À Guisa de Defesa

novembro 10, 2012

À Guisa de Defesa

 

            Em janeiro de 2012, o jornal Correio Popular de Campinas publicou um artigo meu intitulado Fraude na Biblioteca Nacional. Um tal de Milton Costa (pseudônimo?) postou uma virulenta crítica ao que eu tinha escrito – ou ao modo como eu tinha escrito a matéria – no site leituraeensino.blogspot.com.br, crítica em termos  ofensivos que poderá ser conferida pelo leitor do Correio que estiver interessado. Crítica que, por falta de argumentação fundamentada, não se sustenta e acaba soando, não só irrelevante, mas ridícula. Esse duvidoso senhor (que se diz professor de português – se o fosse não teria escrito as besteiras que redigiu em relação ao meu português) esbaldou-se em investidas coléricas, desequilibradas, contra a minha forma agressiva de escrever.

Inicialmente eu não ia replicar – mesmo porque não escrevo crônicas, embora o que segue é mais um manifesto de defesa do que outra coisa. Mas alguns amigos instaram-me a responder. Pensando bem, achei que se o que meu detrator diz carece de solidez crítica – levando em consideração o conteúdo da matéria – e atesta uma espantosa limitação intelectual, o texto não deixa de ser sintomático e tendencioso. De duas uma: ou o Sr. Milton Costa é parvo, alienado e ignorante (o que talvez seja o mais provável considerando-se seu texto) ou ele agiu de muita má fé defendendo, mesmo indiretamente, uma instituição corrupta (seria ele conivente com a corrupção dessa instituição?). Pois meu artigo, como toda denúncia, incomoda, não há dúvida. Estaria o Sr Milton Costa defendendo o status quo da corrupção? Não creio. Mas dá a impressão.

Enumeremos os absurdos “brilhantemente” expostos pelo inefável Sr Milton Costa. O sagaz personagem pergunta: “quem é esse Roldan-Roldan a quem o Correio dá tanta pelota e que tem direito a foto e a ilustração?” Ora, qualquer um sabe que os jornais costumam colocar uma foto de seus colunistas junto à coluna. Quanto à ilustração, o Correio sempre publica uma ilustração junto às matérias da página Opinião. E essa ilustração pode se referir tanto a um artigo meu quanto ao de qualquer outro colunista. Certamente o Sr Milton Costa não costuma ler jornais. Prossigamos. O pobre Sr Milton Costa alega que escrevo palavrão. Ora, Sr Milton Costa, em que século o senhor vive? Nunca ouviu falar da apologia do palavrão por Millôr Fernandes? É claro que não. Como tampouco deve ter ouvido falar do último livro de Gabriel García Márquez intitulado Memória de Minhas Putas Tristes. E certamente não leu Henry Miller. Nem Bukowski. Nem Apollinaire. Sr Milton Costa, seu conservadorismo exala um desagradável odor de ranço. Pois é, o reacionário Sr Milton Costa deve ter se sentido ferido em seu inocente pudor pelo fato de eu ter escrito f.d.p. (assim mesmo, abreviado) e m… (assim mesmo, com reticências). Pobre Sr Milton Costa deixando transparecer rubores de solteirona vitoriana. Saiba, Sr Milton Costa, que eufemismo é sinônimo de hipocrisia. Finalmente, entre outras pérolas, o “lúcido” Sr Milton Costa alega que eu não escrevo, mas que rosno. Que meu nome não deveria ser RRR, mas GRR. Aí, a bem da verdade, senti-me lisonjeado. Sim, Sr Milton Costa, é óbvio que eu rosno. Já que não sou burro para dizer amém. Rosno como um animal. Como o animal literário que sou. E sinto orgulho em rosnar. E cultivo, com prazer, o ato de rosnar. Mesmo porque meu pai, de quem muito me orgulho, me ensinou a rosnar.  Ou seja, a não abaixar a cabeça. A não dizer amém. A me revoltar e me manifestar contra tudo aquilo que é injusto. Eu rosno, sim, Sr Milton Costa. E com um deleite quase sexual. Mesmo porque o verdadeiro escritor vem a este mundo para rosnar. Uivar. Urrar. Berrar. Ou seja, contestar. E, se for o caso, transgredir, subverter, minar, desestabilizar – por sinal, o senhor leu Bakunin? Um escritor que se preze, um escritor digno, cabal, não fica em cima do muro. Não contemporiza. Não abafa. Não escreve baboseiras edulcoras para vender seus livros. Nem cretinices politicamente corretas. Nem enjoativas mensagens supostamente edificantes. Cabe citar aqui o grande poeta René Char que diz: Aquilo que vem ao mundo para nada perturbar não merece nem respeito nem paciência (in A la santé du serpent). E eu, cosmopolita, tampouco tenho paciência, depois de percorrer o mundo e de 30 livros escritos, sendo 28 publicados, de ouvir o obtuso provincianismo que a pobreza de espírito e a falta de cultura impeliram o mequetrefe Sr Milton Costa a escrever a meu respeito de modo totalmente alienado. Quem é o canastrão? Quem é o recalcado, Sr. Milton Costa?

25-10-2012

R.Roldan-Roldan é escritor

www.davidhaize.wordpress.com

Publicado no jornal Correio Popular de Campinas/SP dia 6 de novembro de 2012

 

 

 

 

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3 Respostas to “À Guisa de Defesa”

  1. lunazzi Says:

    O Milton Costa pode não ter gostado do vocabulário, mas o asunto principal é a denuncia colocada, sobre isso devia ter opinado.

  2. Robert de la B. Says:

    Basco, sinceramente? O cabra não vale essa saliva toda, não. Um discursinho mequetrefe, uma crítica tão boba… Aquela estória de levar seu texto à sala de aula pra ensinar como NÃO fazer argumentações, que tolice. Coitados dos alunos do Seo Mirto, isso sim, que têm um professor tacanho desses.
    Se você teve seu fígado revirado por essa bobagem, devia ler o blog do Sakamoto. O japa é francamente da velha esquerda (id est, defende que as pessoas tenham uma vida digna, trabalho decente, não sejam exploradas pelo semelhante – nem pelo diferente – sejam respeitadas enquanto indivíduos, essas baboseiras fora de moda), tem excelentes miolos, sem papas na língua e junta lé com cré – seus argumentos são baseados em fatos e em uma boa formação filosófica e sociológica, além (last but not least) do bom caráter político. Vai lá ver o que esse cara escuta, talvez isso acalme vosso coração. Porque o japa ouve uma quantidade inacreditável de merda, e brinca com isso, ainda por cima. Óbvio, ele não é um velho Basco irado, candente e impaciente com a estupidez: é um japa duns 40 anos que, com seu DNA do sol nascente, lida dum jeito bem humorado com a barbárie da qual é alvo. Veja lá um exemplo disso, olha esse post:
    http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2012/11/18/participem-do-2o-desafio-por-que-este-blog-e-tao-idiota/

    Depois, fuce nos demais textos, ele é da sua turma, respeitadas as diferenças de DNA, estilo e geração. LEIA OS COMENTÁRIOS, porque eles são um exemplo primoroso da estupidez que a internet traz gratuitamente – ou quase – aos nossos olhos a todo momento. E, se possível, console-se: Seo Mirto é pinto. Aquilo é que é tomar porrada de gente reacionária – na sua maioria francamente BURRA, que nem consegue entender o que o japa escreveu.

    Não é raciocínio Polyana o que proponho, é colocar as coisas numa escala mais adequada: seo mirto e seu discursinho xumbrega têm um certo tamanho, o seu discurso e obra têm outra estatura. Veja que essa assimetria rola direto nesse campo aberto e minado que é a rede: voam pedras, que a Geni não está lá na música, somente, pode ser qualquer um de nós. E você, daria pro cara do balão? Pra salvar seo mirto? Não gaste dedos e miolos com isso, Basco. Leia o Saka que é mais divertido. E escreva mais uns palavrões, que é pra irritar gente idiota. Quer ver como é mais legal?

    Mande seo mirto tomar no cu – deve estar próximo da caixa craniana, dado que lá tem farta merda. Ele pode aproveitar a chupar as bolas de quem o estiver comendo – vê como meu português está bem direitinho? Fodam-se esses pudores vitorianos, como cê lembrou. E pronto, caralho, puta saco discutir com gente imbecil. ‘Cabou.

    Um grande abraço, meu caro! (abraço por trás, que um anarquista filho da puta como você deve ser sodomita, certamente. Um perigo pra sociedade e pra sala de aula victoriana)


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