos ministros das seitas pentecostais ladrões filhos da puta escoria da sociedade que se aproveitam da boa fé do povo para explorá-lo sim ladrões descarados mas o culpado é o governo retrógrada e mais realista que o rei o governo que só sabe criar impostos para os assalariados e que não taxa esses canalhas o governo conivente que não cobra impostos da industria da religião odeio religião mas não tenho a priori nada contra as religiões sabe Escritor por falar em islamitas  religião e o caralho a quatro me lembrei do nosso verdadeiro presidente o cretino megalomaníaco do Bush e sabe de uma coisa p é o filho da puta do Bush que está incentivando e espalhando o terrorismo pelo mundo todo pois depois da invasão do Iraque a coisa piorou aliás o atentado do 11 de setembro caiu do céu para o presidente ianque que também é fundamentalista era justamente o pretexto que ele tanto esperava e olha lá eu não ficaria surpreso se se descobrisse que seus capangas estavam por trás do ataque ao WTC e assim ele mergulhou um país na guerra civil depois de tê-lo destruído sim Bush invadiu e arrasou o Iraque e provocou uma guerra civil Saddam Hussein é um filho da puta como todo ditador aliás todo ditador deveria ser literalmente castrado mas Saddam Hussein não fez nada contra os EUA logo Bush deve ser julgado como criminoso de guerra  e os servos da UE Blair Berlusconi e o franquista Aznar lambendo o cu do grande cacique do império norte-americano que é o maior perigo para a paz mundial vão chupar fridósia de égua sifilítica ou rimbósio de garanhão aidético e agora engulam os atentados na Europa como conseqüência e por falar de ataques e das torres gêmeas destruídas me diga Escritor que importância pode ter o atentado do 11 de setembro perante a dimensão da tragédia de Hiroshima e Nagasaki p o que são 3.000 mortes comparadas com as 237.062 mortes causadas pelas bombas atômicas p os Estados Unidos são o país que mais seres humanos assassinou em apenas segundos 90.000 vítimas sim 90.000 mortos em apenas segundos e qual é a diferença entre esse ato atroz e aqueles cometidos por Hitler Stalin ou Pol Pot p nenhuma diferença nenhuma shame on you USA  os Estados Unidos não têm absolutamente nenhuma autoridade moral para julgar qualquer povo ou governo seja qual for pois os Estados Unidos além de roubarem descaradamente assassinam abertamente que moral têm os EUA para impedir que o Irã e a Coréia do Norte tenham armas nucleares p nenhuma os EUA são um arsenal os EUA nem assinaram o tratado de Kyoto porque são eles que mais poluem o Planeta nem o tratado de Haia o que significa dois pesos e duas medidas portanto os EUA não merecem nenhum respeito e ainda se outorgam o pretensioso título de paladinos da liberdade e da democracia que porra de liberdade p que porra de democracia p bombas nos pretensos salvadores do Planeta sim Escritor 60 anos já se passaram do ataque a Hiroshima e Nagasaki 6 de agosto de 1945 e ainda por cima os EUA têm a indecência de não admitir a culpa do holocausto cometido no Japão rezem pois por nós deuses perdidos rezem por nós miseráveis humanos mas chega Escritor chega