Sex Around the clock – Zob*

novembro 4, 2019

Sex around the clock – Zob*

 

          Outra vez, David? David Haize, o que está acontecendo com você? Você está bem? Como outra vez? O que você quer dizer? Não está acontecendo nada. E estou muito bem. David, mais um título em inglês? Totalmente em inglês? Ah, então é isso. O subtítulo está em árabe – para compensar. Já te falei que estou modernoso ultimamente. Estou imitando os babacas dos publicitários e de alguns jornalistas que vivem usando palavras em inglês norte-americano quando existe o termo em português. Que coisa brega, jacu, cafona. E eles pensam que isso é chique. Que síndrome de imitação. Tudo o que vem dos EUA é bom, maravilhoso e deve ser imitado. Se pelo menos essa cambada de imitadores – em todos os sentidos – escolhesse um país digno e realmente democrático como os países escandinavos, a Nova Zelândia, a Austrália ou o Canadá… Mas não. Optam (a economia manda) pelos EUA, esse país de merda que se diz democrático e paladino da liberdade. Que engodo. Democrático com pena de morte, sem saúde pública e asquerosamente cristão fundamentalista. Caralho, que atraso de país. Pode ser (por enquanto) a maior potência econômica e militar do Planeta, mas é uma nação socialmente atrasada. Tudo bem, tudo bem David, não se exalte. E o que você me diz do teor pornográfico do seu conto, a começar pelo apelo do título e subtítulo? Pois é, já que sou rotulado de escritor pornográfico, vamos apelar abertamente para o pornô – que na realidade não é pornô, já que pornô é a hipocrisia do softcore para vender qualquer produto. Sexo é importante. Um dos aspectos mais importantes da vida do ser humano e de todos os seres vivos. Sexo é sagrado. Como a água e o alimento. Sexo é bom para a circulação, para o coração, para o aparelho digestivo, para a pele, e para o sistema nervoso. Não precisa ser médico para saber disso. E quem condena o sexo em todas as suas manifestações é um reprimido, um recalcado, um ignorante, um idiota, um perverso, um ser problemático que tende à violência. Dito isto, vamos trepar no meu conto.

*

– Que gostosura. Boceta de minha vida.

– É toda sua, meu querido.

– E é para ser. Você gosta do meu pau?

– Adoro teu pau. Garboso. Galhardo. Elegante. Sempre com disposição. E adoro teus colhões grandes, robustos e bem feitos.

–  Ah, querida, vou encher tua boceta de porra quentinha.

–  Enche sim, meu amor. Quero sentir tua meleca dentro da santa perdida.

– Você gosta de meu leite de macho, né?

– Adoro teu leite de macho. Reserve um pouco para eu beber.

– Mas antes vou irrigar teu cu.

– Sim, meu querido, enche meu cu de porra. Mas antes faça minha boceta gozar.

– Vou rasgar teu cu.

– Rasga, querido, rasga. Faça o que quiser comigo. Faça tudo o que te der vontade. Estou aqui para te servir na cama. Sou tua escrava sexual.

– Sou tarado pela minha escrava. Tarado por meter com minha escrava.

– Você é meu macho, senhor e dono. Eu te pertenço. Mesmo porque ninguém me deu o prazer que você me dá.

– Eu fico feliz em te dar prazer. Te dar prazer nessa boceta angelical. Te dar prazer nesse cu seráfico. Te dar prazer nessa boca celestial. Sou tarado por você. Queria meter com você todo dia. Querida, estou quase gozando. Não aguento mais.

– Meu amor, aguenta mais um pouquinho que eu estou chegando.

– Vou soltar o leite!

–  Querido, eu também estou quase gozando. Ai, ai, ai!…

– Ah! Ah! Ah!…

– Eu te amo.

– Eu te amo.

*

Primavera

A pele noturna do lago arrepia-se

sob os prenúncios da Lua

que mergulham na água

até o fundo onde germina o jasmim

perfumando o silêncio

denso de carne em vigília

para nascer

ame-me

sem falar

antes do amanhecer

*

– Não, querido. Hoje não.

– Por quê?

– Estou menstruada.

– Não seria a primeira vez que fazemos sexo com você menstruada.

– Mas não estou com disposição.

– E precisa de disposição para meter?

– Precisa sim, seu machista.

– E precisa me chamar de machista?

