Foda-se! (Doçuras Burguesas)

Definições, máximas e pensamentos com aroma de Bakunin

 

Abstinência (sexual) – Aberração.

Academia de Letras – Mediocridade do ranço literário e político.

Acadêmico (universidade) – Repete os rótulos decorados que estão em voga e se acha um intelectual.

Ação – Acredite na ação, nunca na palavra.

Ambição – Despreze-a quando não é intelectual ou espiritual.

Amor – Sincronismo do tesão.

Angelopolous – Deus grego da Sétima Arte.

Apresentadora (de TV) – Seios, nádegas e QI de galinha.

Apresentadora (de TV) – Silicone e QI (quem indique).

Arte – A mais alta expressão da espiritualidade.

Arte – A mais elevada expressão humana.  

Arte – São intelectualmente inferiores os que a consideram inútil.

Assange/Julian – Herói.

Baudelaire – A carniça pode ter fragrância de poesia.

Beethoven – E Deus se fez som.

Beethoven – Quando o genial atinge o sublime.

Beleza (feminina) – Anouk Aimée aos 30 anos.

Beleza (feminina) – Gene Tierney aos 30 anos  

Beleza (femenina) – Marie Laforêt aos 30 anos.

Bergman – A não resposta divina em preto e branco.

Bosch/Hieronymus – Antecipou-se quatro séculos a Freud.

Buñuel — A  bela da tarde, com discreto charme, passeia seu cão andaluz.

Burguês – Se não for erudito, só serve para consumir como um porco.

Caravaggio – Himeneu da luz e da Margem.

Casamento – Confortável, mas castrador.

Coluna Social – Adequada para pobres de espírito.

Competitividade – Sordidez.

Conformismo – Vulgaridade discreta.

Consciência – Tem prioridade sobre a hierarquia.

Conservadorismo – Nossa, que fedor de cachorro morto!!

Consumismo – A arte de engolir suavemente o fascismo.  

Convenções (sociais) – Sob medida para frouxos e hipócritas.

Copular – Verbo sagrado.

Corporações – Ditaduras privadas.

Cupim – A sociedade capitalista do século XXI.

Descartes – Suas ideias eram mais do que cartesianas.

Deus – Absolutamente racional.

Deus – Comercializado pelos mercenários da religião.

Deus – Exilado pelos mercenários do neoliberalismo.

Deus – Ignora os intermediários.

Deus – O Nada, o Absoluto, o Inominável.

Ditadura (militar brasileira) – Terrorismo de Estado.

Economia – Totalitarismo.

Economista – Tão burro, tão limitado, tão ignorante, tão atrasado, tão retrógrada que prioriza a economia em detrimento dos valores humanos.

Economista – Iluminado como cérebro de galinácea.

Escritor – Certamente não é aquele que escreve baboseiras pseudomísticas.

Escritor – Certamente não é aquele que escreve picaretagens de autoajuda.

Escritor – Copula com as palavras.

Escritor – Egocêntrico revestido de ascetismo.

Escritor – Neurótico com tinta nas veias.

Escritor – O tesão da escrita lhe provoca ereção.

Escritor – Superior quando subordina tudo à literatura.

Espionagem – Toda violência contra a espionagem do cidadão é legítima e justificada.

Espiritualidade – Por ser mais despojada, a laica é superior à religiosa.

Eufemismo – Sinônimo de hipocrisia.

Exílio – A impossível convergência de ser e estar.

Exílio – Deslocamento a perpetuidade.

Ferrat/Jean – O maior cantor engajado do mundo.

Ferré/Léo – A poesia anarquista veste traje de gala.

Ferré/Léo – Sob a égide de Apolo, a Anarquia cobre sua pele de estrelas.

Foder – Desígnio sagrado de Deus.

Folga – Dia em que o cidadão pensa que não é contabilizado pelo sistema.

Fontela/Orides – Na cidadela inexpugnável do Silêncio, a maior do Brasil.

Fontela/Orides – O verso cabe numa única palavra.

Fontela/Orides – O voo crucificado do cisne.

Fornicar – Verbo sagrado.

Fundamentalismo – Fétido como cadáver em decomposição.

Garbo/Greta – O divino olhar, impenetrável, incomparável.

Gozar – Não deixe para amanhã.

Goya – Injetando gênio em conteúdo e forma, antecipa-se um século aos impressionistas, aos expressionistas e aos surrealistas.

Goya – Quando o vermelho e o preto corroem.

Homem – A busca.

Homem – O de Nietzsche.

Hedonismo – Omar Khayyam.

Homossexualismo – Equilíbrio ecológico.

Imbecil – Aquele que obedece sem consultar sua consciência.

