Texto biográfico

 

 

         R.Roldan-Roldan nasce na Espanha. É criado no Marrocos. Formação francesa. Cidadão brasileiro.

Infância conturbada: é separado dos pais, durante o pós-guerra, devido à perseguição política.  Fuga cinematográfica para o Marrocos onde, durante dez anos, a familia vive presa na cidade internacional (cidade-estado) de Tânger de onde eles não podem sair por serem apátridas. Esse período crucial de refugiados políticos pobres deixará uma dolorosa marca  indelével no futuro escritor.

Ele já é adulto quando a família imigra para o Brasil. Empregado numa empresa de transporte aéreo, viaja pelo mundo. Numa dessas viagens, um marco em sua vida, é detido por engano no Afeganistão, país que o marcará para o resto de sua existência.

É durante sua juventude que, obcecado pela liberdade, se entrega a determinadas experiências perigosas, transgressões que têm por objetivo reafirmar essa sua liberdade que tanto preza. Essa atitude acarreta um profundo desprezo pelas convenções e pelos valores burgueses. Algo natural, por assim dizer, já que é filho de um militante anarquista. Oscila, tanto na vida quanto na literatura, entre um hedonismo desenfreado e uma densa espiritualidade laica.  Vive intensamente para poder transpor sua vivência para a literatura. E escreve o furor de existir para sentir-se vivo. Em suma, o viver é feito de literatura e sexo.  Em última instância, a literatura é mais importante que a vida, pois a vida acaba e a literatura fica. Ele é o que se poderia chamar de animal intelectual ou, mais especificamente, de animal literário. Ou seja, um escritor orgânico, visceral, biológico, mas erudito. O estudo da literatura se prolonga ao longo de toda a sua existência. E as influências literárias são múltiplas, indo  de Nietzsche a Khayyam, passando por Rimbaud,  Lautréamont, Sartre e Camus.

Em 1996, já gerente de uma multinacional e com três filhos e sufocado pela náusea, rompe as amarras e abandona absolutamente tudo para dedicar-se à escrita. A ruptura é radical e abrange desde emprego, casamento e relacionamentos até hábitos alimentares e vestimenta. É uma convulsão em sua vida. Come o pão que o diabo amassou. E, sem metáfora, passa fome. Mas, coerente e liberto, assume seu destino e sente-se finalmente digno e em paz. Ou seja, de acordo com as suas palavras, deixa de ser puta do sistema.

É autor de 30 livros publicados. Os cinco primeiros (três na França e dois no Brasil) são por ele destruídos depois de editados e não constam de sua bibliografia. Sua obra, que abrange romance, conto, poesia e teatro e artigos polêmicos para jornais, vai aos extremos. Como sua vida. Com a qual se confunde. Da paixão ibérica, do ceticismo gaulês, do solo islâmico e da sensualidade tropical surge a cor intrínseca de sua identidade, obsessão e tema principal de sua obra, que não se assemelha a nada na literatura brasileira.

Uma resposta to “Um Animal Literário, Um Animal Intelectual”


  1. Parabéns pelo texto, caro amigo escritor, dei sorte de ler primeiro seu texto literário-semiautobiográfico. escreves muito bem e conciso e com uma nua e crua. ótimo. Rafael. cordial abraço


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: