O Ato – Foder É Vermelho

janeiro 3, 2013

O ATO – FODER É VERMELHO


 

R.Roldan-Roldan 

 

 

 

 

 

O Ato – Foder É Vermelho

Peça em um ato

Registro 89407  na Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT)

Vous êtes un de ces esprits charmés de leurs propres rêves,

Qui peuvent devenir si dangeureux pour une societé.

Montherlant (in Le maître de Santiago)

Personagens

 

O Preso

A Ex-mulher

A Mãe

O Pai

O Irmão

A Irmã

O Menino

A Morte

Ativistas

Policiais

Prelúdio

         Palco no escuro. Acendem-se as luzes do telão, no fundo do palco. Durante 5 minutos, projeção de cenas de protestos dos “indignados” de Madri, Atenas e Roma e dos ativistas do Occupy Wall Street. Cessam as cenas de protestos e aparecem slogans no telão, tais como: abaixo o fascismo do sistema financeiro, abaixo o fascismo das corporações, abaixo o despotismo dos políticos, morte aos corruptos, trapaceou morreu, morte aos especuladores, especulou morreu, basta de desemprego, basta de miséria, basta de desigualdade social, paralisemos o país, derrubemos o governo, vamos foder o sistema neoliberal. Apaga-se o telão. Ilumina-se o palco, totalmente vermelho – fundo (com exceção do telão), lados e chão – onde só há duas cadeiras num canto. Do lado oposto ao palco há uma plataforma da qual pula um jovem ativista completamente nu, apenas com um capuz vermelho e tênis vermelhos, voando com uma corda acima da plateia e pousando no palco onde ele fica imóvel como uma estátua. Uma jovem ativista nua, mas de capuz e tênis vermelhos, pula com outra corda e fica imobilizada no palco como uma estátua. E assim farão mais dois rapazes e mais duas garotas. Os seis ativistas, todos identicamente “trajados” permanecem imóveis, em diferentes poses, até se ouvir o Coro dos Escravos (Va, Pensiero), de Nabucco, de Verdi, quando então iniciam uma coreografia que durará o tempo da música – uns 4 minutos. Quando a música termina, os seis ativistas gritam o refrão da canção Pra não Dizer Que não Falei das Flores, de Geraldo Vandré: Vem, vamos embora que esperar não é saber // Quem sabe, faz a hora, não espera acontecer. Subitamente o palco fica no escuro. Um fulgor repentino o ilumina por instantes – seguido do estouro de uma explosão. Ouve-se então o apito da polícia e a sirene das viaturas. Os seis ativistas, parados, olham para um lado e para outro. E acabam fugindo, três pela esquerda e três pela direita, ao grito de “polícia!”. O palco fica vazio. Até seis policiais nus – três homens e três mulheres – com capacetes pretos e botas pretas pularem, um após o outro, de corda, exatamente como o fizeram os seis ativistas. Os policiais olham para um lado e para outro, como se procurassem os ativistas. Ouve-se o Coro dos Soldados, de Fausto, de Gounod, ao som do qual os policiais executam uma dança que durará o tempo da música – 3 minutos. Com o fim da música, os policiais saem desfilando, um atrás do outro, pela direita. As luzes se apagam. Acendem-se algumas, fracas. Ouve-se então, na íntegra, Pra não Dizer Que não Falei das Flores, de Geraldo Vandré, cantada por ele mesmo. Após a canção terminar, todas as luzes se apagam.


 

Cena I

         Palco no escuro. Ouve-se, durante 3 minutos, a parte final (Aleluia) do Messias, de Haendel. Acendem-se algumas luzes. Penumbra. No telão aparece uma cena de sexo explícito: um casal copulando. O Preso, completamente nu, apenas de tênis, subido em duas cadeiras – um pé em cada uma – como se estivesse sobre um estrado, de costas para o público, agita os braços abertos como se estivesse regendo a orquestra e o coro invisíveis que executam o Messias. Durante 3 minutos ele “rege” a orquestra e o coro inexistentes enquanto é exibida a cena do filme pornô, com som de gemidos. Cessa o Messias. A imagem do filme – um pênis penetrando uma vagina, em close – fica congelada. Aumenta a luz. Entra a Ex-mulher, bem arrumada. Tailleur bege, sapatos e bolsa marrons. Discretamente maquiada e penteada. A maior parte do tempo, o Preso e a Ex-mulher ficarão em pé. Principalmente ele, que, agitado, permanecerá movimentando-se em todas as cenas.

 

EX-MULHER, surpresa.

O que você está fazendo pelado em cima de duas cadeiras?

PRESO, naturalmente.

Regendo a orquestra e o coral.

EX-MULHER, mais surpresa ainda.

Que orquestra? Que coral?

PRESO

A orquestra de Babilônia e o coral de Nínive.

EX-MULER

Você está cada vez mais louco. E por que você está nu?

PRESO

Para ventilar a genitália e refrescar os espermatozóides.

EX-MULHER, mostrando a imagem no telão.

E o que é isso?

PRESO

Ué, um homem e uma mulher metendo. Ou você não gosta mais disso?

EX-MULHER

Que vulgaridade. Desligue isso aí.

PRESO, faz um gesto como se desligasse, com o controle remoto, apagando o telão.

É graças a essa vulgaridade que a gente fez nossos três filhos.

EX-MULHER

Nós fizemos os nossos filhos com amor. E isso aí é pornografia.

PRESO

Um pouco de pornografia é o tempero da punheta. Você tem marido. Mas eu não tenho mulher. Então é na base do artesanal com filme pornô.

EX-MULHER

Não vim aqui para falar de sexo.

PRESO, gozador.

Ah, não?

EX-MULHER

É claro que não. E põe roupa, por favor.

PRESO, no mesmo tom irônico.

Por quê? Te incomoda ver meu sexo? Te incomoda ou perturba ver esse pau que te comeu tantas vezes? Que você chupou tantas vezes? Que te enfiou tantos metros de caralho na boceta?

EX-MULHER

Como você é grosseiro. (Pausa.) Você não é mais meu marido. Portanto não se justifica me receber pelado. E ainda por cima assistindo a um filme pornô.

PRESO, pondo um calção, provocador.

Pronto. Rola e bagos pudicamente ocultos. Para madame não se ruborizar. Teu marido mete bem? Te chupa gostoso? Te faz gozar com a língua?

CONTINUAÇÃO DESTE LIVRO NO AMAZON E-BOOKS

 

 

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4 Respostas to “O Ato – Foder É Vermelho”

  1. Tretleraima Says:

    Hi,

    Thanks for the information…

  2. Plaibemompelp Says:

    Hi,

    Thanks for this…


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