Ao texto adicionaria somente que o sentido cabe a todas as mídias.Principalmente a dos livros.
…………………………………………
Contagem regressiva para o debate sobre a imprensa e os meios de
comunicação?! Lenha na fogueira!
Boa semana,
Fernanda
DEBATE SOBRE A MÍDIA
Quem ganha é a democracia no Brasil
Por Venício A. de Lima em “Observatório da Imprensa” (06/11/2006)
Em artigo publicado neste Observatório no dia seguinte ao segundo turno
das
eleições ["A mídia está em discussão"], argumentei que um dos
resultados do
processo eleitoral era que a grande mídia havia entrado, finalmente, na
agenda de discussão pública. E concluí afirmando que esse debate tardio
só
poderia ser bem-vindo e que quem ganhava com ele era a democracia
brasileira.
Os desdobramentos da última semana indicam não só o quanto estava
certo,
mas, sobretudo, o quanto a grande mídia e seus principais porta-vozes,
resistem e reagem a esse debate oportuno e democrático. Na verdade,
esse
comportamento não constitui nenhuma novidade.
A grande mídia – salvo as exceções que confirmam a regra – tem
historicamente se recusado a discutir com a sociedade o seu papel e
suas
responsabilidades na democracia. Além disso, seus principais
jornalistas
padecem de uma dificuldade crônica de lidar com qualquer tipo de
observação
crítica. E muitos se consideram, até mesmo, inimputáveis,
diferentemente dos
outros cidadãos brasileiros.
Sustentam essa posição no uso massivo do arsenal de sempre:
** confundem deliberadamente qualquer proposta de discussão com uma
tentativa de censura e relembram a ameaça de tempos sombrios como na
ditadura militar;
** se escondem por detrás da liberdade de imprensa – que acreditam ser
uma
simples extensão do direito individual à liberdade de expressão;
** demonizam, sem qualquer discussão, tanto a expressão “democratizar
as
comunicações” quanto as propostas para esse fim;
** desqualificam in limine aqueles que levantam a questão como
fascistas,
mentirosos, adeptos do totalitarismo e de “petistas”, como se a opção
partidária legal e legítima fosse o disfarce contemporâneo de satanás
(em
passado não muito distante, esse disfarce diabólico era atribuído aos
“comunistas”); e
** reaparece até mesmo o recurso usual à citação de apenas uma das
frases de
um longo parágrafo de Thomas Jefferson, do século 18 [ver "Anotações
sobre
Jefferson e a imprensa"].
E tudo isso em nome e em defesa da democracia liberal.
Novos tempos
São várias as razões para essa atitude generalizada da grande mídia. A
primeira, claro, é que apesar de suas divergências internas ela age de
forma
homogênea quando se sente ameaçada. Desde a fundação da Abert, em 1962,
e da
ANJ, em 1979, temos visto esse filme um sem-número de vezes.
Mas existem alguns fatores novos para os quais os recursos do velho
arsenal
não surtem mais o efeito desejado pela grande mídia.
A análise arguta do jornalista Carlos Castilho neste OI – apesar de não
concordar com a sua adjetivação – ajuda a compreender parte do que está
acontecendo ["O leitor patrulheiro assusta editores" e "O novo papel
das
audiências"]. Referindo-se à possibilidade de resposta que o jornalismo
online e os blogs oferecem ao leitor, Castilho lembra que esse fato
novo
rompe com uma característica constitutiva da velha comunicação de
massa,
isto é, a sua unidirecionalidade. Até recentemente a mídia “falava” e o
leitor/espectador/ouvinte “escutava”, passivo. Essa situação está
mudando
rapidamente – sobretudo, mas não só – em relação ao reduzido universo
de
leitores de nossa mídia impressa. Diz ele:
“O patrulhamento [dos leitores] rompe, pela primeira vez na história da
imprensa, com a tradicional unidirecionalidade do fluxo informativo.
Até
agora, quase toda a informação fluía dos tomadores de decisões e
formadores
de opinião, através dos jornalistas, até o público, cujo poder de
retroalimentar o circuito informativo era muito limitado. O rompimento
ocorre em circunstâncias traumáticas, especialmente para os
jornalistas, que
passam a se sentir encurralados e hostilizados por uma massa de
leitores que
estraçalha reportagens e comentários com um ímpeto também inédito na
história do jornalismo brasileiro.”
Com pouca ou nenhuma experiência prévia de serem diretamente
interpelados
por suas reportagens ou análises, os principais jornalistas e
colunistas da
grande mídia estão encontrando sérias dificuldades de se adaptar aos
novos
tempos. Quem está do outro lado agora é um leitor, cada vez mais ativo,
que
não é mais um “mudo” hipotético e ausente, mas alguém que também quer
ter a
sua voz ouvida. A coluna “Começou mal” de Eliane Cantanhêde (Folha de
S.Paulo, 2/11) constitui um exemplo claro dessa nova situação.
Juiz supremo
Mas há um segundo fator, decorrente do anterior, que parece ainda mais
importante. Existe um número cada vez maior de leitores que têm acesso
a
pontos de vista discordantes daqueles predominantes na grande mídia e,
mais
ainda, que podem verificar, direta ou indiretamente, a veracidade da
informação que está recebendo.
Não basta que uma nota indignada de jornalistas da Rede Globo de
Televisão
["Em defesa da correção profissional"] acuse a “mentira covarde e
desonesta
de um certo grupo de detratores” com relação à cobertura do acidente do
avião da Gol. Milhares de telespectadores assistiram em outros canais
ou
leram a notícia em sites na internet, muito antes de ela aparecer na
telinha
da Globo. E os próprios telespectadores fazem o seu julgamento.
Não basta que a Central Globo de Jornalismo ainda chame de mentirosos
observadores e críticos da cobertura que a Rede Globo fez do comício da
Praça da Sé, pela campanha das Diretas-Já, em janeiro de 1984. Além da
memória pessoal que muitos guardam dos fatos, existem sites, livros e
artigos onde o assunto é discutido e, ademais, são divulgadas
entrevistas e
depoimentos de pessoas diretamente envolvidas no caso que são
acessados/lidos por milhares de pessoas. E são essas pessoas que
decidem
quem é mentiroso e quem não é.
É exatamente esse o fator novo, fundamental: o aparecimento histórico
de uma
nova consciência cidadã que não se contenta com umas poucas fontes
oligopolistas de informação e tem condições de buscar – e até mesmo de
criar
– fontes alternativas.
Quando o diretor-executivo da Central Globo de Jornalismo escreve que a
grande imprensa “vive de sua fidelidade aos fatos, sua credibilidade
vem
daí. Trair esse compromisso é comprometer o próprio futuro. A grande
imprensa sabe disso” (cf. “Nem milagres nem bruxarias”, O Globo,
31/10/2006,
pág. 7-A), ele está certo. Faltou apenas acrescentar que o juiz supremo
da
credibilidade da mídia é o leitor/espectador/ouvinte. E é este
leitor/espectador/ouvinte que está fazendo valer seu julgamento –
independente do que pensam os autoproclamados “formadores de opinião” –
não
só em relação à mídia, mas também em relação às opções políticas que se
colocam historicamente à sua frente.
Credibilidade em questão
Em pelo menos dois artigos anteriores publicados neste Observatório, em
fevereiro e março deste ano ["Revisitando o poder da grande mídia" e "O
silêncio suspeito da grande mídia"], tratei do que agora reaparece como
“micromobilização estrutural” (cf. Walder de Góes, “Micromobilização
estrutural”, Correio Braziliense, 2/11/2006). Afirmava naquela ocasião
(OI
nº 370) que:
Feitas (…) as necessárias adaptações às circunstâncias de nossa
realidade,
há de se constatar um fato fundamental: o inegável fortalecimento da
sociedade civil brasileira. Ao contrário do que ocorreu em outros
países da
América Latina, entre nós, esse processo vem se desenvolvendo desde o
período autoritário e, sobretudo, nos últimos 15, 20 anos. Como
desconhecer
o enorme crescimento das ONGs e das inúmeras maneiras de organização
dos
movimentos sociais?
Registre-se, por exemplo, as diversas formas de participação popular
institucionalizadas pela Constituição de 1988. Nos últimos anos – sem
que a
grande mídia considerasse o fato digno de ser noticiado – foram
criados,
reestruturados e ampliados vários conselhos e realizadas conferências
municipais, estaduais/regionais e nacionais, mobilizando milhões (isso
mesmo, milhões) de cidadãos para discutir e propor políticas públicas
em
setores como Políticas Urbanas, Meio Ambiente, Direitos da Criança e do
Adolescente, Segurança Alimentar e Nutricional, Esporte, Direitos
Humanos,
Saúde, Igualdade Racial, Ciência & Tecnologia e Inovação, Cultura e
Saúde do
Trabalhador. Tudo isso sem mencionar as diversas experiências de
orçamento
participativo implantadas em prefeituras municipais pelo país afora.
A construção hegemônica – e, portanto, também a contra-hegemônica –
passa
cada vez mais pelas mediações da sociedade civil organizada. A mídia –
o
mais onipresente e poderoso dos aparelhos privados de hegemonia – sofre
cada
vez mais as mediações das organizações da sociedade civil.
O que isso significa?
Na medida em que aumenta o feixe de relações sociais ao qual o cidadão
comum
está interligado, diminui o poder de influência direta da grande mídia.
Há
cada vez mais mediações entre o conteúdo da grande mídia e a forma de
seu
“consumo” pela maioria da população.
Esse é o fato novo, fundamental. E é por isso que a credibilidade da
grande
mídia entrou definitivamente em questão.
Em nome da pluralidade
O Brasil está mudando. As novas tecnologias de comunicações estão
mudando. A
pluralidade e a diversidade de informações, pelo menos para aqueles que
têm
acesso direto e/ou indireto à internet, é um fato. E a grande mídia
terá que
se adaptar à nova situação para manter alguma credibilidade e
sobreviver.
Debater a construção de um sistema alternativo de mídia pública, os
velhos
oligopólios, a propriedade cruzada, a relação da mídia com as
oligarquias
políticas no Congresso e fora dele – é uma dívida histórica. Aprovar um
novo
marco regulatório que contemple a revolução digital e a convergência
tecnológica – é uma exigência democrática. Buscar a complementaridade
dos
sistemas privado, público e estatal de radiodifusão – é o que manda o
artigo
223 da Constituição de 1988.
O debate sobre a mídia – seu papel e suas responsabilidades – chegou
para
ficar. Independente da resistência e da reação da grande mídia. Está em
jogo
a construção de uma mídia verdadeiramente plural e diversa que priorize
o
interesse público. E quem ganha com esse processo é a democracia no
Brasil.
E esta loba isolada uiva de gosto pelas idéias doidas que David vomita…
E o vômito que cai frutifica a terra e deixa ver, a quem olhos de ver não tem, a ferocidade de ser vero, de ser ELE versus ELE, sempre. Nunca um ELE disfarçado, obscuro ou dissimulado, mas ELE nu, verdadeiro, sem disfarce.
Por essa verdade, amo esse David feroz…
Novembro 6, 2006 at 1:51 pm
Ao texto adicionaria somente que o sentido cabe a todas as mídias.Principalmente a dos livros.
…………………………………………
Contagem regressiva para o debate sobre a imprensa e os meios de
comunicação?! Lenha na fogueira!
Boa semana,
Fernanda
DEBATE SOBRE A MÍDIA
Quem ganha é a democracia no Brasil
Por Venício A. de Lima em “Observatório da Imprensa” (06/11/2006)
Em artigo publicado neste Observatório no dia seguinte ao segundo turno
das
eleições ["A mídia está em discussão"], argumentei que um dos
resultados do
processo eleitoral era que a grande mídia havia entrado, finalmente, na
agenda de discussão pública. E concluí afirmando que esse debate tardio
só
poderia ser bem-vindo e que quem ganhava com ele era a democracia
brasileira.
Os desdobramentos da última semana indicam não só o quanto estava
certo,
mas, sobretudo, o quanto a grande mídia e seus principais porta-vozes,
resistem e reagem a esse debate oportuno e democrático. Na verdade,
esse
comportamento não constitui nenhuma novidade.
A grande mídia – salvo as exceções que confirmam a regra – tem
historicamente se recusado a discutir com a sociedade o seu papel e
suas
responsabilidades na democracia. Além disso, seus principais
jornalistas
padecem de uma dificuldade crônica de lidar com qualquer tipo de
observação
crítica. E muitos se consideram, até mesmo, inimputáveis,
diferentemente dos
outros cidadãos brasileiros.
Sustentam essa posição no uso massivo do arsenal de sempre:
** confundem deliberadamente qualquer proposta de discussão com uma
tentativa de censura e relembram a ameaça de tempos sombrios como na
ditadura militar;
** se escondem por detrás da liberdade de imprensa – que acreditam ser
uma
simples extensão do direito individual à liberdade de expressão;
** demonizam, sem qualquer discussão, tanto a expressão “democratizar
as
comunicações” quanto as propostas para esse fim;
** desqualificam in limine aqueles que levantam a questão como
fascistas,
mentirosos, adeptos do totalitarismo e de “petistas”, como se a opção
partidária legal e legítima fosse o disfarce contemporâneo de satanás
(em
passado não muito distante, esse disfarce diabólico era atribuído aos
“comunistas”); e
** reaparece até mesmo o recurso usual à citação de apenas uma das
frases de
um longo parágrafo de Thomas Jefferson, do século 18 [ver "Anotações
sobre
Jefferson e a imprensa"].
E tudo isso em nome e em defesa da democracia liberal.
Novos tempos
São várias as razões para essa atitude generalizada da grande mídia. A
primeira, claro, é que apesar de suas divergências internas ela age de
forma
homogênea quando se sente ameaçada. Desde a fundação da Abert, em 1962,
e da
ANJ, em 1979, temos visto esse filme um sem-número de vezes.
Mas existem alguns fatores novos para os quais os recursos do velho
arsenal
não surtem mais o efeito desejado pela grande mídia.
A análise arguta do jornalista Carlos Castilho neste OI – apesar de não
concordar com a sua adjetivação – ajuda a compreender parte do que está
acontecendo ["O leitor patrulheiro assusta editores" e "O novo papel
das
audiências"]. Referindo-se à possibilidade de resposta que o jornalismo
online e os blogs oferecem ao leitor, Castilho lembra que esse fato
novo
rompe com uma característica constitutiva da velha comunicação de
massa,
isto é, a sua unidirecionalidade. Até recentemente a mídia “falava” e o
leitor/espectador/ouvinte “escutava”, passivo. Essa situação está
mudando
rapidamente – sobretudo, mas não só – em relação ao reduzido universo
de
leitores de nossa mídia impressa. Diz ele:
“O patrulhamento [dos leitores] rompe, pela primeira vez na história da
imprensa, com a tradicional unidirecionalidade do fluxo informativo.
Até
agora, quase toda a informação fluía dos tomadores de decisões e
formadores
de opinião, através dos jornalistas, até o público, cujo poder de
retroalimentar o circuito informativo era muito limitado. O rompimento
ocorre em circunstâncias traumáticas, especialmente para os
jornalistas, que
passam a se sentir encurralados e hostilizados por uma massa de
leitores que
estraçalha reportagens e comentários com um ímpeto também inédito na
história do jornalismo brasileiro.”
Com pouca ou nenhuma experiência prévia de serem diretamente
interpelados
por suas reportagens ou análises, os principais jornalistas e
colunistas da
grande mídia estão encontrando sérias dificuldades de se adaptar aos
novos
tempos. Quem está do outro lado agora é um leitor, cada vez mais ativo,
que
não é mais um “mudo” hipotético e ausente, mas alguém que também quer
ter a
sua voz ouvida. A coluna “Começou mal” de Eliane Cantanhêde (Folha de
S.Paulo, 2/11) constitui um exemplo claro dessa nova situação.
Juiz supremo
Mas há um segundo fator, decorrente do anterior, que parece ainda mais
importante. Existe um número cada vez maior de leitores que têm acesso
a
pontos de vista discordantes daqueles predominantes na grande mídia e,
mais
ainda, que podem verificar, direta ou indiretamente, a veracidade da
informação que está recebendo.
Não basta que uma nota indignada de jornalistas da Rede Globo de
Televisão
["Em defesa da correção profissional"] acuse a “mentira covarde e
desonesta
de um certo grupo de detratores” com relação à cobertura do acidente do
avião da Gol. Milhares de telespectadores assistiram em outros canais
ou
leram a notícia em sites na internet, muito antes de ela aparecer na
telinha
da Globo. E os próprios telespectadores fazem o seu julgamento.
Não basta que a Central Globo de Jornalismo ainda chame de mentirosos
observadores e críticos da cobertura que a Rede Globo fez do comício da
Praça da Sé, pela campanha das Diretas-Já, em janeiro de 1984. Além da
memória pessoal que muitos guardam dos fatos, existem sites, livros e
artigos onde o assunto é discutido e, ademais, são divulgadas
entrevistas e
depoimentos de pessoas diretamente envolvidas no caso que são
acessados/lidos por milhares de pessoas. E são essas pessoas que
decidem
quem é mentiroso e quem não é.
É exatamente esse o fator novo, fundamental: o aparecimento histórico
de uma
nova consciência cidadã que não se contenta com umas poucas fontes
oligopolistas de informação e tem condições de buscar – e até mesmo de
criar
– fontes alternativas.
Quando o diretor-executivo da Central Globo de Jornalismo escreve que a
grande imprensa “vive de sua fidelidade aos fatos, sua credibilidade
vem
daí. Trair esse compromisso é comprometer o próprio futuro. A grande
imprensa sabe disso” (cf. “Nem milagres nem bruxarias”, O Globo,
31/10/2006,
pág. 7-A), ele está certo. Faltou apenas acrescentar que o juiz supremo
da
credibilidade da mídia é o leitor/espectador/ouvinte. E é este
leitor/espectador/ouvinte que está fazendo valer seu julgamento –
independente do que pensam os autoproclamados “formadores de opinião” –
não
só em relação à mídia, mas também em relação às opções políticas que se
colocam historicamente à sua frente.
Credibilidade em questão
Em pelo menos dois artigos anteriores publicados neste Observatório, em
fevereiro e março deste ano ["Revisitando o poder da grande mídia" e "O
silêncio suspeito da grande mídia"], tratei do que agora reaparece como
“micromobilização estrutural” (cf. Walder de Góes, “Micromobilização
estrutural”, Correio Braziliense, 2/11/2006). Afirmava naquela ocasião
(OI
nº 370) que:
Feitas (…) as necessárias adaptações às circunstâncias de nossa
realidade,
há de se constatar um fato fundamental: o inegável fortalecimento da
sociedade civil brasileira. Ao contrário do que ocorreu em outros
países da
América Latina, entre nós, esse processo vem se desenvolvendo desde o
período autoritário e, sobretudo, nos últimos 15, 20 anos. Como
desconhecer
o enorme crescimento das ONGs e das inúmeras maneiras de organização
dos
movimentos sociais?
Registre-se, por exemplo, as diversas formas de participação popular
institucionalizadas pela Constituição de 1988. Nos últimos anos – sem
que a
grande mídia considerasse o fato digno de ser noticiado – foram
criados,
reestruturados e ampliados vários conselhos e realizadas conferências
municipais, estaduais/regionais e nacionais, mobilizando milhões (isso
mesmo, milhões) de cidadãos para discutir e propor políticas públicas
em
setores como Políticas Urbanas, Meio Ambiente, Direitos da Criança e do
Adolescente, Segurança Alimentar e Nutricional, Esporte, Direitos
Humanos,
Saúde, Igualdade Racial, Ciência & Tecnologia e Inovação, Cultura e
Saúde do
Trabalhador. Tudo isso sem mencionar as diversas experiências de
orçamento
participativo implantadas em prefeituras municipais pelo país afora.
A construção hegemônica – e, portanto, também a contra-hegemônica –
passa
cada vez mais pelas mediações da sociedade civil organizada. A mídia –
o
mais onipresente e poderoso dos aparelhos privados de hegemonia – sofre
cada
vez mais as mediações das organizações da sociedade civil.
O que isso significa?
Na medida em que aumenta o feixe de relações sociais ao qual o cidadão
comum
está interligado, diminui o poder de influência direta da grande mídia.
Há
cada vez mais mediações entre o conteúdo da grande mídia e a forma de
seu
“consumo” pela maioria da população.
Esse é o fato novo, fundamental. E é por isso que a credibilidade da
grande
mídia entrou definitivamente em questão.
Em nome da pluralidade
O Brasil está mudando. As novas tecnologias de comunicações estão
mudando. A
pluralidade e a diversidade de informações, pelo menos para aqueles que
têm
acesso direto e/ou indireto à internet, é um fato. E a grande mídia
terá que
se adaptar à nova situação para manter alguma credibilidade e
sobreviver.
Debater a construção de um sistema alternativo de mídia pública, os
velhos
oligopólios, a propriedade cruzada, a relação da mídia com as
oligarquias
políticas no Congresso e fora dele – é uma dívida histórica. Aprovar um
novo
marco regulatório que contemple a revolução digital e a convergência
tecnológica – é uma exigência democrática. Buscar a complementaridade
dos
sistemas privado, público e estatal de radiodifusão – é o que manda o
artigo
223 da Constituição de 1988.
O debate sobre a mídia – seu papel e suas responsabilidades – chegou
para
ficar. Independente da resistência e da reação da grande mídia. Está em
jogo
a construção de uma mídia verdadeiramente plural e diversa que priorize
o
interesse público. E quem ganha com esse processo é a democracia no
Brasil.
Agosto 15, 2007 at 9:42 pm
…QUANDO A LUA UIVA SUA SOLITUDE LUPINA…
E esta loba isolada uiva de gosto pelas idéias doidas que David vomita…
E o vômito que cai frutifica a terra e deixa ver, a quem olhos de ver não tem, a ferocidade de ser vero, de ser ELE versus ELE, sempre. Nunca um ELE disfarçado, obscuro ou dissimulado, mas ELE nu, verdadeiro, sem disfarce.
Por essa verdade, amo esse David feroz…