– Essa tua resposta é machista. Basta o pau endurecer e pronto, vamos fazer sexo. Mas não necessariamente amor. Você sabe muito bem que com a mulher é diferente.

– Tá bom. Não vamos discutir. A mulher não entende a necessidade premente que o homem tem de fazer sexo. Sexo é a coisa mais importante do mundo.

– A coisa mais importante do mundo não é o sexo, mas o amor.

– Tá bom. Chega.

– Você não aceita que, eventualmente, eu não tenha vontade de sexo.

– Chega! Você adora uma discussão. Como toda mulher. Vou embora.

–  Ah, é? Não tem sexo, você vai embora.

–  O que você quer que eu faça? Que bata uma punheta na tua frente?

– Quer dizer que se eu não trepar com você, não sou nada. Você vem me ver para trepar. Só isso?

– Ué, não faz sentido vir aqui te ver sem meter. Sexo é tudo para mim.

– Então você não me ama.

– Te amo, sim. Mas com sexo.

– Tá bom. Pode ir embora. E não volte mais.

– Não fale assim! Porque você nunca mais me vê na vida. Ouviu o que eu disse? Meça tuas palavras.

*

Verão

Eco longínquo de vulcões rugindo

o sangue já decodificou a mensagem da paixão

tremor do fundo dos séculos

a mesma

prolongando-se nos confins dos que ousam

ultrapassar o limite dos sentidos

brincando de eternidade

goze-me

gritando

até amanhecer

*

– Por que você não quer morar comigo?

– Querido, eu prefiro continuar com a relação que temos atualmente. Ou seja, cada um na sua casa.

– Mas quando as pessoas se amam elas querem estar juntas. Juntas o tempo todo. Eu tenho essa necessidade.

– Mas eu tenho necessidade de ficar em casa sozinha. Isso não quer dizer que eu não te ame. Que não precise de você. Eu não quero me sentir sufocada.

– E eu te sufoco?

– Não. Mas um dia pode vir a me sufocar. Os homens tendem a sufocar as companheiras. Eu sei, por experiência, o que estou dizendo. Passei quinze anos casada e me sentia sufocada. Não quero voltar a passar por isso.

– Não sei se quero continuar com esse tipo de relação.

– Querido, pelo amor de Deus, não fale assim comigo. Não desestruture minha vida outra vez. Eu te amo, meu homem. Meu homem bonito, gostoso, sensual. Meu homem de bem. E eu sou tua mulher, talvez mais que se morasse com você. O fato de querer morar sozinha não significa que não te ame profundamente.

– O que você está fazendo?

– Abrindo tua braguilha. Quero te chupar. Quero sentir teu membro na minha boca. Quero que você me possua pela boca como você gostar de fazer. Quero que você ejacule na minha boca. Quero engolir teu esperma, algo que me deixa terrivelmente excitada.

– Você é muito louca.

– Não tanto quanto você.

*

Outono

Com tua alma

jovem tornas meu falo maduro

jovem meu coração outra vez adolescente

e o vento outonal varre as folhas mortas

e as envolve em bruma

que a memória dissipa

para reaver o frescor primaveril

ame-me

antes

como sempre

*

– Oi, meu querido. Que saudade. Como é que você está? Quando você volta?

– Estou bem. Com muito tesão. Subindo as paredes. Volto sábado.

–  Não tem me traído?

– Chupei a boceta da camareira e ela me ordenhou.

– Filho da puta!

–  Brincadeira. Estou casto e puro. Guardando o leite para você.

– Não seria a primeira vez que você me trai.

– Isso foi no começo de nosso relacionamento. Ainda não me sentia seguro.

– Sei. Você nunca perdeu tempo.

– Querida, a produção de leite de macho é constante.

– Safado.

– Estou guardando todo esse leite para você. Leite grosso. Boa produção. Vou te encher a boceta, o cu e a boca desse leite chulamente chamado de porra. E você, tem me traído? O porteiro do prédio te come com os olhos.

– Até que ele é bonitão.

– Safada.

– Estou brincando, querido. Como você acaba de brincar. Só tenho olhos para você, meu macho tesudo. Para teu pau, teus colhões, tua boca, tua bunda peluda, teus olhos e teu sorriso. Eu te amo homem meu. Sou louca por você. Sou sua. Só sua.

– Ainda bem.

– Ainda bem o quê?

– Eu não quero te dividir com ninguém. Você é só minha, do meu caralho e dos meus ovos.

