Maio de 68: 50 anos

maio 1, 2018

O Cavaleiro Errante volta a…

III

Maio de 68: 50 anos

 

1-Glória

Aurora vermelha céu azul a alma veste branco

O comportamento entra em erupção

Abala vinte séculos de repressão judaico-cristã

As barricadas exalam odor de esperma juvenil

O sonho adolescente ergue seu falo em flor

O demiurgo Rimbaud volta vibra e ejacula

*

  

2-Aleluia

Os lilases dançam a java

Bakunin também volta e sorri benevolente

Ecos da sagrada Comuna estremecem o firmamento

Os lírios gauleses se agitam os jovens exultam

Os bem-pensantes tremem

A vulgar estabilidade cede ao orgasmo da rebelião

*

 

3-O ímpeto arrebenta supostas verdades

As ideias turbinam as artérias

O gozo principia o pensamento

As malvas dançam a bourrée

Ter vinte anos desnorteia deuses cartesianos

E desvela impossíveis horizontes

Despertados pelo sonho soixante-huitard

*

 

4-Comichão frenesi paixão

Alegria visceral da revolução

Tal tambor dispara o coração

É festa da transgressão coroando subversão

Da revolta da nova vibração

Do conformismo à exaltação

Santo Maio da renovação

*

 

5-Descrente está Descartes

E La Rochefoucauld mais ainda

Sorriso cínico de Voltaire riso safado de Khayyam

Pouco importa há paixão

Os jovens vibram exultam gozam

Com a sacrossanta estabilidade

Virada de ponta-cabeça

*

  

6-Abriremos nossa mente tanto quanto nossa braguilha

Os slogans fustigam o século

Nunca uma rebelião foi tão romântica

Talvez Nietzsche desconfie

A Liberdade copula em praça pública

É proibido proibir os miosótis dançarem a giga

Iluminação sejamos realistas exijamos o impossível

*

 

 7-Gloriosa barricada pavor do mesquinho burguês

Os asfódelos desabrocham em Maio de 68

Ao som do rondó dos gladíolos

Esqueceremos tudo o que aprendemos

A Primavera Francesa impacta o mundo e o faz tremer

Perfume de cravos mas hélas um sorriso à Mona Lisa

Desconfia malgrado o entusiasmo

*

02-04-18

Do livro “O Rimbaud Negro”