Dalida, Romy Schneider e Jean Seberg

outubro 10, 2014

Dalida, Romy Schneider e Jean Seberg
O que têm em comum Dalida, Romy Schneider e Jean Seberg além da fama, beleza e talento? A depressão e o suicídio. Ou seja, o destino trágico. As três brilharam. Deixaram sua marca. Romy e Jean no cinema. Dalida na canção, embora tenha feito alguns filmes. Curiosamente, as três saíram de seus respectivos países e, cosmopolitas, se consagraram na França. Coincidentemente as três tiveram maridos ou companheiros que se suicidaram. A nossa vida é a soma de nossos atos, sem dúvida, mas com um desconto para o imponderável, que a razão não explica. As pessoas depressivas tendem a atrair pessoas igualmente depressivas? Sim, via de regra. E se a depressão é uma doença, podemos afirmar que não é consequência de nossos atos em termos de destino. Em suma, nem tudo é o resultado de nossas ações na trajetória de nossas vidas. E, para aqueles que fazem questão de ter em mãos as rédeas de suas existências, isso não deixa de lhes causar uma sensação de impotência. Em verdade, se tudo dependesse exclusivamente de nossos atos, a nossa arrogância nos tornaria insuportáveis.
Dalida. Yolande Christina Gigliotti era seu nome. Nasceu no Cairo, Egito, em 1933, de pais italianos. Ganhou um concurso de beleza e foi tentar a carreira de atriz na França. Acabou sendo cantora. O cantor Luigi Tenco, seu namorado, se suicidou em 1967. Depois da morte de Tenco, Dalida tentou o suicídio, mas fracassou. Seu primeiro ex-marido, Lucien Morrise se suicidou em 1970. Seu ex-companheiro Richard Chanfray se suicidou em 1983. Sentia-se frustrada por não ser mãe. Sentia-se angustiada e sozinha. Acabou cometendo o suicídio em 1987 aos 54 anos. Partiu bela e em plena fama. Dalida se estabeleceu em Paris, mas conservou seu charmoso sotaque italiano até o fim da vida. Belíssima, sensual, de longos cabelos esplêndidos, sua presença cênica era marcante e sua voz tinha um timbre muito pessoal, além do sotaque. É um prazer vê-la e ouvi-la cantar músicas populares francesas ou compostas para ela. Era fascinante em cena, o que nos leva a lembrar sua canção Je veux mourir sur scène. Gravou em mais de dez línguas (francês, italiano, árabe, espanhol, inglês, alemão, grego e hebraico entre outros idiomas). Vendeu mais de 120 milhões de cópias. Atou em 14 filmes, sendo o último Al-ýawm al-Sadis (1986), de Youssef Chahine, o mais importante cineasta egípcio.
Romy Schneider. Seu verdadeiro nome era Rosemarie Magdalena Albach-Retty. Nasceu em 1938, em Viena, de pai austríaco e mãe alemã (a atriz Magda Schneider). Depois de conseguir projeção, ainda adolescente, com o êxito da trilogia Sissi, ainda na Áustria, envolveu-se com Alain Delon e se estabeleceu na França onde fez uma brilhante carreira. Atuou com grandes diretores: Visconti (Ludwig, 1972), Orson Welles (O Processo, 1962), Costa-Gavras (Um Homem, Uma Mulher, Uma Noite, 1979) e Joseph Losey (O Assassinato de Trotsky, 1972). Seu filho David-Christopher, de 14 anos, morreu num acidente em 1981, perfurado pelas setas de uma grade que tentou pular. Seu ex-marido, Harry Meyen, pai do filho, se suicidou em.1979. Romy morreu em 1982, aos 43 anos, ao que tudo indica, de overdose – não se sabe se por vontade própria ou acidentalmente. O diagnostico oficial foi parada cardíaca. Depressiva e, numa determinada época, dada ao álcool e às drogas, Romy nunca se recuperou da morte de seu filho. Atuou em 62 filmes. Foi uma atriz extraordinária, incomparável, maravilhosa, conjugando beleza e talento. Grande entre as grandes do cinema internacional.
Jean Seberg. Nasceu em.Marshalltown, Iowa, EUA, em 1938. Estreou no cinema em Santa Joana (1957), de Otto Preminger, antes de completar os 18 anos. Mas foi na França, que virou ícone da Nouvelle Vague no emblemático Acossado (1960), de Godard. Mesmo que não tivesse feito outro filme, ela teria ficado na história do cinema só por esse clássico que virou cult. Apesar de talentosa e linda, não teve os papéis que realmente merecia, embora Lilith (1964), de Robert Rossen, La ligne de démarcation, de Chabrol, e Bom Dia, Tristeza, de Preminger, tenham sido filmes importantes em sua filmografia. Casou-se com o escritor e cineasta francês de origem lituana Romain Gary. Jean morreu em circunstâncias misteriosas (seu corpo foi achado nu em seu carro) em Paris, em 1979, aos 40 anos. Aparentemente foi suicídio por overdose. Foi perseguida pelo FBI pela sua militância contra a Guerra do Vietnã e pelo seu apoio à causa dos Panteras Negras. Na época correram boatos de que teria sido assassinada pelo FBI. Nunca foi provado. Seu ex-marido, Romain Gary, se suicidou em 1980, 1 ano depois da morte da atriz. A adorável Jean Seberg atuou em 35 filmes.
24-09-2014
R.Roldan-Roldan é escritor
http://www.davidhaize.wordpress.com
Publicado no jornal Correio Popular de Campinas/SP em 7 de outubro de 2014

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4 Respostas to “Dalida, Romy Schneider e Jean Seberg”

  1. J.Campos Says:

    Gostei do artigo. Sempre aprendo muito com você.

  2. lunazzi Says:

    Interesantes (para não dizer “boas”) lembranças. Lembro do impacto que foi Luigi Tenco se despedindo com uma canção: “Ciao Amore” famosa, com outras, no que era o festival mais famoso da canção, o de San Remo (vejam em YouTube), quando a música latina ainda tinha espaço na mídia (vejam uma moção minha para a música hispanoamericana no Brasil em change.org). Aproveito para comentar que eu nunca considerei Dalida uma mulher bela. Mas era, evidentemente, fatal.


  3. Nossa, muito instigante o teu artigo. Muito mesmo.


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