Violência em SP, Petraeus e Israel

dezembro 7, 2012

Violência em SP, Petraeus e Israel

 

            Violência em SP

Levando em consideração que todo país com desigualdade social é atrasado e violento; que todo país com desigualdade social é presa de fanatismo religioso e ideológico; que todo país com desigualdade social está sujeito a convulsões sociais, chegamos à conclusão que praticamente toda violência é social – logo, política – desde a violência no futebol até a disputa por terras. Portanto, a guerra entre a polícia de São Paulo e os bandidos é uma guerra social, logo, política. É necessário entender que toda a violência que assola, não só São Paulo, mas o Brasil todo, só será erradicada com profundas reformas sociais, pois nação com igualdade social é nação em paz social. Os privilégios de determinados setores da sociedade brasileira fazem pensar naqueles privilégios que usufruía a classe dominante francesa antes da Revolução de 1789. Em outras palavras, a Revolução Francesa de 1789 ainda não chegou ao País. Um exemplo recente é o abuso, a desfaçatez, o descaro, a sem-vergonhice de os senadores – esses parasitas – não pagarem imposto sobre o 13° e 14° salários. Mas o Brasil é um país lento em termos de reformas sociais. Foi lento em proclamar a independência. Foi lento em proclamar a República. Foi lento em abolir a escravatura. Foi lento em instituir o divórcio. A legalização da droga, então, nem se fala. Mesmo porque as altas rodas do poder lucram com o narcotráfico. Essas mesmas elites que, no fundo, indo bem à raiz, sempre travaram as reformas sociais, reformas que o sempre inerte, frouxo e omisso governo, fazendo o jogo dessas elites – antes era a aristocracia rural, agora são os grandes grupos corporativos – não ousava promover. Sabe-se que a repressão da polícia e do Exército nunca vai acabar com o tráfico. Por outro lado, de acordo com estudos realizados no México, a legalização da droga diminuiria o lucro dos cartéis em 70%, o que diminuiria o tráfico e desincentivaria os traficantes. Mas os interessados em manter o status quo alegam, perversa ou hipocritamente, que legalizar a droga é imoral.

Petraeus

            Ninguém tem nada a ver com a vida privada de ninguém. Logo, ninguém tem nada a ver com a vida sexual do general norte-americano Petraeus. Uma figura pública, seja general ou presidente (como o caso Clinton), deve ser julgada pelo seu desempenho profissional e não pela sua vida sexual. Cada um tem o direito de deitar com quem quiser. Mas os EUA são tão atrasadamente fundamentalistas que, em pleno século 21, continuam a se imiscuir descaradamente na vida privada de seus cidadãos. Ou seja, a sociedade norte-americana é tão retrograda que chega ao ridículo com sua moral sexual vitoriana ainda em vigor. Há nisso uma tremenda hipocrisia se levarmos em conta que os EUA invadem, destroem, torturam e assassinam e, ao mesmo tempo, ostentam um moralismo fundamentalista em relação ao sexo. Existe nesse repulsivo – porque sendo ranço se opõe ao solar – provincianismo moralista norte-americano uma repressão sexual que gera violência, logo, não é de se estranhar que os EUA sejam um país essencialmente violento. Aliás, como já disse várias vezes, todo aquele que prega a aberração da abstinência sexual deveria ser preso e condenado por lei por incitação à violência. Os homens deveriam empunhar o pênis com mais frequência que as armas.

Israel

Sou um profundo admirador do povo e da cultura judaicos. E sou a favor de que todas as escolas do mundo ensinem às crianças o que foi o Holocausto para que essa tragédia da humanidade (e não só dos israelitas) esteja sempre presente na memória de todos os seres humanos, independentemente de raça, etnia ou religião. Mas judeu é uma coisa e israelense é outra. Portanto, qualquer cidadão amante da liberdade e da justiça, não pode admitir que, após mais de sessenta anos da criação do Estado de Israel, ainda haja campos de refugiados palestinos. Não se pode aceitar a invasão de assentamentos na Cisjordânia. E é de se condenar a atitude fascista do governo de Israel em relação aos territórios palestinos. É absolutamente inadmissível que a ONU ainda não tenha reconhecido a Nação Palestina, soberana e independente. E é vergonhoso que os EUA e a Europa não tenham pressionado e exigido a independência do povo palestino. É mais do que óbvio que, sem a independência dos territórios palestinos, jamais haverá paz entre árabes e israelenses.

21-11-2012

R.Roldan-Roldan é escritor

www.davidhaize.wordpress.com

Publicado no jornal Correio Popular de Campinas/SP em 4 de dezembro de 2012

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2 Respostas to “Violência em SP, Petraeus e Israel”

  1. Magali Rolfsen Says:

    Rodolfo, No consigo te encaminhar e-mail. Estou com srios problemas de computador. Por favor, me envie novamente seu endereo eletrnico. Um abrao, Magali


  2. Os EUA apoiam a Israel, financiam muito do armamento, e ficam calados diante do fato de que desenvolveu a bomba atómica na calada da noite. Quando a ONU não tem força, como já foi no Vietnã e Iraque, a guerra não tem empecilho para acontecer. Os jornalistas, também, são impedidos de estar nas ações que acontecem por lá.


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