– Só sua, meu amor. Só sua, meu amado mouro de Veneza. Sou sua Desdêmona. Mas não me mate.

– Minha vaca sagrada.

– Meu touro.

– Estou de pau duro. Vamos transar pelo telefone? Você bate uma siririca e eu toco uma bronha. Estou com excesso de leite nos bagos.

– Meu amor, você me deixa molhadinha.

– Vou te chupar o grelo enquanto enfio o dedo na tua felpuda.

*

Inverno

Do furor de viver à fúria de existir

prolongas minha vida

e endureces meu desejo

e me empurras insaciável

para a voragem do gozo ancestral

antes que a existência acabe

e me ofereces a taça do orgasmo

brindando ao derradeiro licor do

goze-me

amém

*

Where do I begin (Love story), Shirley Bassey. Sim, ela    preenchia meu coração. Como nenhuma outra mulher o fizera anteriormente. Why she had to go, I don´t know, she wouldn´t say, Beatles. Por que ela foi embora? Ela não iria falar. Para onde ela foi? Não sei. Fiquei sabendo por uma amiga sua que ela viajou, sem saber quando voltaria. Para onde ela viajou? Não sei. Em diversas ocasiões ela manifestou vontade de morar no exterior. Ou de ficar um bom tempo viajando pelo mundo. Sem destino estabelecido. Ela gostava de aviões, de trens, de navios, de ônibus. O prazer de estar em permanente deslocamento. Alma cigana reprimida? Sei lá.

Teria ela se cansado de mim? Teria sido eu muito possessivo? Invasivo? Eu a teria sufocado? Eu não sei amar de outro jeito. É tudo ou nada. Não sou homem de meias medidas. Quando gosto de alguém ou de algo, vou com o ímpeto de um animal. Não, não sou controlado. Quando a paixão me invade, solto as rédeas. E onde fico eu nessa história? Teria ela conhecido outro homem? Antes de viajar? Ou durante a viagem? Ou depois de viajar? A ponto de não me querer mais? O que fiz eu de errado para merecer ser abandonado? Sem uma explicação. Sem uma palavra de despedida. Palavras. Ah, as belas palavras de amor ou tesão. Quão fúteis são. Curioso, que ela falava tanto em amor e eu, em sexo… Mas talvez estivéssemos invertendo os papéis. O que eu sentia mesmo era amor, embora sempre falasse em sexo. E ela, talvez, o que ela sentia era o sexo mais do que o amor, embora falasse, como toda mulher, mais de amor do que de sexo. Céus! Essas noites selvagens… E esses dias de furor… Como se o mundo fosse acabar de uma hora para outra. E de tudo isso não restou nada. Nem sequer a gratidão por ter vivido algo tão intenso. Em que acreditar?

E depois de um ano, peguei um avião e fui a Paris. Porque uma vez ela dissera que gostaria de morar em Paris. Sim, fui a Paris. Na vã tentativa de encontrá-la. Na vã tentativa de achá-la nas ruas do Quartier Latin ou nos Champs-Elysées. Que absurdo, encontrá-la entre milhares de pessoas. E de Paris fui a Barcelona. Porque numa ocasião ela dissera que gostaria de morar em Barcelona. E perambulei pelas Ramblas e pelo Barrio Gótico à procura de seu rosto, entre milhares de pessoas. E de Barcelona fui a Tânger. Porque certa vez ela dissera que gostaria de morar em Tânger. E fui caminhando pelo centro, pelo antigo boulevard Pasteur, pela avenue d´Espagne e pela casbá. Em busca da mulher perdida. Como um bobo. Como um tonto. Ou como um homem que ama, obcecado pelo amor de uma mulher. Que chance tinha eu de localizá-la? Uma entre um milhão. Viagem sem sentido. Viagem de sonhador. Viagem de romântico.

E voltei para casa. Convencido de que não adiantava procurá-la tão longe. Mesmo porque ela poderia estar morando em São Paulo, onde eu morava. Sim, o amor, quando invade, com a violência de um tufão, o coração, a mente e o corpo, leva o apaixonado a fazer loucuras. O amor, essa força incontrolável da natureza…

E às vezes me pergunto: estaria ela morta? I will wait for you, Frank Sinatra

*Zob: pau em árabe magrebino

28-09-19

  

 

 

 

 

 

 

 

Uma resposta to “Sex Around the clock – Zob*”


  1. Desbocado, sarcástico, ousado, corajoso, romântico, humano.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: