Não! (Manifesto)

maio 8, 2013

Não!

(Manifesto)

            NÃO, ao sigilo financeiro dos ministros, parlamentares e juízes. SIM, à divulgação, pela internet, em site do governo, dos bens de todos aqueles que assumem um cargo político. A lei do não sigilo já foi adotada por outros países socialmente mais adiantados. É um modo de frear a corrupção. 

            NÃO, à corrupção. SIM, à transparência. A lei tem de ser implacável com os corruptos. Todo político corrupto deve ser cassado para o resto da vida. 

            NÃO, ao aumento dos salários dos parlamentares. SIM, à regulação dos salários dos parlamentares e à aprovação por referendo. É inadmissível que os parlamentares do Brasil sejam os melhores pagos do mundo, nesse nosso País com tanta miséria. O salário de um parlamentar nunca deveria ultrapassar dez salários mínimos, como acontece em outros países mais adiantados.

            NÃO, à desigualdade social. SIM, à divisão de riquezas por meio de reformas sociais. O bolsa-família é uma esmola.

            NÃO, à impunidade. SIM, a leis mais rigorosas e que sejam cumpridas.

            NÃO, à maioridade penal de 18 anos. SIM, à maioridade penal de 16 anos. Como outros países, socialmente mais adiantados, já o fizeram. Um adolescente de 16 anos sabe muito bem o que está fazendo e deve responder por seus atos.  É um paradoxo que, num país tão violento quanto o Brasil, a sociedade seja tão flácida e lenitiva. E é um paradoxo que aqueles que falam tanto em não punição, sejam tão permissivos quanto que à desigualdade social.

            NÃO, à política de ensino do governo. SIM, a repetição de ano. O governo insiste em ver aprovados aqueles que nem sabem ler nem escrever. O governo insiste em considerar uma pessoa que sabe assinar como uma pessoa alfabetizada. O governo, demagogo ao extremo, insiste em tornar o Brasil um país de semianalfabetos. Não é com esses pífios remendos que se procede à integração social, mas com reformas sociais. Em termos de ensino, o Brasil ocupa um lugar deplorável no ranking mundial.

            NÃO, à religião. SIM, à espiritualidade. A religião oprime corpo e mente. A espiritualidade liberta corpo e mente. A religião castra. A espiritualidade fecunda. A religião impõe. A espiritualidade propõe. A religião entorpece como uma droga. A espiritualidade areja o cérebro. A religião massifica o indivíduo. A espiritualidade o liberta. A religião restringe o conhecimento. A espiritualidade o incentiva. A religião atrofia o intelecto. A espiritualidade o desenvolve. A religião é intolerância, obscurantismo. A espiritualidade é tolerância, luz. A religião é dogma. A espiritualidade é ética e razão. A religião vende Deus e seus produtos. A espiritualidade despoja Deus de qualquer conotação mercadológica e elimina todo vestígio de mito, superstição e fanatismo, chegando assim à essência. 

            NÃO, à isenção de impostos para as igrejas. SIM, à taxação de todas as instituições religiosas. País democrático é país totalmente laico. 

            NÃO, ao neoliberalismo. SIM, ao humanismo. A prioridade de uma nação não deve ser a economia e sim o bem-estar social. O neoliberalismo, globalmente, tira dos pobres para dar aos ricos. O IHD do Brasil é deplorável. De que serve ser a quinta potência econômica do mundo se ainda não erradicamos a miséria? 

            NÃO, ao despotismo dos bancos. SIM, a regulação dos bancos. Os bancos não podem ter mais poder do que o Estado. Os bancos procedem como procediam os senhores feudais em relação aos servos de suas terras. Ou como procedem os patrões do trabalhador escravo. Ou seja, os pobres são cinicamente explorados pelos bancos sem poder jamais se libertar. Países como Portugal, Espanha, Grécia, Chipre e Irlanda deveriam fazer o que fez a Islândia e a Finlândia: não pagar a dívida. Os povos desses países oprimidos deveriam derrubar os respectivos governos coniventes com essa injustiça e o absolutismo dos bancos. Se os bancos provocaram a crise econômica mundial, alguma ação deve ser tomada contra eles.  A extorsão e o roubo dos bancos devem ser combatidos por todos os meios.

            NÃO, à homofobia. SIM, à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, como outros países, socialmente mais adiantados, já o fizeram.

            NÃO, à morte por aborto na clandestinidade. SIM, à legalização do aborto, como outros países, socialmente mais adiantados, já o fizeram.

            NÃO, à perpetuação da violência. SIM, à legalização das drogas, como outros países, socialmente mais adiantados, já o fizeram.

21-04-2013

R.Roldan-Roldan é escritor

www.davidhaize.wordpress.com

Publicado pelo jornal Correio Popular de Campinas/SP dia 7 de maio de 2013

 

 

 

              

           

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4 Respostas to “Não! (Manifesto)”

  1. Luis Says:

    “A espiritualidade é ética e razão”; perfeito.
    Vamos conversar sobre aborto (clandestino ou legalizado) um dia desses. Como te considero um professor desde o primeiro dia, não ousarei reprovar tua colocação. Mas confesso que me pareceu contraditório. De qualquer forma, fica novamente meu elogio e agradecimento pelas palavras sábias de sempre. Abraço sincero,
    Luis C. Dal Colleto

  2. Lygia Says:

    Concordo na maioria dos pontos, Roldan.

    Minha divergência principal é na questão relativa à maioridade penal, que não pode ser confundida com responsabilidade penal.
    Não acho que misturar adolescentes de 16 com os mais velhos vá resolver nada… Também não acho que misturar o adolescente que cometeu uma contravenção com outro que praticou um crime com requintes de crueldade seja recomendável.
    Acho que é preciso, sim, recrudescer as penas para qualquer crime hediondo, ainda que cometido por um garoto de 14 ou 15 anos.

    Beijo,
    Lygia


  3. Concordo com os leitores acima e acrescento discordar no caso das drogas também, o que totaliza de todas maneiras uma grande concordância com a maior parte do declarado.

  4. Priscila Olante Says:

    Concordo com tudo! Seria tudo melhor se disséssemos mais NÃOs. Apenas não cheguei a uma conclusão sobre a legalização das Drogas, apesar de vários amigos inclusive sociólogos serem também a favor. A única coisa que sei é que alguma coisa tem que dar certo em relação a este assunto, porque até agora nada deu resultado. Vale a pena tentar o que não pode é continuar a omissão. É um bom assunto para uma discussão.

    Pri


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