JUIZ VIADO NÃO, JUIZ HOMOSSEXUAL (OLHA O RESPEITO!)

novembro 15, 2015

Juiz Viado não, Juiz Homossexual
(Olha o Respeito!)

O professor J. Campos entrevista o escritor R.Roldan-Roldan sobre seu polêmico livro “Juiz, Casado, com Filhos, Procura Homem Para Sexo Casual”, à venda na Amazon (impresso e e-book).
JC – No conto “Juiz, Casado, com Filhos, Procura Homem Para Sexo Casual” você aborda a homossexualidade camuflada de um juiz, pai de família, e usa um tom sarcástico, cínico, debochado, falando do magistrado. Você não estaria sendo preconceituoso em relação ao homossexualismo? Por que um juiz? Por que os amantes negros?
RRR – Não estou sendo preconceituoso. Absolutamente não. O tom sarcástico é empregado para satirizar a hipocrisia do juiz e, por extensão, da sociedade. Em nome das normas da sociedade o juiz não assume a sua homossexualidade. É um frouxo. E dos frouxos não se pode esperar nada a não ser a covardia. Logo, o conto é, antes de tudo, um libelo contra a hipocrisia da sociedade e não contra o homossexualismo.
JC – E por que a preferência por amantes negros?
RRR – Trata-se, propositalmente, de um clichê: o mito do homem negro como supermacho, sexualmente falando.
JC – E por que um juiz?
RRR – Porque os juízes, via de regra, se acham acima de qualquer suspeita, seja do ponto de vista ético, moral, político ou sexual. Logo, por que não satirizá-los? E, diga-se de passagem, eu ri muito na criação do conto, mesmo porque o enfoque da história é cômico. Um juiz, como ser humano, está no mesmo nível de um varredor de rua. Exatamente como um político corrupto está no mesmo nível de um assaltante de banco. Farinha do mesmo saco.
JC – Em “Vó, Teu Amante É Gostoso?” você descreve uma quase octogenária que mantém relações sexuais com um jovem que poderia ser seu neto. O que você pretende com esse relacionamento?
RRR – Eu não pretendo nada. Apenas quis mostrar com bom humor uma mulher inteligente, com filhos, netos e bisnetos, que assume a sua sexualidade na velhice em vez de reprimi-la. O que é extremamente sadio para a mente e para o corpo. Os velhos, se não estão doentes, sentem tesão. Só os mortos não sentem tesão. É absurdo e fascista negar a sexualidade dos idosos. Os filhos deveriam incentivar os pais idosos a manter relações sexuais regulares, dentro ou fora do casamento, quando um dos cônjuges está impossibilitado de consumar o ato.
JC – Isso não seria imoral?
RRR – Cuidar da saúde é imoral?
JC – E por que mais uma vez um amante negro?
RRR – E por que uma respeitável senhora branca, idosa, não poderia ter um amante negro e lixeiro? Não vejo nada de excepcional nesse comportamento.
JC – Em “Comida Caseira”, um engenheiro agrônomo acaba vivendo maritalmente com a esposa e as duas cunhadas, irmãs dela. Você também acha isso natural?
RRR – Por que não? Desde que não haja mentira… Por que devemos nos limitar a achar que a família é composta de papai, mamãe, filhinho e filhinha? No conto, a esposa, estressada, não tem muita vontade de sexo, mas ama o marido e não quer perdê-lo. Nada mais lógico que, para mantê-lo em casa, ela lhe empurre as duas irmãs (uma ex-freira virgem e uma evangélica viúva). E o marido, que gosta muito de sexo, não acha ruim. E passam a viver os quatro juntos, mais o filho e a filha adolescentes do casal, em harmonia. Qual é o problema, se ninguém mente para ninguém? O que é desprezível, coisa de fracos ou perversos, é a mentira.
JC – Uma ex-freira e uma evangélica. Não há aí uma vontade explícita de chocar certas comunidades?
