Cigarros, Poluição e Drogas

agosto 4, 2009

Eu não fumo. Mas não tenho raiva de quem fuma. E deixo claro que não pretendo fazer neste artigo a apologia do cigarro. Mesmo porque cigarro faz mal à saúde. Mas a lei que proíbe fumar em locais fechados, públicos ou privados é fascista. Lugares públicos, vai lá. Ou que um restaurante ou um bar proíba fumar, é admissível. O que é inadmissível é que o proprietário de um restaurante ou bar que admita fumantes em seu estabelecimento se veja obrigado a proibir o cigarro. É um direito que o assiste permitir fumo em seu local. O correto seria um cartaz: aqui não é permitido fumar ou aqui é permitido fumar. O cliente faria a sua opção na entrada. Mas impingir uma lei que obrigue um dono de bar ou restaurante a proibir o uso do cigarro em seu próprio espaço é simplesmente uma medida antidemocrática. Abertamente fascista. Bem de acordo com o modelo norte-americano. Por que essa neurose contra o cigarro? Por que esse fanatismo típico dos EUA que não é nem mais nem menos que mais uma cruzada fundamentalista? Mais uma imitação dos nossos “amiguinhos” do norte do Hemisfério. Mais um modismo importado da “fucking America” como os salgadinhos tipo isopor salgado, os fast foods, os refrigerantes, as palavras em inglês que avacalham a língua portuguesa e outros lixos modernosos incluindo os culturais. Por que não escolhemos um país mais avançado para imitar? Os EUA são tão atrasados socialmente que nem saúde pública eles têm. Tão atrasados que ainda têm pena de morte. O país mais cristão do mundo é o maior produtor de pornografia e o maior consumidor de drogas. Mas voltando ao tema do atentado contra a liberdade que é essa campanha antitabagista, por que o governo estadual (e por extensão o federal) não se ocupa e preocupa com assuntos mais pertinentes, mais importantes, com problemas mais urgentes e graves do que o uso do cigarro? Por que não institui multas bilionárias (e não milionárias) para industrias que poluem o ar, os rios e o mar? Ou então ordena o seu fechamento? Isso sim é importante. Primordial. Premente. Urgente. E por que os babacas que tanto alardeiam o antitabagismo não deixam os seus carros na garagem e se locomovem de ônibus ou metrô para diminuir a poluição em vez de achar normal continuar engolindo toneladas de monóxido de carbono? Por que não exigem energia limpa para os seus veículos? Por que não se organizam para invadir as indústrias que poluem? Por que não saem às ruas, arregimentando o povo e arrebentam tudo no caminho, se for o caso, para mudar as coisas? Porque as coisas podem ser mudadas. Basta querer. Basta ser íntegro e honesto. E lançar ultimatos, entre outras ações, contra as corporações que poluem para reverter as coisas. Poluímos, em todos os sentidos, porque queremos. Se o consumismo, esse totalitarismo do século XXI, esse fascismo disfarçado, essa praga do neoliberalismo que assola e destrói o Planeta, esse horror resultante da cobiça oficializada, essa maldição com o seu pesadelo de lixo (literalmente falando), fosse freado, as condições ambientais melhorariam. Mas não. Isso seria utópico. O que importa é ganhar mais e mais. O que conta é a obsessão de lucro a todo custo. E Planeta que se estrepe. Ser ecologicamente consciente – como qualquer cidadão honesto deveria ser – é algo ligado à ética, o que absolutamente não interessa. Algo que fere os interesses criados. Portanto, bombas no sistema. Não é o cigarro que polui o Planeta. São as indústrias que poluem. E os veículos. E a devastação das áreas verdes. E o consumismo. E a ambição desenfreada de lucro. Haja pois paciência para aguentar a cretinice dessa ridícula campanha antifumo. Isso sem contar que esses alienados que não fumam se entopem de todo tipo de drogas. Das legais e das ilegais. Aliás, por falar em drogas, por que o governo não acaba com a violência das drogas? Não combatendo o tráfico. Mesmo porque todo mundo sabe que não é assim que o problema vai ser resolvido. Mas legalizando-as. Como outros países já fizeram. Porém, legalizá-las seria coisa de gente honesta. E hoje em dia tem de ter peito para ser honesto. E digo honestidade porque a droga não se legaliza simplesmente porque praticamente todas as instituições estão com o rabo preso. Envolvidas, direta ou indiretamente com o lucrativo negócio. Qual seria então a razão para não legalizá-las? É óbvio que as altas esferas não querem o fim do esquema, da mamata. E têm a petulância, a desfaçatez de alegar, hipocritamente, que a legalização das drogas seria algo imoral. Como seria também imoral, para esses fariseus, a legalização da prostituição, como já foi feito em outros países. Mas que cinismo, que hipocrisia, falar em imoralidade. E insisto, não se fala em imoralidade por ingenuidade ou ignorância. Mas por hipocrisia. Por perversão. Para não desfazer todo um esquema de interesses fortemente estabelecidos. Uma máfia cujos tentáculos se estendem por todos os setores da sociedade. E com a qual ninguém tem interesse em mexer. As caçadas policiais são apenas encenações para embromar a opinião pública. Só que ninguém é bobo. Chamar a legalização da drogas de imoralidade! Imoralidade e atraso de terceiro mundo são os vícios corruptos que se alastram há cinco séculos no País. Como o coronelismo. O nepotismo. O clientismo. O trabalho escravo. A isenção de impostos das instituições religiosas – verdadeiras indústrias da religião. E a corrupção de modo geral. Todos disfarçados de jeitinho, esse câncer do Brasil.

31-07-09

R.Roldan-Roldan é escritor

Publicado no jornal “Correio Popular” de Campinas a 4 de agosto de 2009

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2 Respostas to “Cigarros, Poluição e Drogas”


  1. Oi, Roldan! Gostei muito do texto, concordo em partes e descordo em outras. Uma das vantagens em se “proibir” os cigarros em lugares públicos fechados (que é onde ele é mesmo proibido) é que é pelo menos uma tentativa de reduzir algumas doenças respiratórias causadas por ele. Aponta-se o cigarro como um dos responsáveis pelos grandes gastos que se tem com saúde hoje em dia. O governo gasta muito para manter leitos de hospitais tratando fumantes (ativos e passivos). Talvez essa estratégia não tenha sido a melhor, mas já é um primeiro passo.

  2. Rafael Roldan Says:

    Dizem que quem alimenta o mercado de drogas são os consumidores das mesmas. Isso é verdade no nível superficial.

    Mas ninguém nunca se pergunta porque o ser humano busca esses paraísos artificiais desde sempre. Esse pessoal moralista está se lixando para os usuários.

    Acham que essa guerrinha resultará em algum benefício. Só se for de quem lucra sem pagar impostos e sem dar a cara a tapa!


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