Comida Caseira

maio 19, 2012

Parte de
JUIZ CASADO COM FILHOS PROCURA HOMEM PARA SEXO CASUAL
(CONTOS)

Comida Caseira

Não. Assim não vai dar. Não vai dar mesmo. Desse jeito a vaca vai para o brejo. Vai acabar fodendo tudo. Porra, paciência tem limite. É uma questão de bom senso. Qualquer pessoa de bom senso vai perceber que a coisa vai feder. E vai feder feio. Falta de desconfiômetro. Falta de consideração. Eu diria que é até falta de respeito. Pois é uma invasão. É isso mesmo: uma verdadeira invasão. Puta que o pariu. Primeiro, a Freira. E, como se não bastasse, agora a Crente também. Que que é isso? A casa da madre Joana? Pau para toda obra? Pois é, é isso mesmo. Pau para toda obra literalmente falando: o pau do marido. Eu tenho que cuidar da família inteira da minha mulher. E tem mais. O outro dia fui ter uma conversa séria com a Mag sobre o assunto. E que é que ela me responde? Rando, você deveria se considerar satisfeito. Como assim, satisfeito? Querido, você não reclamava que precisava de mais sexo? Pois agora você tem o que você queria: sexo à vontade. Em vez de reclamar, você deveria me agradecer, a mim, Magnólia, sua mulher, de ter providenciado o que você precisava: mais sexo, sem ter que sair por aí atrás de sirigaita e trazer doenças para casa. E vou te dizer uma coisa: não é toda mulher que é capaz de fazer o que eu faço por você, meu marido. Não é toda mulher que é desprendida e abre mão da exclusividade sexual do marido para deixá-lo satisfeito e feliz. E tem mais: sem ciúme. Achei o cúmulo da argumentação e repliquei: só faltava você ter ciúme, né, Mag? Mas poderia ter, né, querido? Você não diz que mulher é muito complicada e contraditória? Homem é que é mal-agradecido mesmo. Eu, uma esposa fiel e trabalhadora, que trabalha fora, cuida da casa e dos filhos e que, por estar muito estressada para satisfazer o marido, providencia sexo regular e seguro para ele da maneira mais desprendida que se possa imaginar, sou obrigada a ouvir reclamações do meu marido que nunca está satisfeito com o que tem. Magnólia, não é por aí. Eu nunca fui de reclamar. Sempre aceitei tudo de você. Só que nem oito nem oitenta. Você passava semanas e semanas sem dar para mim. E agora praticamente sou obrigado a comer a Hortênsia (exagero meu porque eu estava gostando de comê-la) e, porra, a Begônia também vem morar conosco. Querido, você não é obrigado a comer a Tênsia e a Begô vai morar na edícula. E a conversa ficou por isso mesmo. Na realidade eu não me casei com a Maria Magnólia, casei com sua família inteira. Todo santo domingo era macarronada na casa dos sogros. Todo Natal era jantar e almoço na casa dos sogros. Todo domingo de Páscoa, almoço na casa dos sogros. Todo aniversário do sogro, festa na casa dos sogros. Todo aniversário da sogra, festa na casa dos sogros. Porra, haja saco para aguentar. Olha, eu sou um cara muito simples. Um homem caseiro. Boa índole. Pacato. De família humilde. Eu me formei engenheiro agrônomo porque um tio-avô, meu padrinho, me pagou os estudos. Se não fosse por ele, não teria tido meios para estudar. Tenho um bom emprego e ganho bem. Gosto muito da minha mulher e dos meus dois filhos. Sou corintiano. Gosto de bater uma bola. De um bom churrasco e de cerveja. E de meter. Não fumo. Não saio com mulher. Só tomo cerveja com os amigos depois da pelada. Minha vida seria um mar de rosas não fossem duas atitudes da Magnólia. A primeira é sua família. Mulher é bicho gozado. Casa e fica grudada nos pais. E isso acaba atrapalhando a relação com o marido. Mulher quando casa deveria se conscientizar de que formou um novo núcleo familiar e que tem que sair da barra da saia da mãe. Mas a Magnólia nunca entendeu isso. É boa esposa. Trabalha fora, cuida da casa e dos filhos – até aí, tudo bem – mas também cuida da família dela. E, a verdade seja dita, descuida do marido. Descuida do marido no sentido que não trepa comigo tanto quanto eu gostaria. Às vezes ela passa até dois meses sem abrir as pernas para mim. E, todo homem sabe disso, é foda ficar sem foda. Como diz o povo, a porra soube à cabeça e eu fico nervoso. Estou cansado de bater punheta. Para que tenho mulher então? Para ficar batendo bronha?  Juro por Deus que na primeira oportunidade vou pular a cerca. Para falar a verdade, eu não traio minha mulher por preguiça. Dá muito trabalho procurar mulher por aí. E acaba dando problemas. A fulana acaba grudando e às vezes acaba com o casamento. Eu sei como é. Já aconteceu comigo. E tenho amigos nessa situação. O que não dá problema é puta. Meter, pagar e tchau. Mas eu não curto sair com puta. Não tem graça. O homem gosta da conquista. Pelo menos eu gosto. Mas com a Magnólia não dá. Não dá porque ela não me dá. Está sempre cansada. Com dor de cabeça. Ou com enxaqueca. Ou com muito sono. Ou menstruada. E eu acabo tendo que dar um trato no pau para sossegá-lo e poder dormir relaxado. Uma noite em que ela se recusou, eu fiquei tão puto que disse: olha aqui, Magnólia, é a última vez que eu peço para trepar comigo, mas pode ter certeza de que sem mulher eu não fico, pois eu não tenho pau só para mijar. Ela não respondeu nada. Mas deve ter pensado no assunto. Pois uns dais depois ela me veio com uma solução. Ou o que ela achou que era uma solução. É claro que na época eu não percebi que era uma “solução” (entre aspas mesmo). Ela chegou toda meiga e propôs: Randinho (meu nome é Randolfo, mas ela me chama de Rando ou Randinho), preciso falar com você. Fala, Mag. Sabe, minha irmã Maria Hortênsia? Sei, a Tênsia, a Freira. Ela não é mais freira faz muito tempo, pare de chamá-la de freira. Que é que há com ela? Ela está muito triste depois da morte dos meus pais e não quer mais ficar naquela casa sozinha. A casa poderia ser vendida e ela vir morar aqui conosco. Queria saber se você aceita a coitadinha, tão sozinha, sem marido, sem filhos, sem namorado e agora sem pais. Ela não vai atrapalhar nossa vida. Ela moraria na edícula – afinal de contas a edícula tem dois cômodos, cozinha e banheiro e está praticamente vazia. Puta que o pariu, pensei. E eu que achava que depois da morte recente dos meus sogros – morreu ela e uns meses depois ele – estava finalmente livre da família da minha mulher… Agora vou ter de aturar a irmã. A Tênsia. A ex-freira. A solteirona. Virgem, ao que parece, até agora. Fazer o quê? Ia falar que não? Tá bom, Mag, mas eu não quero a Tênsia na minha casa. Ela que fique na edícula sem invadir nosso espaço. E assim a Freira veio morar conosco. A mais velha das três irmãs, quase cinquentona, quieta e sem graça – a não ser a bunda, bastante apetitosa. Passou quase vinte anos num convento. Aí resolveu sair, depois dos quarenta. A Magnólia diz que ela nunca deu. Que está lacradinha da silva. Passaram-se umas semanas. A coitada da Tênsia era tão discreta que a gente esquecia que ela morava nos fundos. Até que um belo dia a Magnólia veio falar comigo. Sabe, Randinho, estou muito preocupada com a Tênsia. Que é que tem a Freira? Randinho, não a chame de Freira, faz tempo que ela deixou de ser freira. É, Mag, mas ela continua com jeito de freira. Que aconteceu com ela? Ela continua virgem com quase cinqüenta anos. E daí? E daí que a virgindade pode dar câncer. E daí? Ela que procure um macho para tirar o cabaço. Ai, meu bem, que jeito de falar. Que falta de sensibilidade da sua parte. Os homens são todos iguais. Você acha que é fácil para ela, uma mulher que sempre viveu reclusa e submersa na religião, sair com um homem? Para vocês, homens, tudo se resume a introduzir o membro. Você sabe muito bem que nós, mulheres, somos diferentes. E como eu sei, eu sei muito bem, que mulher é diferente e complicada. Randinho, não seja