RRR – Estou pouco me lixando para o que possam pensar. Não escrevo para chocar, mas também não costumo pisar em ovos. Além do mais, as freiras e as evangélicas não leem o que eu escrevo. Isso sem contar que freiras e evangélicas têm entre as pernas o que todas as mulheres têm. E se não a usam convenientemente, é porque são ignorantes. A abertura não é só para urinar, mas para ter prazer. E o prazer sexual aproxima de Deus. E não do Diabo, como pregam os imbecis. Talvez as minhas duas personagens sejam suficientemente inteligentes para perceber isso.
JC – Esse conto poderia ser tachado de machista.
RRR – Sim, talvez seja um conto machista. Poderia ter imaginado uma família formada por três homens e uma mulher. Mas, como sou homem, me diverti muito com a situação que criei. Além do mais, fui criado num país islâmico; será que sofri alguma influência poligâmica? (risadas). Mas não sou machista, não. Porém, se alguma feminista radical (não tenho muita paciência com feministas burguesas, o que é um paradoxo, e não sei se Simone de Beauvoir teria) achar ruim, eu a aconselharia a ler mais história e antropologia e a se convencer de que para mudar o macho é necessário mudar, previamente, a sociedade mediante uma revolução.
JC – “Pai, Quero Ser Mãe” é o conto mais ousado. Pode até chocar o leitor mais sensível, mesmo que não seja conservador.
RRR – Nesse conto quis dizer que quando amamos, fazemos concessões e pulamos preconceitos e tabus. Um pai heterossexual que deita com um homossexual para que o gay tenha ereção e penetre e fecunde sua (do hetero) filha deficiente física que quer engravidar, é um ato de amor.
JC – Mas há um sentimento incestuoso entre pai e filha, embora sem consumar o ato.
RRR – Sim, de fato. Mas o incesto é algo bastante praticado em todas as camadas sociais.
JC – Em suma, os sete contos do livro giram em torno do sexo em suas mais variadas manifestações.
RRR – Sim. Além dos contos já citados, temos “Pau na Horizontal”, sobre escritor sexagenário que tem relações sexuais com uma jovem estudante que poderia ser sua neta, “Maitezaitut/Anee ohev otakh” (“eu te amo” em basco e em hebraico) sobre pintor anarquista que mantém uma relação tórrida com uma psicóloga burguesa casada e o melancólico “Jazz” sobre músico maduro que se prostitui. Os sete contos compõem um painel sexual, por assim dizer, da sociedade.
JC – No entanto, não se pode afirmar que esse painel represente a sexualidade da grande maioria.
RRR – Do ponto de vista literário, não estou interessando na normalidade. A normalidade é enfadonha, chata, rasa, insípida.
JC – O jornalista Pierre-Auguste Lanord vê ecos de Maupassant em seu livro. Você se sente influenciado por Maupassant?
RRR – Maupassant é o maior contista da literatura francesa e um dos maiores do mundo. Gosto muito do seu universo. Mas não me parece que eu seja influenciado por ele. Estou, pelo menos em alguns contos deste livro, mais para Bukowski e para Andreas Nora, um excelente escritor brasileiro contemporâneo que admiro e com quem tenho muitos pontos em comum. Mas é mestre Khayyam, que se antecipou séculos a Kierkegaard e Sartre, com seu hedonismo, seu ceticismo, seu existencialismo (em plena Idade Média!) e sua indagação filosófica (e, para alguns, até metafísica) com quem me identifico totalmente. O grande Khayyam, com a lucidez da sabedoria, dizia, em outras palavras: carpe diem, pois após a morte não há nada, não resta nada, apenas o pó. De certo modo, não diretamente, ele dava a entender que a alma está entre as pernas.
JC – Isso não seria uma apologia do sexo?
RRR – Não. Apenas admitir que o sexo é sagrado. E que é graças ao sexo que a humanidade existe.
10-11-2015

 

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