Falência do Neoliberalismo

junho 30, 2012

Falência do Neoliberalismo

 

         A crise econômica – com os consequentes desdobramentos sociais – dos EUA e da União Europeia, a derrota de Merkel e Sarkozy e a violência na Grécia são provas irrefutáveis da falência do neoliberalismo e, por extensão, do próprio capitalismo. Algo novo deve surgir. Em que pese à paranoia da direita em relação ao marxismo ou mesmo ao socialismo, que a ignorância ou má fé dos conservadores associa ao stalinismo e maoísmo.

O capitalismo neoliberal é sinônimo de desigualdade social (portanto de miséria), de corrupção, de exploração selvagem dos recursos dos países pobres, de desumanização. É um lixo moral que aboliu toda e qualquer ética em nome do lucro. É uma aberração que implantou o fascismo do consumismo, com o lema latente de: seja ignorante, consuma, cale a boca e aliene-se. E essa perversidade insidiosa, devidamente camuflada, que restringe a liberdade individual do cidadão tem o topete de se outorgar a denominação de democracia.

Em nome dessa democracia – ou seja, do acumulo de poder e riqueza por determinadas faixas sociais – e sob o mote de defensores da liberdade e dos valores democráticos – os EUA provocaram a guerra Hispano-Americana para invadir Cuba, Porto Rico (que foi anexado), Filipinas e a ilha de Guam (que foi anexada), no Pacífico. E que invadiram a República Dominicana em 1965 e o Panamá em 1989. Sem contar a invasão do Vietnã. E, mais recentemente, invadiram o Afeganistão (cuja guerra já custou 100 bilhões de dólares) e o Iraque. Foi em nome dessa democracia que os EUA implantaram, entre as décadas de 1960 e 1980, as ditaduras na América Latina. E foi em nome da defesa dessa democracia que os EUA cometeram o genocídio de Hiroshima e Nagasaki, pelo qual até agora não pediram desculpas ao Japão. E foi em nome dessa democracia que os franceses se apoderaram da metade da África. E foi em nome dessa democracia que a Grã-Bretanha se apossou de boa parte da África, da Índia, do Paquistão e que promoveu a Guerra do Ópio na China. Como vemos, esse tipo de democracia é puro imperialismo. E certamente não tem como objetivo o bem-estar da humanidade.

E é graças ao neoliberalismo e à pseudomocracia que mais da metade da população da Terra vive abaixo da linha da pobreza e que mais de um bilhão de pessoas sobre de fome crônica, considerando-se que mais de dois terços da humanidade não têm uma vida digna. A implantação do horror da competição (que é o câncer da ética), da concorrência, da especulação, do consumismo desenfreado e a substituição da soberania das nações pelo poder totalitário das grandes corporações (em especial os bancos), enfim a essência do absolutismo neoliberal é uma via sem saída que se esgota em sua própria saturação.

Em suma, a verdadeira democracia nada tem a ver com o neoliberalismo. A perversidade do sistema neoliberal certamente não promove a dignidade humana. Nem a paz e harmonia entre os homens. Muito pelo contrário, manipula, tritura a avilta o ser humano, transformando-o num títere a serviço de seus interesses.

20-05-2012

R.Roldan-Roldan é escritor

www.davidhaize.wordpress.com

Publicado pelo jornal Correio Popular de Campinas a 6 de junho de 2012

 

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3 Respostas to “Falência do Neoliberalismo”

  1. Ataulfo Says:

    Que lucidez, meu amigo! Quando chegar a hora de dizer adeus, certamente você subirá aos céus com a leveza e a paz que recompensa aquele que efetivamente presta serviço ao próximo. Abraço sincero, Ataulfo.


  2. Realmente, o que era pra servir ao lado positivo do impulso de competitividade e à liberdade de empreender tornou-se instrumento de perpetuação da desigualdade. Ainda existe um tipo de nobreza e ainda há desigualdade, portanto é ainda necessária alguma revolução. A revolução armada se provou ineficiente. É chegada a hora de uma revolução do indivíduo. O sistema pernicioso se alimenta de escravos. O minimalismo e frugalidade são grandes auxiliares no processo de libertação.


  3. Concordo em quase tudo e faço o possível para divulgar isso, até em evento para escolas e para todo público que realizo pela UNICAMP (Exposição de Holografia). Para não falar de “capitalismo selvagem” utilizo o termo “maximização do lucro”. Mas discordo em parte quanto a Hiroshima e Nagasaki: poupou a vida de mais vidas humanas, soldados inocentes que teriam morrido nas mãos dos japoneses. O Japão pediu desculpas por ter realizado a guerra? O Hirohito fez o hara-kiri? Quantos morreram pelo imperador? (Banzai! é o grito de “viva o imperador”). A rendição demorava após a primeira bomba, porque estavam a cuidar dos interesses dos poderosos, mandando ouro a bancos estrangeiros, só veio depois da segunda.


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