Joana d´Arc no Cinema

dezembro 6, 2014

Joana d´Arc no Cinema

Joana d´Arc, símbolo do nacionalismo francês mais do que do catolicismo francês, nasceu em Domrémy (hoje Domrémy-la-Pucelle), na Lorena, em 1412. Camponesa, analfabeta, mas muito inteligente, instada pelas vozes divinas (que seriam de são Miguel arcanjo, santa Catarina de Alexandria e santa Margarida de Antioquia) – que a conclamavam a libertar a França do jugo dos ingleses – que ouvia, desde os 13 anos, enquanto vigiava seu rebanho, à frente de um exército derrotou os invasores durante a Guerra dos Cem Anos. Foi capturada pela facção dos borguinhões, aliados dos ingleses, aos quais eles a venderam. Os ingleses a entregaram à Igreja para que ela fosse julgada. Foi acusada de heresia e pacto com o Demônio e condenada à fogueira. Foi queimada viva em Ruão, em 1431, aos 19 anos. Só foi beatificada em 1909. Em 1920, foi canonizada pelo papa Bento XV, um gesto diplomático do Vaticano no sentido de aproximar a França, tão laica, da Igreja. Não sou versado em hagiografia, mas arrisco afirmar que Joana d´Arc foi a única santa queimada pela Igreja, que foi canonizada. Joana, como Cristo e Tiradentes, foi, sob o ponto de vista estritamente histórico, uma heroína que desafiou o invasor e o poder estabelecido conivente com o invasor. E a Igreja, como todo totalitarismo, não perdoava quem cometesse a insolência de desafiá-la. Mas não foram só os católicos que cometeram atrocidades. Os ortodoxos e os protestantes também as cometeram. O Conselho presidido por Calvino, por exemplo, mandou queimar o medico (que foi o primeiro europeu a descrever a circulação pulmonar), filósofo e teólogo espanhol Miguel Servet em 1553, em Genebra.
A figura mística e mítica de Joana d´Arc, a Donzela de Orléans como era chamada, que mistura lenda e fatos reais, foi retratada diversas vezes no cinema. Mas só dois filmes se destacam entre as sete principais versões. Vejamos quais são.
Joana d´Arc – A Donzela de Orléans (Joan the woman), de Cecil B. DeMille, produção muda norte-americana de 1916, com Geraldine Farrar no papel-título.
O Martírio de Joana d´Arc (La passion de Jeanne d´Arc), do dinamarquês Carl Theodor Dreyer, produção francesa de 1928, com Maria (ou Marie) Falconetti como protagonista. Filme extraordinário. Obra-prima. De longe a melhor versão feita até agora sobre a santa guerreira ou a guerreira santa. A antológica interpretação de Falconetti é considerada uma das maiores de toda a história da sétima arte. Aliás, diz a lenda que a atriz (Renée Jeanne Falconetti era seu nome de batismo) enlouqueceu depois das filmagens e nunca mais voltou a fazer cinema. Virou mito. Como a heroína que interpretou. Se você, leitor, é cinéfilo e nunca assistiu a este filme, procure vê-lo. Depois de mais de oito décadas, continua causando impacto e admiração.
Joana d´Arc (Joan of Arc), de Victor Fleming, produção norte-americana de 1948, com Ingrid Bergman no papel principal.
Joana d´Arc de Rossellini (Giovanna d´Arco al rogo), de Roberto Rossellini, produção italiana de 1954, com Ingrid Bergman como protagonista, quando ela ainda era esposa do diretor.
Santa Joana (Saint Joan), de Otto Preminger, produção norte-americana de 1957, com a maravilhosa e trágica Jean Seberg no papel-título. A atriz foi a única intérprete que tinha a idade da heroína quando fez o filme.
O Processo de Joana d´Arc (Procès de Jeanne d´Arc), do asceta Robert Bresson, produção francesa de 1962, com Florence Delay no papel principal. Ótimo filme. A melhor versão depois da de Dreyer.
Joana d´Arc de Luc Besson (Jeanne d´Arc ou The story of Joan of Arc), de Luc Besson, produção francesa falada em inglês de 1999, com a ucraniana Milla Jovovich como protagonista. A mais comercial de todas as versões. Aliás, Luc Besson só faz cinema comercial.
22-11-2014
R.Roldan-Roldan é escritor
http://www.davidhaize.wordpress.com
Publicado pelo jornal “Correio Popular” de Campinas/SP em 2 de dezembro de 2014

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2 Respostas to “Joana d´Arc no Cinema”

  1. ROBERTO MÁRCIO PIMENTA Says:

    Excelente informação.

  2. J. Campos Says:

    Depois de ler este excelente artigo, dá vontade de assistir a todos os filmes e fazer as comparações.


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