Cartas a um Filho em Coma

abril 17, 2011

CARTAS A UM FILHO EM COMA


R.Roldan-Roldan

(David Haize)

Publicado pela Editora Komedi

Julho de 2013

ISBN 978-85-7582-686-7

1.Cartas brasileiras I.Título.

13-06824       CDD-869-96

 

Este livro está disponível na Amazon e-books


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cartas a um Filho em Coma

 

Aos meus queridos amigos, que tanto me

  apoiaram moral e materialmente,

com profunda gratidão.

Le temps d´apprendre à vivre il est déjà trop tard

(Apenas o tempo de aprender a viver e já é muito tarde)

Louis Aragon (in Il n´y a pas d´amour heureux)

No Hospital

I

 

         Filho amado,

Decidi te escrever. Mesmo que você não responda. Por que escrever a um filho em coma? Poderia dizer que é para preservar a memória. E deixar um testemunho de uma experiência dolorosa. Ou seja, se eu morrer antes de você acordar – porque tenho certeza de que você vai acordar – você poderá ler o que vivi e senti durante esse período em branco (ou em negro) da minha vida. Mas não é isso, não. Talvez a coisa seja mais simples. Menos romanesca. Sou escritor. Intensamente escritor. Visceralmente escritor. E você sabe disso. E como sou absolutamente escritor, vivo em função da escrita. E minha existência gira em torno da literatura. Neste caso pouco importa o que escrevo. O que conta é que a literatura é meu alimento, não só intelectual (e esta palavra não me intimida, não, pois em mim é genuína), mas espiritual, já que não professo nenhuma doutrina nem disponho de deuses ou de Deus a quem apelar quando intermitentemente naufrago no oceano do absurdo que é o existir. E é para deixar de existir e passar a viver que abraço o verbo escrever. E, claro, você me conhece, não vá pensar que um dia talvez eu leia algumas destas eventuais cartas, em palestras, a pais e mães vivendo uma situação similar à que eu estou atravessando, para ajudá-los a tocar o barco para frente e lhes dar um exemplo de “coragem”, “abnegação” e “superação” – entre aspas mesmo, pois não acredito que eu possua essas virtudes. Palavras gastas. Ou baboseiras. Ou mitificações. Como quiser. Sim, porque eu não minto. E se alguns amigos acham que tenho muita calma e coragem, é porque não sabem que à noite, quando estou sozinho, choro como uma criança desamparada. E, na solidão da minha dor, me desespero. Sem gritar. Sem quebrar nada. Sem chamar ninguém. Em silêncio. E chego a implorar… Mas deixa para lá. Um outro dia eu te falo disso. E durante o dia, não que eu coloque uma máscara – porque não preciso representar para ninguém –, mas não gosto de dar shows gratuitos de derramamentos ou sessões lacrimogêneas, como você preferir. O fato de eu não ser zen, de ser um vulcão, não me isenta de um certo pudor de exibir a convulsão da minha dor. Acho que devemos ter uma postura digna em qualquer momento da vida. Seja qual for.

É só por hoje. Pouco, né? Falta de energia. O gás anda curto com essa tensão constante. Com esse terrível esperar pelo teu acordar. Quando você despertar, vai ser uma festa. Vou convocar os amigos e vou encher a cara. Ah, meu filho, não se faça esperar muito. Volte logo. Que eu não sou tão forte assim. Nem tão jovem. Sim, o cansaço já se faz sentir. O combustível da alma anda escasso. Mesmo para escrever. Mas redigir esta primeira carta me fez muito bem.

Um beijo.

Teu pai

P.S.: Te escrevo um mês após tua internação – antes não dava. Sim, te escrevo a primeira carta um mês após você entrar em coma.

II

 