Insolência – Não querer nada.

Intercurso – Substantivo sagrado.

Jara/Víctor – Mártir chileno assassinado pelos capangas a serviço do usurpador, criminoso e ladrão Pinochet.

Joplin/Janis – Orgasmo estelar.

Justiça – Concebida e exercida pelos que detêm o poder.

Kahlo/Frida – As flores ousam na carne.

Khayyam – A lucidez do Nada.

Khayyam – Antecipou-se a Kierkegaard e Sartre.

Khayyam – Existencialista da Idade Média

Khayyam – Superior pela negação.

Lautréamont – O fascínio sem rosto.

Lautréamont – Os cantos do abismo.

Liberdade – A sagração da superioridade.

Liberdade – O despojamento absoluto.

Lupanar – O neoliberalismo.

Madre Teresa de Calcutá – Quintessência do Amor.

Maio de 68 –  O mês mais romântico de todo o século XX.

Moda – Trapos finos para mentes ocas.

Monroe/Marylin – A suprema sensualidade.

Nada – Quando absoluto, o nirvana laico.

Neoliberalismo – A aversão ao neoliberalismo não é um atestado de amor ao stalinismo.

Neoliberalismo – Ditadura do capital.

Neoliberalismo – O neoliberalismo é tão moderno que fede a múmia faraônica.

Neoliberalismo – Terrorismo do dinheiro.

Oliveira/Manoel de – O humanismo se faz imagem.

Oposição – Serve enquanto não assume o poder.

Orgulho – Não querer nada.

Palavra – Inútil quando não acompanhada da ação.

Palavra – Só a ação pode validá-la.

Palavrão – Evitá-lo atesta o ranço do provincianismo.

Palavrão – Menos vulgar que o eufemismo.

Parlamentar – Larápio profissional.

Parlamentar – O lixo não representa o povo.

Pastor (evangélico) – O dinheiro substitui o sexo.

Provincianismo – EUA e América Latina.

Politicamente correto – A sagração da imbecilidade.

Querubim – Ejacula poesia.

Pessimismo – Lars von Trier.

Polução – Hipnos rega o sonho com sêmen.

Polução – O mais elevado ato de ejacular.

Polução – O esperma concretiza o sonho.

Puta – Faz às claras o que muitas damas fazem às escuras.

Putaria – O neoliberalismo.

Putin – Tem estofo de ditador, mas ele é necessário para conter os EUA.

Radicalismo – Mais do que atingir um objetivo, a meta é destruir a ideia oposta.

Rede social – A não ser que seja para derrubar um governo, só serve para alienar.

Religião – Comercialização de Deus.

Religião – Guerra e repressão.

Religião – Profanação da palavra de Deus.

Resnais – A memória dói em Marienbad e Hiroshima.

Revolução – Faxina permanente para não acumular sujeira.

Rimbaud – A genialidade consagrando a Margem.

Rimbaud – Alguns deuses são marginais.

Rimbaud – O esplendor da marginalidade.

Rótulo – Marca dos imbecis.  

Sábio – Não querer nada.

Santa Teresa de Ávila – A força da libido faz levitar.

Saura – Os lobos de Ana criam corvos no centenário de mamãe.

Serafim – Seu esperma se transforma em poesia.

São Francisco de Assis – Hippie da Idade Média.

Sexo – A primeiríssima função do Homem na Terra.

Sexo – Prioridade absoluta.

Silêncio – Essência do Universo.

Silêncio – Dilata a alma.

Silêncio – Mistério dos Primórdios.

Silêncio – Para gostos sofisticados.

Silêncio – Regeneração.

Snowden/Edward – Herói.

Sonho – O eterno retorno.

Sosa/Mercedes – Dignidade exemplar para todas as cantoras e todos os cantores do mundo.

Tecnocrata – Culto como flatulência de asno.

Tesão – O pulsar sagrado da vida.

Universal – Ser tudo e nada.

Valores – Se variarem com a bolsa, destrua-os.

Vandré – Sacrossanto esperar não é saber o torna grande.

Van Gogh – A tangibilidade do fulgor.

Villon – A Margem se veste de Poesia.

Violência – Pode ser necessária ao país como cirurgia ao corpo.

Visconti – O fausto da aristocracia perdida e o estandarte vermelho.

Visconti – Magnificência da Ursa Maior em baile do Tempo Perdido.

Visconti –  Seu Tempo Perdido se reflete em Proust.   

Voltaire – A finesse otimista do sarcasmo.

Vulgaridade – O que não ousa ser.

Xenófobo – A paleontologia explica.

Yankee – Go home!

Zaratustra – Assim falava o Homem Superior.