irônico. Eu estou falando sério: não é fácil para a coitada ir para a cama com um homem. Bom, Mag, o problema é dela. Ela que se vire. Que é que a gente pode fazer? Foi uma opção dela ser freira e agora não ser capaz de arranjar um macho e levar uma vida normal. Mas ela tem uma vida normal. Não, Mag, ela não tem uma vida normal. Ficar sem trepar a vida toda não é uma vida normal. Mas enfim, eu não tenho nada a ver com isso, o problema é dela. Mas ela é minha irmã, Randinho. E eu com isso? O que você quer que eu faça? Que tire a virgindade dela? Exatamente. O quê? Eu não acreditei no que estava ouvindo da minha própria mulher. Com os olhos arregalados, perguntei: Magnólia, você está me propondo que eu deite com tua irmã? Estou. A pobrezinha é virgem. Morre de medo de homem. Mas ela vai aceitar você. Como é que você sabe que ela vai me aceitar? Porque eu já falei com ela. Já a preparei. E ela aceita deitar com você. Só com você. Porque você é da família e ela te respeita muito. E para você é fácil, você é um homem. Não custa, né, meu amor? Magnólia, se eu, teu marido, comesse tua irmã, sem você saber, e um dia você viesse a descobrir, você diria que sou o maior cafajeste, o maior filho da puta na face da Terra. Mas, querido, ninguém está traindo ninguém. É simplesmente um acordo. Depois de deflorada, talvez  ela crie coragem para arrumar um namorado. Meu bem, é uma questão de generosidade. De generosidade, né, Magnólia? Sim, Randinho, de generosidade, de caridade cristã. Você vai apenas abrir o caminho. Tenho certeza de que ela vai gostar de sexo – você é um homem experiente na cama e será paciente com ela – e ela vai querer encontrar um companheiro. E se ela gostar de mim? Bem, querido, é um risco. A vida é feita de riscos. Ela pode vir a se apaixonar por você. Mas você não vai se apaixonar por ela. Como é que você sabe? Porque ela não é o tipo de mulher pela qual você se apaixonaria. Você está muito segura de si, de onde te vem tanta certeza? Porque eu te conheço, Randinho. E você não ficaria com ciúme? Não, não vou ficar com ciúme. Ficaria se você arrumasse uma mulher fora de casa, uma desconhecida. Mas minha irmã não é nenhuma ameaça, mesmo porque eu a conheço bem. É o desconhecido que assusta e que nos deixa inseguros. E foi assim que tirei o cabaço da Freira. Só que acabei gostando de comer a cinquentona. E passei a meter com ela toda semana, regularmente. Com o consentimento tácito da minha legítima esposa que, acho eu, se desincumbia em parte da obrigação de seus deveres conjugais na cama. Assim, Magnólia trepava comigo quando lhe apetecia. E eu não brigava mais com ela por falta de sexo. Já que minha cunhada Hortênsia mantinha minha libido apaziguada. Eu não estava apaixonado pela Tênsia. Mas a Freira era uma bela foda. Coitada, passou tantos anos sem sexo que quando o descobriu, ficou alucinada. E eu não precisei de muita paciência, não. A mulher virou uma fera na cama depois de algumas metidas. E ela gemia só de pegar no meu pau. E gritava tanto na hora de gozar que me via obrigado a tapar-lhe a boca para ela não acordar a casa inteira – mesmo estando na edícula. Na hora do orgasmo ela invocava Nossa Senhora e alguns santos dos quais era devota. Ai, minha Nossa Senhora, vou gozar! Ou ai, Virgem Santa, vou gozar! Ou ai, meu santo Antônio, não aguento mais! Ou ai, meu são Francisco, vou gozar! Ou ai, meu são Benedito, não aguento mais! Aos poucos fui vencendo todas as resistências. Sexo oral e anal. E assim ela chupava e era chupada. E passou também a gostar de ser enrabada – o que nunca fiz com minha mulher. Ensinei-a também a falar palavrão durante as metidas. E ela aprendeu bem a lição. Gosto do caralho do meu cunhado na minha boceta. Ou gosto do caralho do meu cunhado no meu cu. Ou enfia, meu macho, enfia tudo até os colhões. Ou me racha o cu, meu macho, que