Ostentação, Despojamento, #MeToo e Brasília

 

A Ostentação

A ostentação é um aspecto da vulgaridade. E, ao contrário do que comumente se pensa – tão em voga neste século XXI que prima pela vulgaridade – chega a ser grotesca em todas as mídias. Para seres exigentes e lúcidos, vira uma aversão física: a náusea do brilho. Esse brilho barato de fim de feira. Competir para ver quem brilha mais é típico de cérebro de galinácea. Ou seja, de seres intelectualmente inferiores. Em outras palavras, a ostentação, ou vaidade, é um traço de pobres de espírito.

 

O Despojamento

Não existe elevação espiritual sem despojamento. O despojamento liberta dos trastes inúteis da nossa vida cotidiana – física e mental. Física porque ocupam o nosso espaço. Mental porque obstruem a mente que não consegue enxergar horizontes mais altos e distantes.  O ser superior não precisa desse monte de superficialidades que lhe tolhem a liberdade de ser e de pensar. Que lhe impedem de focar o que realmente é importante. Em suma, o consumismo e seu cortejo de superficialidades é tóxico. Assim como o engarrafamento de informações inúteis.

 

#MeToo

O #MeToo, com todo o respeito pelos direitos da mulher, passou de edificante a abusivo e a ser um instrumento de vingança, em muitos casos suspeito. Não é esse o caminho: apenas denunciar a torto e a direito, só porque está na moda – sempre a imbecilidade de estar na moda, e modismo é coisa de gente limitada. Não ao feminismo fascista. É a mesma coisa que um país sair de uma ditadura de direita para entrar numa ditadura de esquerda. Em certos casos, o politicamente correto se torna ridículo e hipócrita. As atrizes Judi Dench, Catherine Deneuve e Cate Blanchett fizeram declaração pertinentes e lógicas sobre o assunto.

 

Brasília

Mas deixemos as digressões ascéticas. Apelemos ao “fucking old angry man” que dispara em todas as direções como bom ser consciente e coerente. Ou brinquemos de “épater le bourgeois” que, como estamos atrasados, aqui, no Brasil, ainda funciona.  Voemos para a Sodoma e Gomorra brasileira. Ou seja, Brasília, onde ao odor nauseabundo da carniça dos abutres (e não se trata só da corrupção descarada, mas do abuso salarial e dos privilégios dos parlamentares e do judiciário, uma afronta, um verdadeiro roubo instituído que é a vergonha do País) veio se juntar a urina ácida do anjo armado, exterminador – supostamente purificador – que exala um insuportável cheiro de recalcado sexual nos templos da repressão medievalista, um odor igualmente nauseabundo de mofo e ranço de conservadorismo em estado de decomposição, encabeçado pelos famigerados  caciques neopentecostais, impostores da indústria de Cristo, que anulam qualquer esperança salutar de progresso social. Esses caciques neopentecostais deveriam ser presos por lavagem cerebral, extorsão, indução à alienação social e ao fanatismo.  E nem falemos das pérolas de alguns “salvadores da pátria” do futuro governo, como a do ministro de relações exteriores que teve a petulância (perdão, petulância não, estupidez) de alegar ser admirador de um lixo chamado Trump. Os países sérios e democráticos devem estar rindo da palhaçada de sua declaração. Ah, ia me esquecendo. O que dizer da paranoia comunista? O Brasil regrediu setenta anos para mergulhar na Guerra Fria dos anos 1950? É a quintessência da cretinice. Claro, sabemos que é uma estratégia para aglutinar débeis mentais.

Meus caros amigos Baudelaire, Rimbaud, Nietzsche, Bukowsky e Chomsky, pelo sagrado esperma do deus da Razão, poupem-me de todos esses brilhantes cérebros onde cintilam os excrementos a serem bastardamente instaurados.  

 

30-11-18