Zorra – O neoliberalismo.

14-08-2013

 

 

 

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E aí, Brasil?

agosto 7, 2013

 

E aí, Brasil?

 

            E aí, Brasil? Vai parar o que mal começou? Vai ficar por isso mesmo? Grunhiu, mostrou os dentes e acabou enfiando o rabo entre as patas? Ou seja, tudo não passou de um fogo de palha? Sim, o País se movimentou em junho. E com a Revolta dos Vinte Centavos parecia que algo (ou muito) ia mudar. Não mudou praticamente nada. A não ser a revogação do aumento das tarifas do transporte público e a revogação da PEC 37. Mas nem sequer a corrupção foi considerada crime hediondo. Então é só isso? Que desencanto! Que desencanto para aqueles (idealistas?) que achavam que o Gigante tinha acordado. Mas o Gigante continua dormindo. Devidamente dopado. Será que ele acorda no próximo dia Sete de Setembro?

            Não esperávamos (pelo menos aqueles que têm uma visão ampla) que os protestos desembocassem numa salutar revolução. Não esperávamos que se operasse o milagre, por assim dizer, de varrer do País a aberração, a abominação, a degradação humana que representa o neoliberalismo com sua voracidade, cinismo, perversidade, desfaçatez. Esse famigerado neoliberalismo e seu séquito de miséria, violência e corrupção, que torna os ricos mais ricos e os pobres mais pobres, ou, em outras palavras, que tira dos pobres para dar aos ricos. Esse famélico neoliberalismo que aboliu a ética e os valores humanos em nome do sacrossanto dinheiro, deus todo-poderoso da globalização. Isso seria muito esperar. Mas, pelo menos, que algumas injustiças berrantes fossem eliminadas. Tais como os salários abusivos, absurdos, dos juízes; os salários e as aposentadorias inadmissíveis dos parlamentares, verdadeira afronta ao povo brasileiro; o atraso que representa a imunidade dos políticos; a reeleição dos que foram condenados por corrupção; a isenção tributária das instituições religiosas, que é um abuso num país que se diz laico; o total descaso com a educação e a saúde. Sim, pelo menos seria de se esperar que uma nação digna alterasse tudo isso. Mas as elites não estão interessadas num Brasil digno. Elas sempre estão dispostas a vilipendiar os anseios do País quando os privilégios e o lucro sem limites estão em jogo.

            Mas, ao que tudo indica, há poucas chances de verdadeira renovação política e social no Brasil. É mais do que evidente que a direita – que nunca perdoou o PT por ascender ao poder democraticamente – se aproveitou da onda de protestos para denegrir o governo Dilma e seu partido. Como se a presidente e seu partido fossem responsáveis por todos os males que afligem o País. Isso é ridículo, ou melhor dito, tendencioso. E quero deixar claro que não estou colocando o PT num pedestal. Essa direita, profundamente reacionária (pleonasmo?) se esquece das fraudes, negociatas, falcatruas do Tucanato. Essa direita que se diz democrática enaltece gente como Fernando Henrique Cardoso – que vendeu o Brasil aos bancos e aos grupos corporativos e o considera um grande estadista. Que inversão de valores! FHC deve ter sido bom para aqueles que encheram os bolsos com as privatizações. FHC foi ótimo para a classe que manipula o País. Essa oligarquia que treme nas bases quando o povo sai às ruas. E que tacha de vandalismo o que é um ato – ou uma reação – de legítima defesa de um povo oprimido, explorado, manipulado, e cevado como gado pelo fascismo do consumo. Essa classe privilegiada que, infelizmente, só entende a linguagem do “vandalismo”. E que se esquece de que ela própria é vândala por natureza quando tira descaradamente os direitos da população para tornar-se cada vez mais poderosa. Essa classe que insiste no vandalismo (isso sim é vandalismo) da segregação social, da desigualdade social, da imunidade, da impunidade, da farsa da Justiça que sempre favorece aqueles que detêm o poder. Mesmo porque o “vandalismo” do povo (queimar ônibus ou depredar lojas e prédios) é anódino, não representa nada em comparação com o vandalismo (ou deveríamos dizer terrorismo legal?) do Estado, devidamente institucionalizado. E, é óbvio que se o eleitor votar no PSDB, nada, absolutamente nada vai mudar – seria um retrocesso. Mesmo porque o PSDB não tem interesse em promover reformas político-sociais profundas. Muito pelo contrário: seu conservadorismo é de espantar.

25-07-2013

R.Roldan-Roldan é escritor

www.davidhaize.wordpress.com

Publicado no jornal Correio Popular de Campinas/SP em 6 de agosto de 2013