eu adoro. E assim por diante. E assim foi passando o tempo. A Freira foi de fato incorporada à família e ela passou a ficar mais tempo em nossa casa do que na edícula. Fui me acostumando à nova situação e não tinha nada a reclamar. Duas vezes por semana visitava a Tênsia no seu quarto, na edícula. Mas não passava a noite toda. Antes do amanhecer voltava para minha cama, com a Magnólia, por causa dos meus filhos, para não levantar nenhuma suspeita. Mas meu filho percebeu. E um dia, sem mais nem menos, tocou no assunto. Pai, você está comendo a tia Tênsia? Que que é isso, rapaz? Olha o respeito! Pai, tenho 18 anos, sou maior de idade. E daí? O fato de ser maior de idade não te dá o direito de desrespeitar teu pai. Mas que desrespeito, pai? Perguntar não é falta de respeito. Perguntar não ofende, pai. Estou falando de homem para homem, pai. Larga mão de me tratar como criança, pô. E pode ficar sossegado que não vou contar nada para a mãe. Sou homem e sei como são essas coisas. Faz tempo que estou comendo mulher. Desde os 14 anos. Para mim, facilitou, soco o nabo. Não perco tempo. Não penso duas vezes. Não vou deixar para outro comer. Essas garotas hoje em dia só pensam em meter. Dão que nem galinha. E se você não comer, te chamam de veado. Mas não tem nada, não, pai. Não quer falar, não fale. Pensei que você fosse meu amigo. Eu não estava bravo com meu filho Gustavo – um garotão saudável, mais alto e mais forte do que eu, que parecia um jovem de 25 anos. Estava apenas surpreso com a ousadia da pergunta. Uma pergunta que com certeza eu nunca teria feito ao meu pai. E ocorreu-me, com uma certa saudade, que eu não tinha mais um menino na minha frente, mas um homem. Durante uns segundos fiquei absorto, em silêncio. Gustavo perguntou: que foi, pai? ficou chateado com a pergunta? Teria gostado de lhe dizer: não estou chateado, não, mas vem dar um abraço ao teu pai. Mas eu sempre tive dificuldade de deixar aflorar certas emoções. Limitei-me a perguntar: o que te faz pensar que estou comendo a tia Tênsia? Pai, a tia Tênsia faz um barulhão quando está metendo. Aí pensei, a primeira vez que ouvi: caralho, a tia Tênsia parece que está fodendo. Aí pensei: ela deve ter arranjado um macho só para trepar – porque eu nunca vi a tia com namorado. Mas dá para ouvir o barulho desde teu quarto? Claro que dá, pai. A janela do meu quarto fica em frente da janela do quarto dela na edícula. E ela grita mesmo. Gustavo tinha razão: a Freira grita mesmo quando está gozando. Além do mais, pai, uma noite que cheguei de madrugada em casa, vi você saindo da edícula. Aí, pensei: o filho da puta (com todo meu respeito, pai) do safado do meu pai tá comendo a tia Tênsia. E ri, pai, ri e pensei: o velho faz muito bem, deve ter tirado o cabaço da solteirona. Pai, eu entendo, não estou censurando você. E sabe porque eu entendo? Porque tenho uma vara, como você, entre as pernas. E tem uma coisa, pai, eu posso ser muito jovem, mas não sou burro e tenho muita experiência com mulher. E descobri uma coisa, pai, é a vara que manda na cabeça do macho. Pode ter certeza. Gustavo não deixava de ter razão: é a pica que manda mesmo na cabeça do homem. E não só quando o homem é jovem. Antes de finalizar a conversa, meu filho fez uma observação pertinente: cá entre nós, pai, a tia Tênsia tem uma bunda que até eu comia. Ri. E terminei a conversa com: Gustavo, não comente nada com tua mãe. Nem precisa falar, pai, não sou moleque, sou um homem. Muito bem, Gustavo, é um pequeno segredo entre pai e filho. E ele aconselhou: pai, toma cuidado com minha irmã, ela tem só 12 anos, mas é muito viva e xereta e tagarela. Pode deixar, Gustavo. Eu poderia, para aliviar um certo mal-estar de pai pego pelo filho traindo a mãe, ter contado ao Gustavo que foi sua mãe que me empurro para a cama da Freira. E que na realidade, como não havia