         Meu filho amado,

No dia do teu acidente, 22 de março, teu irmão me telefonou por volta das 17 horas: pai, meu irmão caiu da moto e foi para o pronto socorro, mas está tudo bem, ele está consciente; vou passar e te apanhar para irmos ao hospital. Minha primeira reação foi de irritação: porra, eu tinha te avisado: não compre moto, economize e compre um carrinho. Mas, fora a irritação, eu estava calmo: afinal de contas, era apenas uma queda. Nada grave – pensava eu. Quando chegamos ao hospital, já tinham te prestado os primeiros socorros. Entrei primeiro – só podia entrar uma pessoa por vez. Mas antes de entrar ficara sabendo do realmente ocorrido. Teu irmão me contou que você não caiu da moto, mas bateu contra a roda traseira de um caminhão. O caminhão estava errado. Teu irmão não me disse de cara o que de fato houve para não me assustar. Assim, quando entrei no teu quarto coletivo, estava calmo como já disse – eu diria que até frio, não fosse a irritação. Aproximei-me do leito. Por segundos fiquei imóvel, sem pronunciar uma palavra. Achava que não era hora de te fazer ouvir um sermão. Então você me cumprimentou: oi “couillon”. Couillon, que significa babaca em francês, era, no caso, não uma palavra ofensiva, agressiva, mas, muito pelo contrário, um termo ao qual você dava uma conotação carinhosa. Respondi, meio seco: oi. Sem te tocar. Depois, para minha surpresa, você me pediu em francês: “bisou” (beijo, beijoca). Dei-te um beijo, sem dizer nada. Após o que, para surpresa maior ainda, você me pediu perdão em francês: “pardon”. Aí, a coisa mexeu comigo. Respondi, em francês: descanse agora. E saí do quarto para que teu irmão entrasse. Meu estado emocional tinha se alterado. Não estava mais irritado. A tristeza me invadia. Mas ainda não havia preocupação. Pois você estava consciente e, embora com pernas e braços fraturados, estava bem. Pelo menos aparentemente. Sim, teu pedido de um beijo e de perdão tinha me sacudido. Por que em francês? Porque assim era mais fácil de eu te perdoar, já que você sabia que eu gostava que você me dirigisse a palavra em francês? Ou seja, uma pequena chantagem como se você tivesse voltado a ser criança? Ou por que, em teu estado todo estropiado, você regredia e voltava a ser o menino que precisava da ajuda, da proteção, do carinho do pai para te amparar? Desse pai francófono que te falava em francês quando você era pequeno, embora a maioria das vezes você respondesse em português e eu, claro, nunca exigisse a réplica em francês. Era isso? Seja o que for, nunca esquecerei na minha vida essas tuas palavras na língua em que fui alfabetizado. Palavras que foram fundo no meu peito, no hospital. Palavras que desarmaram a irritação e me emocionaram duplamente. Mesmo porque, uns dias antes, numa discussão por causa da moto, eu te disse, ríspido: muito bem, espero que você não deixe tua namorada viúva e teu filho – que vem vindo – órfão. E essas minhas palavras duras agora me deixavam um mal-estar próximo do sentimento de culpa.

Horas depois, de madrugada, num outro hospital para onde você foi transferido por causa do meu plano médico (que inclui você), você era submetido a uma cirurgia nas duas pernas e no braço esquerdo. E aí você afundou. O coma. O drama. O início da fase mais angustiante de minha vida. Começava o pesadelo que faria com que eu nunca mais fosse o mesmo.

Um beijo.

Teu pai

III

 

         Filho amado,

Quando te vejo pela primeira vez na UTI, todo intubado e com os membros engessados além da perna direita cheia de ferros que parecem uma torre Eiffel hospitalar, levo um (digamos quase) choque. Algo brutal, por assim dizer, me chacoalha da cabeça aos pés. Mas permaneço, como de hábito em ocasiões dramáticas, sereno. Uma serenidade, inerente a minha pessoa, que me espanta. Só sei que, com o passar dos dias, está me vindo, não sei de onde, uma infinita paciência. Uma inquebrantável esperança. Uma humilde aceitação do ocorrido com teu corpo, com tua mente. Um apagar-me total para ser apenas espera. Espera pela tua volta. Pelo teu despertar. Todo dia, na UTI, meia hora de manhã e meia hora à tarde – os outros dois períodos de 30 minutos, que completam a visita matinal e vespertina de uma hora, são para tua mãe – te falo. Te falo. Te falo de nadas. Pequenos nadas cotidianos. Fulano ligou e mandou um abraço. Fulana ligou e mandou um beijo. Todos rezam ou torcem pela tua recuperação. E me lembro do filme Fale com Ela, de Almodóvar. E me digo que preciso continuar a te falar. E noto que você me ouve. Que há uma percepção quando te falo. Não sei até onde vai essa percepção. Esse teu detectar a voz do teu pai. Sim, há uma comunicação. Mesmo que você não saiba o que estou dizendo. Mesmo que você não entenda o que significam minhas palavras. O que posso afirmar é que você reconhece minha voz e reage. Os aparelhos acusam essa tua reação. Tua pressão sobe. Teus batimentos cardíacos aceleram. Embora você permaneça imóvel. E uma emoção muito forte me invade. Uma emoção que me abala. Você me ouve e sabe que sou teu pai. Teu pai te falando. E te digo o que nunca disse. O que os homens não costumam dizer aos filhos (foi o que aprendi com meu pai) porque é algo que está subentendido, logo, não precisa ser frisado. Eu te digo: eu te amo, filho, e você é o ser mais importante da minha vida. E te digo e repito: filho, eu te amo mais do que tudo no mundo.

Sim, eu costumo gelar nessas ocasiões graves da vida, nessas horas de impacto. Gelar no bom sentido. Não choro. Meus olhos nem sequer ficam marejados. Nem uma palavra. A mente pára. Para se recompor. Para domar o tumulto avassalador da emoção. Sim, a emoção pára também. De certa forma. Assim como o corpo. O corpo imobilizado. Sem o esboço de um gesto. Parece que sou um ser frio. Distante. Cerebral. Ou indiferente. Ou um ser incapaz de qualquer manifestação de emoção. E isso não é premeditado. Isso não é bancar o durão. O macho que não se abala nem perante o estado gravíssimo do seu filho. O intelectual fleumático que só se comove com as injustiças sociais. Mas que é incapaz de expressar um gesto de amor pelo seu filho. No entanto, nada mais falso do que essa fleuma e frieza aparentes. Pois é, como é que um cara absolutamente sanguíneo, visceral, emocional, impulsivo, explosivo, pode reagir de tal modo? Será minha aversão pelo histerismo, pelos derramamentos, pelo estouro da emoção em público? Como se debater-se, gritar, arrancar-se os cabelos definissem a intensidade da dor. Eu não sei, filho. Não sei por que sou assim. Sou contraditório. Apenas contraditório. Embora cultive a paixão da coerência. Mas veja bem, não estou muito preocupado com esses meus paradoxos. Apenas observo. Apenas ausculto minha alma. Sim, estudo as marés da minha alma. E minha alma, claro, é a alma do homem, quero dizer do ser humano. E por acaso existe algo mais fascinante do que o ser humano? Não. Nem mais instigante. E eu quero saber. Porque saber, como amar, afasta a morte.

Um beijo.

Teu pai

 

 

 

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Maio de 2008

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14 Respostas to “Cartas a um Filho em Coma”

  1. RACHEL DOS SANTOS DIAS Says:

    Já tenho seu livro comigo. Aguarde. Favor mudar o e-mail ou esvaziar sua caixa. Preciso me comunicar com você por aqui! Seus e-mails voltam! bj e paz Obrigada por sua sempre querida e importante presença!


  2. Haize, só posso dizer que me orgulho de te conhecer. Diria “mesmo na dor produziu tão belos textos”, mas ouso dizer que “talvez por causa da dor”.

    Pela primeira vez pude sentir algo bem mais visceral e verdadeiros que em todos os outros textos que li de você. Aí você se desnudou. Agradeço por me deixar chegar tão perto de ti, por expor teu coração dessa forma tão aberta!

    Quiçá um dia eu tenha algo assim que mereça ser expressado! Às vezes sinto que tudo já foi escrito e não me preocupo em dar continuidade, embora sinta um ser-texto querendo nascer, mesmo que me rasgue ao meio.

    Tenha a certeza que divulgo teu trabalho sempre. Infelizmente, como sou meio marginal, talvez minha divulgação não tenha amplitude nem envergadura para que alcance aqueles que com certeza apreciarão tua obra. Mas vamos tentando…!

    No que me for possível, saiba que estou à disposição sempre!

    Abraços cósmicos!

    Valeu por existir, cara!

  3. Lygia Says:

    Passei as últimas horas mergulhada nas suas cartas, eviscerada e derramada em ato reflexo, como se eu fora o seu duplo.
    Nessas horas, aboli quem sou. Aboli toda e qualquer diferença entre nós, tragada pela força intensa da sua palavra.

    Agora me deixe levá-lo, para que compartilhe comigo e se alimente de outras palavras.

    Na voz do seu autor – um slam do canadense Mathieu Lippé – http://fonds.tv5.ca//canaux/la-vie-en-slam/videos/lippe

    … Ou, se preferir, um bom fragmento do texto para sua degustação:

    Alors que s’évapore mon nectar de vie
    En gouttes de secondes salées
    Et que ma sève par mes pores avec art s’enfuit
    Sur la route des monde exhalés
    Bref alors que je sais que je vais vers ma mort
    Je sais que s’élève fort en mon for une psalmodie
    Écoute elle gronde et sort de mon intérieure vallée
    C’est une prière que je souhaite te partager
    Elle n’est pas de la bible ni du coran ni de la torah ni d’aucun livre
    Elle naît d’elle-même elle s’imbibe dans les corps en vie à tord à travers libre
    Alors que lentement se sauve l’oxygène qui nous reste
    C’est mon hurlement de fauve dans l’ignorance de mes gestes
    C’est une prière comme un geyser
    Qui ne cherche pas à donner aux autres la paix sacré
    Mais plutôt à se consacrer à se sacrer la paix une fois pour toute et sans doute
    Une prière qui se hasarde hors de tout calcul émotif
    Qui n’a pas de motif qui n’est surtout pas un temple
    Elle n’a pas besoin de pyramide parce qu’elle est amie des sapins et des ifs
    Une prière comme un courage et un affront d’être naïf
    Dans le carrousel de l’importance que l’on a donné à la gravité
    La gravité voyons donc ma prière rumine Rûmi sans nommé sont nom
    Elle chante la vie c’est de l’impro faîtes
    De votre mieux pour être votre propre prophète
    Il soufi de rester zen dans sa voie grounder la tête et le cœur en fête
    Si tu te sens si confusius c’est peut-être que Tao blié Lao-Tseu v’nait
    Trop facile de se déconnecter du raël
    Devenir des professionnels du doute
    Des pros testant la foi des autres
    Chaque apôtre attrape ce qu’il peut c’est bon aussi si t’attrape autre
    Chose que ce qu’on veut
    En fait chacun à dans son cœur un minaret
    Que ce soit Azan, les vêpres, les vedas ou un gospel qui retentisse
    Il n’y a qu’un seul mantra : Pou poum pou poum pou poum
    Une prière lisse qui s’immisce dans les interstices de l’être
    Et qui fait plisser le factice et les palisses du paraître
    Une prière aux échos de la ville d’Ys
    Rappelles toi des pays de là-bas l’or jaillissait pour rien de nos bras
    Et nos maisons n’avaient pas de porte
    Notre foi c’était en la foi elle-même nous n’en parlions même pas
    C’était il y a bien longtemps enfin j’aimerais terminer en disant
    Je ne crois pas en quelques chose j’ose croire en croire c’est tout
    Ma prière c’est oui constaté la déchéance même en moi
    Mais quand même donner semence à croire
    Que même la haine au fond d’elle même
    Elle m’aime…
    
    ©Mathieu Lippé 
    

    Deixo aqui meu beijo, meu carinho e minha admiração incondicional.

  4. Esmeralda Says:

    Nossa, quanto sentimento!

  5. Sandra Says:

    Olá! Me vi na sua pele, pois tb cuidei (e ainda estou cuidando) de minha mãe, sózinha… seu relato é intenso e me identifiquei muito nas suas palavras.
    Parabéns!

  6. Brita McCracken Says:

    RORo Gaga foi interesante leer tuas cart as,a Mariana que me enviou,quando tiver tempo me escreve! Voce teve noticias do Nunzio? Se for positivo por favor diz a ele em me escrever! FICA forte. Um forte abraco do pasado, sempre lembro os omelets da sua Mae, uma delicia! chau ate pronto Brita


  7. Oi, Roldan! Apenas hoje consegui iniciar a leitura de seu livro. Li apenas o primeiro capítulo – ou a primeira carta -, mas já deu para perceber que vem coisa muito boa e emocionante pela frente. Já guardei o livro aqui para terminar a leitura. Parabéns por mais essa bela obra!

  8. Haydée Says:

    A poetisa Maria Genny me disse ao telefone ” Me faça um carinho, procure meu amigo Roldan pois quero muito revê-lo, saber de seu filho, de seus escritos.
    Então, te achei. Ela vive parte do tempo em uma casa de repouso e a outra parte com sua filha Lidia.
    Gostaria de passar o telefone dela à vc, seria uma surpresa maravilhosa para ela. Se preferir, estarei visitando-a pessoalmente no próximo final de semana. Abraços


  9. essa carta serve de moral pra muitas pessoas que reclamam da vidas as vezes sem nenhum motivo muitas vezes passamos por problemas e achamos um absurdo mais quando vemos uma coisa dessa ja da pra perceber que realmente cada um passa pelo que tem que passar e sempre tem que ter fé e persistencia e esperança pra motivar a pessoa que precisa e a gente mesmo isso claro buscando em Deus……..

  10. davidhaize Says:

    Muito obrigado pelo seu comentário, Chaila Marjorie. Um abraço

  11. rosangela de fatima silva Says:

    Adorei, não consegui parar de ler…

  12. Ana Suzuki Says:

    Roldan, você sempre foi um um pai excelente, companheiro, amigo, mas conseguiu superar-se infinitamente. Seu instinto paternal faz vergonha a muitas mães. E hoje, 11 de maio, embora sendo o dia delas, eu escolho um pai para abraçar e parabenizar – você.

    Ana Suzuki

  13. Angelina M M Aguiar Says:

    3:31 da madrugada, acabo de ler suas cartas. Quero escrever sobre o que me causou a leitura, nao e’ possivel ser breve agora. Assim que terminar envio para voce. Um abraço, Angelina 11.07.2014


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