mentira, não havia engano, traição. Mas eu não sabia se meu filho, um rapaz de apenas 18 anos, embora bastante maduro para sua idade, seria capaz de entender isso. E deixei a coisa assim. De um modo que me pareceu mais natural. Ou mais normal. Digamos que o camuflado sempre choca menos que o cinismo. Assim se passaram alguns meses. Até a morte do marido da Begônia. A Begô, como as irmãs a chamam. Ou a Crente, como eu a chamava, que era a irmã do meio, sendo a Magnólia a caçula e a mais bonita das três. Maria Begônia virou a ovelha negra, pois ela se tornou evangélica no seio de uma família muito católica. Casou virgem com mais de 40 anos. O marido, evangélico como ela, contraiu aids poucos anos depois de casado – dizem que comia um travesti – e veio a falecer depois que o pastor – o imbecil, ignorante, burro e irresponsável do pastor (pastor só serve para tirar dinheiro dos incautos fieis e para falar asneiras) – lhe disse que ele não precisava tomar mais remédios, pois Deus ia curá-lo. E o cretino fanático do marido da Crente entrou nessa e se fodeu para eternidade. E assim a Begô, que não contraiu o vírus, ficou viúva e sem filhos. E entrou numa profunda depressão que nem Jesus era capaz de remediar. E a irmã, minha digníssima esposa Magnólia, sempre tão solidária em relação aos problemas de sua família (entenda-se pais e irmãs) resolveu convidá-la a ficar uns tempos morando em casa, ou seja, na edícula, com a Freira, onde ela iria se sentir menos sozinha, até passar a depressão. Dito e feito. Ou quase. Porque a Magnólia, claro, veio falar comigo primeiro, com o homem da casa. Porra, Magnólia, mais uma aqui! Randinho, não fica assim. A Begô não vai atrapalhar ninguém. Ela é uma pessoa quieta e discreta. E vai ficar com a Tênsia. Não se preocupe, ela não vai invadir nosso espaço. Caralho, Magnólia! O clã inteiro na minha casa! Meu bem, não é o clã, são apenas duas irmãs emocionalmente abaladas e carentes que precisam do apoio da família. É algo temporário. Pode ser que um dia a Tensia vá morar com a Begô. E assim a Crente fechou seu apartamento e veio morar conosco. Isso significava que eu não podia mais meter com a Tênsia. Não que eu morresse de amores por ela, mas a Freira era uma boa foda e eu já tinha me acostumado a molhar o ferrão com ela. Ou seja, sexualmente não me faltava nada. Duas vezes por semana com a cunhada e uma ou duas vezes por mês com a esposa. Curiosamente, me dei conta de que o fato de não poder mais meter com a Tênsia (pelo menos em seu quarto) me deixou irritado. Mas a irritação durou pouco. Como as duas dormiam no mesmo quarto, sugeri à Tênsia se encontrar comigo no escurinho do alpendre da lavanderia. E assim passamos a trepar em pé, encostados contra a parede. Mas não era bom. Nada como uma cama para foder à vontade. A Freira encontrou uma solução. Ela disse que contou à Crente que ela estava de caso comigo. E para surpresa da Freira, a Crente, generosamente, se ofereceu para dormir no sofá da sala da edícula, nos dias da minha visita. E deste modo deixei de ter tremedeira nas pernas e voltei a afogar o ganso na horizontal. Mas uma noite, eu estava com a vara dentro da bainha da Tênsia quando bateram na porta do quarto. Era a Begô – só podia ser ela – muito assustada com um pesadelo, que pedia para ficar no quarto com a gente, em sua cama, alegando que ela não iria atrapalhar. Para que a Begô se sentisse mais perto da gente, Tênsia sugeriu juntar as duas camas e assim dormiríamos os três juntinhos e o susto da Crente passaria. Como ainda eu não tinha gozado e estava excitado, a presença da Begô, que não era nada atraente, mas tinha duas belas tetas, aguçou meu tesão. Pensei: não tenho nada a perder. Sem falar nada, pulei por cima da Tênsia e fiquei no meio das duas. E comecei a acariciar as tetas da Begô que não demorou e colocou minha mão em sua xota. Daqui a pouco montei nela. E ela começou a gemer. E a falar. Ai, meu Jesus, vou gozar logo! Aí, meu Senhor, não vou aguentar mais! Ai, meu bom Jesus, isso que é foda (sic)! Enfia, meu bem, enfia tudo que vou gozar! Ai, meu Jesus divino, estou gozando! E foi assim que comi a Crente. Com o consentimento tácito da Freira – que ficou quieta o tempo todo. Para falar a verdade, tudo indica que a coisa estava previamente combinada entre as duas. Mas, claro, eu me fiz de bobo e cedi o cilindro à pobre viúva solitária que tanto parecia estar precisando. Não só devido a sua viuvez, mas provavelmente ao fato de o marido ser daqueles crentes – cambada de hipócritas – que depois de soltar o caldo grosso pedem perdão à “irmã”. E assim, sem forçar, sem pretender nada, passei a comer as duas irmãs. Um dia uma, no outro dia a outra. E a frequência passou de duas a três vezes por semana. O que, para um cara de 47 anos, era uma média respeitável. Levando em consideração que, uma ou duas vezes por mês, era obrigado a cumprir meus deveres conjugais com a digníssima cônjuge. Um dia, o filho da puta do meu filho Gustavo (com todo o respeito pela mãe), com um sorriso malicioso, chegou para mim e disse: e daí, pai, tá comendo a tia Begô também? E, para sua surpresa, fui direto: estou, filho, fazer o que, se não tinha outro jeito? Ele arregalou os olhos e começou a dar gargalhadas. Eta, paizão! Coroa comedor! Mas, filho, não vá comentar nada com tua mãe. Que que é isso, pai, pode ficar sossegado. Se bem que, pensei, a Magnólia já deve estar sabendo que ando também suprindo a carência da Crente. E assim vou levando a vida. A Freira e a Crente estão mais em casa do que na edícula. A edícula é só para dormir. E para meter, claro. O resto do dia estão em casa. As duas trabalham fora. Mas se revezam nos afazeres de casa. A empregada agora vem só meio período. E a faxineira uma vez por semana – antes vinha duas vezes. As duas irmãs sabem cozinhar muito bem. Tanto é que engordei. Minha mulher está mais descansada, pois são três mulheres cuidando da casa. Notei que a Magnólia está mais disponível sexualmente com a ajuda das irmãs, pois ultimamente tem mais vontade de trepar. Não sei quanto tempo vou aguentar metendo com as três. As três mulheres da minha vida: Maria Magnólia, minha mulher, e Maria Hortênsia e Maria Begônia, minhas cunhadas-amantes. Ou Mag, Tênsia e Begô. Não preciso mais bater punheta. Nunca estive tão satisfeito sexualmente – embora com carne um pouco passada. Comida caseira. Na mesa e na cama. Estou me sentindo um muçulmano cuidado pelas suas três esposas. Randolfo e suas três flores. Eu nunca teria imaginado algo parecido. Uma vida a quatro. O macho e suas três fêmeas. Papai, mamãe, filhinho, filhinha e as duas titias. A harmonia da vida familiar. Sim brigas. Lar, doce lar. Com foda e comidas fartas. Nada como o pau e o estômago satisfeitos. Invasão da minha casa pela família da minha mulher? Sim, e daí? Sempre foi assim. São seis aniversários para comemorar por ano. Mais Natal. Páscoa. E macarronada deliciosa todos os domingos. Bola e churrasquinho e cerveja aos sábados, com os amigos. Que mais posso pedir? Para um homem simples, caseiro, que gosta antes de mais nada de carne, cerveja e sexo (mas tem preguiça de sair à caça de mulher), não está nada mal. Talvez a felicidade seja isso: meter tranquilamente em casa com três mulheres.

Continua…

  • em 26/05…      “Sax”
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4 Respostas to “Comida Caseira”


  1. A vida que todo homem deseja mas a maioria não tem coragem de admitir…


  2. Situação interessante…

  3. ROBERTO Says:

    Companheiro de Letras,

    Gostei do seu texto. Da sua maneira de escrever. A gente chega a ter inveja do personagem. parabéns e sucesso.


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